História

Afinal, o Homem Sem Cabeça Não Morreu Esmagado em Pompeia

Uma descoberta surpreendente traz novos desenvolvimentos sobre o destino da desafortunada vítima da erupção do Vesúvio em Pompeia, no ano 79 d.C.terça-feira, 17 de julho de 2018

Por Erin Blakemore
Quando foram descobertos os restos mortais de um homem, os arqueólogos de Pompeia acreditavam que a vítima tinha morrido esmagada por um grande bloco rochoso, durante a erupção do Monte Vesúvio.

Ele estava no local errado à hora errada: um homem, cuja cabeça tinha sido aparentemente esmagada por um enorme bloco de pedra, durante a erupção do Monte Vesúvio, em 79 d.C.  O crânio do homem foi agora encontrado, tendo sido identificada a causa de morte, segundo um relatório das entidades oficiais do Parque Arqueológico de Pompeia, em Itália.

Os arqueólogos localizaram o crânio, com a boca aberta, perto dos restos mortais da infeliz vítima, que tinham sido desenterrados em maio. A descoberta deixa cair por terra a teoria anterior de que o homem teria morrido esmagado por um bloco de pedra, enquanto tentava fugir da segunda fase da erupção, que preservou grande parte da cidade romana sob um manto de pedra e cinza.

“Sabemos hoje que a morte não foi causada pelo impacto da rocha, mas supostamente por asfixia na sequência de uma escoada piroclástica”, pode ler-se na página de Facebook do Parque Arqueológico de Pompeia.

Nem todos os vulcões produzem lava. Quando entrou em erupção há 2000 anos, o Vesúvio expeliu uma coluna densa e tóxica de pedras e cinza. No dia seguinte, escoadas piroclásticas precipitaram-se sobre as encostas da montanha, destruindo extensas áreas de terras e reclamando a vida de milhares de pessoas.

Imagine-se uma escoada piroclástica como “uma força ciclónica super aquecida, transportando cinza e pedra, que pode destruir quase tudo o que se atravesse no caminho”, afirma Benjamin Andrews, diretor do Programa Global para o Vulcanismo do Instituto Smithsonian. Estas escoadas ocorrem quando um vulcão colapsa ou transborda, expelindo uma corrente tóxica de gás, cinza e pedra, que avança furiosamente pelo flanco do vulcão, auxiliado pela gravidade e pela circulação de ar. Andrews compara a escoada pirolástica a um jato de areia super aquecido, que projeta, ocasionalmente, pedra do tamanho de uma bola de beisebol ou de bowling.

“Se for apanhado por uma escoada piroclástica, é morte certa”, afirma Andrews. A vítima de Pompeia, que provavelmente coxeava, em virtude de uma infeção óssea, não tinha qualquer oportunidade de sobreviver à corrente furiosa de fogo e pedra. Os pulmões não terão tido capacidade para enfrentar o ar denso e tóxico, carregado de gases, com temperaturas na ordem dos 538o Celsius, que se abateu sobre Pompeia.

Os arqueólogos descobriram o crânio num plano inferior da escavação relativamente aos restos mortais do homem. Acredita-se que um túnel aberto durante as primeiras escavações de Pompeia na década de 1740 tenha desabado, arrastando o crânio no processo.

As escavações dos tempos modernos são mais avançadas do que as primeiras tentativas para pôr a descoberto os segredos da antiga cidade. Os arqueólogos iniciaram as escavações de Regio V, uma região norte de Pompeia, que ainda não foi explorada na sua totalidade.

Segundo as declarações do coordenador dos trabalhos arqueológicos a uma agência noticiosa italiana, a escavação apoia-se em tecnologia laser, drones e imagens de realidade virtual.

Nem mesmo com recurso à mais sofisticada tecnologia do mundo, será possível reconstruir com precisão os acontecimentos aquando da erupção do Vesúvio. Mas a ciência diz-nos o que o pobre homem terá visto, quando ergueu o olhar em direção ao cume da montanha. Imagine “uma nuvem imensa e assustadora, que avança violentamente na sua direção”, diz Andrews, e terá uma pequena ideia das imagens que preencheram os últimos minutos de vida deste homem, enquanto ainda tinha cabeça.

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