Cromeleque dos Almendres: o Stonehenge Português

Riquíssima em sítios arqueológicos, a cidade de Évora esconde o Cromeleque dos Almendres. Será este o Stonehenge português?

Por National Geographic
Publicado 10/09/2018, 18:47
Fotografia do Cromeleque dos Almendres, Guadalupe
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora, Portugal, 2014
Fotografia por Reino Baptista, cc By-sa 4.0, Wikimédia Commons

Portugal, um país bem pequeno, é extremamente rico em sítios arqueológicos importantíssimos, e de salientar é, claro, a região do Alentejo. É aqui, numa freguesia do concelho de Évora, que podemos encontrar o enigmático Cromeleque dos Almendres.

Envolto em mistério e fascínio, há quem ache que é obra de extraterrestres, há quem o atribua a poderes superiores, no entanto, uma coisa é certa, o Cromeleque dos Almendres conta também a nossa História.

 

O que é?

O Cromeleque dos Almendres é o maior círculo de menires alguma vez encontrado em Portugal e na Península Ibérica. Constituído por 95 monolitos, ou menires, e remontando ao milénio VII a.C., é um dos mais importantes monumentos megalíticos e mais antigos de toda a Europa.

Insere-se no Circuito Megalítico de Évora, juntamente com outros monumentos: antas, necrópoles, cromeleques menores e povoações pré-históricas. É um Imóvel de Interesse Público desde 1974, e Monumento Nacional desde 2015. A relevância deste cromeleque não passa só pelas grandes dimensões, mas também pelo bom estado de conservação em que se encontra.

Escondido à Vista de Todos

O cromeleque dos Almendres foi descoberto em 1964 pelo investigador Henrique Leonor de Pina, quando se procedia ao levantamento da Carta Geológica de Portugal. Aparentemente, um trabalhador da zona ter-lhe-á dito que tinha estado num sítio onde se encontravam várias “daquelas pedras”. Após limpeza da vegetação duma encosta voltada a nascente, na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, não só se descobriu o Cromeleque dos Almendres, como também peças de cerâmica, um machado de pedra polida, e ainda um menir relacionado com o cromeleque, chamado de Menir dos Almendres.

Uma Cronologia de Mudanças

A cronologia do Cromeleque dos Almendres revela as mudanças que foram acontecendo, nos três milénios em que foi edificado. E os estudos arqueológicos indicam que o conjunto megalítico dos Almendres tenha sido formado em três etapas.

A primeira fase de formação do cromeleque dos Almendres ter-se-á dado no final do período Neolítico, a final do milénio VI a.C., quando se levantou um conjunto de monólitos de menor tamanho, em três círculos concêntricos.

No Neolítico Médio, durante o quinto e quarto milénios a.C, foi acrescentado um novo recinto a oeste da construção, na forma de duas elipses concêntricas.

A terceira e última fase de construção do Cromeleque dos Almedres terá ocorrido no Neolítico Final, no milénio III a.C. As disposições mais ou menos regulares dos monólitos foram alteradas, de modo a que o recinto menor se tornasse um átrio maior. É possível que tenham ainda sido acrescentados nesta altura alguns monólitos com gravuras.

Será “um Stonehenge”?

Na verdade, o Cromeleque dos Almendres é cerca de 2.000 anos mais antigo que o Stonehenge, em Inglaterra. O Stonehenge, também ele um cromeleque, data de cerca de 3000 a.C.

As diferenças começam logo na idade, já que se pensa que o Cromeleque dos Almendres tenha sido abandonado na transição do Neolítico Final para a Idade do Cobre (circa 3000 a.C.), altura em que o Stonehenge começou a ser erigido.

Há, no entanto, evidências que mostram que os dois são mais parecidos do que parecem. Estão alinhados de modo a que os seus eixos imaginários coincidam com os eixos dos pontos cardeais, e com os solstícios e equinócios. Se, na madrugada do solstício de junho, alinhar o seu olhar com o Menir dos Almendres, a partir do Cromeleque, conseguirá ver a posição onde o Sol nasce.

Há também indícios de que os cromeleques tenham sido usados como lugares de culto pagão, além de observações de astronomia – que como sabemos, na altura, não era uma ciência tão afastada da espiritualidade.

Em suma, o propósito, quer do Stonehenge, quer do nosso Cromeleque dos Almendres, não é perfeitamente claro, e continua a ser um mistério. O que se sabe é que o Cromeleque dos Almendres, sítio carregado de simbologia, e de, dizem alguns, misticismo, é um sítio que nos faz entrar numa máquina do tempo… seja para voltar atrás e tentar compreender o significado, ou para simplesmente nos mesmerizarmos com a paisagem e o nascer do Sol no dia mais longo do ano.

Como Chegar

O Cromeleque dos Almendres fica situado na Herdade dos Almendres. Esta herdade privada cedeu a zona do monumento à Câmara Municipal para uso público.

Coordenadas GPS: 38° 33' 28" N 8° 3' 41" W / (38.557578,-8.061414)

Direções:

De Évora, seguir a estrada nacional N114 em direção a Montemor-o-Novo; ao quilómetro 9 virar à esquerda em direção a Guadalupe; seguir as indicações pela vila e virar à direita. Andar cerca de 4km por uma estrada de terra batida, até chegar ao recinto.

 

O Cromeleque dos Almendres não está sozinho

Antes de partir para Évora, e visitar o maior monumento megalítico da península, não se esqueça que no distrito de Évora existem mais de 800 antas, cem menires, dezenas de recintos e povoações megalíticas! E, se tiver tempo, pode ainda tentar resolver o mistério milenar das mais de cem pedras com covinhas que se encontram espalhadas por toda Évora.

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