A História do Natal em Portugal

Um pinheiro enfeitado com bolas e laços, um presépio e o Pai Natal não podem faltar no Natal português. Mas como se adotaram estas tradições?sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Por National Geographic

Apesar de ser uma festa cristã, o Natal, com o passar do tempo, converteu-se numa festa familiar com tradições pagãs, em parte germânicas e em parte romanas. O Natal e a sua celebração em Portugal têm mudado muito ao longo da história. Muitos de nós, no entanto, já só se lembram das celebrações natalícias como elas se vivem hoje em dia. Vamos voltar atrás e perceber como é que o Natal em Portugal se tornou tal e como o conhecemos.

Nem Sempre Foi Natal

Inicialmente, a Igreja Católica não comemorava o Natal, apesar de celebrar Jesus e o seu nascimento. Apenas no século IV, pela mão do Papa Júlio I – que fixou a data de nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro – se começou a efetivamente festejar esta data.

De notar que a escolha desta data em particular não é acidental, sendo que este dia coincide com a Saturnália dos romanos e com o Solstício de Inverno festejado pelos povos germânicos e celtas.

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A Igreja Católica teve, assim, uma oportunidade para cristianizar a data. Alguns países, no entanto, optaram por celebrar o Natal a dia 6 de Janeiro, data que depois foi sendo associada à chegada dos três Reis Magos.

Tradições Antiquíssimas

A Árvore de Natal é um pinheiro ou abeto, adornado e iluminado, que se monta durante toda a época de Natal – podendo ser desde o início do mês até depois da chegada dos Reis Magos.

Esta tradição, da Árvore de Natal, tem raízes bem mais longínquas que o próprio Natal. Os romanos enfeitavam árvores por ocasião da Saturnália – festa em honra ao deus Saturno, deus da agricultura -, os egípcios enfeitavam a casa com galhos verdes no Solstício, e os druidas decoravam carvalhos também na mesma altura.

Como conta a tradição, S. Bonifácio, na Alemanha do século VII, usava a forma triangular do abeto como símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), tendo substituído o carvalho como árvore sagrada.

Assim, a primeira referência a uma “Árvore de Natal” remonta a 1510, na Lituânia, e é atribuída a Lutero, autor da reforma protestante. Consta-se que Lutero terá, depois de um passeio, trazido um abeto decorado com uma estrela no topo, e com velas – simbolizando o céu estrelado do dia do nascimento de Jesus.

Este costume ganhou força durante o século XVI, em especial na Alemanha, e daí espalhou-se a praticamente toda a Europa. A Portugal só chegou no século XIX: em 1844, D. Fernando II surpreendeu a família com um pinheirinho enfeitado com bolas e doces, ao lado do qual colocou presentes.

Costumes Importados

D. Fernando II, segundo marido da Rainha D. Maria II e Príncipe Consorte de Portugal entre 1836 e 1837, era alemão. O homem que conhecemos por Fernando, e cujo nome era Ferdinand August Franz Anton von Sachsen-Coburg und Gotha, era também primo de D. Alberto, o marido da Rainha Vitória do Reino Unido.

Os dois primos, que cresceram com as tradições germânicas, foram responsáveis pela introdução dos costumes de Natal em Portugal e Reino Unido, respetivamente. Foi D. Fernando II que montou uma árvore de Natal para a esposa e os filhos, e andou a distribuir presentes vestido de São Nicolau. Em Inglaterra, Alberto fazia o mesmo.

Mas desengane-se se acha que esta foi uma tradição rapidamente aceite! Até aos anos 50 ainda havia alguma resistência a fazer uma Árvore de Natal, sendo o Presépio a principal decoração da quadra.

O Presépio Manteve-se

Apesar de se celebrar o nascimento de Cristo a 25 de Dezembro, só muito mais tarde se começou a recriar a cena da Natividade (mais vulgarmente, o Presépio) nesta altura. Foi apenas em 1223 que S. Francisco de Assis deu forma a esta cena.

Adotado gradualmente, o Presépio de Natal era já uma tradição completamente inserida na cultura da Península Ibérica, no século XVIII. Atualmente, tem apenas três figuras indispensáveis: Maria, José e o Menino Jesus na manjedoura.

Contudo, há quem elabore presépios muito maiores e mais completos, incluindo os três reis magos que chegam, vários animais de curral – que teriam aquecido o Jesus recém nascido - o ano que anunciou a chegada da criança, aldeãos curiosos, entre muitos outros.

Em Portugal é comum representar-se o presépio com vários elementos e até fazer uma miniatura da vila ou aldeia a que se pertence. Embora a árvore de Natal, o pinheiro, tenha ganho popularidade, o presépio não foi substituído na maioria das casas, sendo montados tanto o presépio como o pinheiro durante a época festiva de Natal.

De Menino Jesus a Pai Natal

No início do século XII, os presentes eram distribuídos em nome de S. Nicolau, a 6 de Dezembro. No entanto, a reforma católica do concílio de Trento, no século XVI, passou a atribuir os presentes ao Menino Jesus, e no dia 25, por ocasião do seu nascimento.

Alguns outros países mantiveram-se mais fiéis à história do nascimento de Jesus, e só trocam presentes no mês seguinte, no dia 5 ou 6 de Janeiro, que é a data em que supostamente os três Reis Magos chegaram junto do Menino e lhe ofereceram presentes – ouro, incenso e mirra.

Espanha é um exemplo de um destes países: a noite da Consoada, ou Noche Buena, é passada em família e com amigos, tal como o dia de Natal, com uma farta mesa. Os presentes, esses, são trocados apenas depois do Ano Novo, numa festa chamada Los Reyes.

Em Portugal a tradição foi modificando lentamente, até que já no final do século XX, devido à imensa popularidade do Santa Claus (ou Pai Natal), este ficou com a função de presentear as crianças no dia de Natal – já conhece a história surpreendente do Pai Natal?

Ainda há famílias que agradecem ao Menino Jesus pelos presentes, mas o imaginário das crianças é principalmente preenchido pelo homem de longas barbas brancas e vestido de vermelho, que desce pela chaminé e deixa presentes debaixo da árvore de Natal. E agora, até há já uma escola de Pais Natal!

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