História

Darwin - a Sua Influência em Portugal

No ano em que Charles Darwin faria 210 anos, revisitamos a vida e obra do pai da teoria da evolução e a sua influência em Portugal.Monday, February 11, 2019

Por National Geographic
Charles Darwin, 1879

Charles Darwin nasceu a 12 de fevereiro de 1809 em Inglaterra – dia em que agora se celebra o Dia de Darwin. Filho de um médico, começou por estudar medicina que logo abandonou pela teologia, impulsionado pelo pai. No entanto, a sua verdadeira paixão era história natural. Em 1831, aos 22 anos, foi recomendado ao comandante Robert FitzRoy por um professor, para o acompanhar numa expedição histórica a bordo do HMS Beagle.

A VIAGEM A BORDO DO HMS BEAGLE

Charles Darwin saiu de Inglaterra a 10 de dezembro de 1931, a bordo do Beagle, como naturalista e consultor científico da expedição. Esta tornar-se-ia numa das maiores e mais importantes viagens de exploração da história, e uma das mais conhecidas. A viagem durou cinco anos, e pelo caminho o navio passou pela costa do Brasil, onde se demorou longamente, seguindo para a costa Atlântica da América do Sul, e daí para a Nova Zelândia e a Austrália.

Durante estes cinco anos, Darwin manteve atualizado um diário de bordo riquíssimo e extremamente detalhado. Para além disso, foi recolhendo vários insetos e descreveu (com ilustrações) outras espécies que foi encontrando. Encontrou também vários fósseis de animais extintos, nomeadamente o megatério ou o glipodonte.

Mas não só no mundo animal teve Darwin as suas observações. Durante a expedição, teve contacto com escravos e nativos que haviam sido “civilizados” e com a brutalidade com que eram tratados. Esta experiência, embora traumática, fê-lo refletir sobre o conceito de raça, e chegar à conclusão de que provavelmente todos os humanos tiveram a mesma origem.

Depois de ver vulcões, de se aprofundar na geologia e de experimentar terramotos, o HMS Beagle regressou a Inglaterra pelo Atlântico, fazendo escala nos Açores.

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O LAPSO DE DARWIN

Foi precisamente na passagem do Beagle pelos Açores, no final da sua viagem de circum-navegação, que Darwin conheceu os Açores. Durante seis dias, visitou a ilha Terceira, mas o resultado desta visita foi desapontante. Darwin escreveu nos seus diários que gostara “imenso” da visita, mas que não encontrara “nada digno de registo”.

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Charles Darwin passou pelos Galápagos para estudar a sua atividade vulcânica, e encontrou uma biodiversidade biológica enorme, propícia à criação de um pensamento evolucionista. Ao que parece, na sua passagem pelos Açores, Darwin pensava em estudar mais sobre a natureza vulcânica do arquipélago, mas, por alguma razão, não reparou nela.

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A realidade é que a investigação científica mais recente tem reforçado cada vez mais a importância e relevância do estudo dos Açores, em termos de biodiversidade, paleontologia e geografia, para provar a diversidade da evolução. Isto é, os Açores seriam um ótimo ponto de partida para Darwin, e para a sua teoria da seleção natural.

A PORTA DE ENTRADA DE DARWIN EM PORTUGAL

E já que Darwin não se interessou muito pelos Açores, será que Portugal se interessou muito por Darwin? Certamente. O seu livro fundador da teoria da evolução, “A Origem das Espécies” foi publicado em Inglaterra em 1859, mais de vinte anos após o término da grande expedição. Poucos anos mais tarde, em 1865, a teoria da evolução chegou a Portugal pela mão de Júlio Castro Henriques, botânico da Universidade de Coimbra. A tradução portuguesa de “Origem das Espécies” só chegou ao nosso país, no entanto, em 1913.

E, apesar de Júlio Castro Henriques ter sido quem trouxe a obra de Darwin para Portugal, o seu maior fã e aquele que veio a tornar-se uma espécie de amigo, foi outro.

AMIGOS EM PORTUGAL

Falamos de Arruda Furtado, um evolucionista Açoreano – veja-se a ironia – nascido a 1854, e falecido a 1887. Esta personalidade é desconhecida para grande parte dos portugueses, mas teve uma relação bastante próxima com Darwin, por volta de 1880. Darwin e Arruda Furtado corresponderam-se várias vezes, em cartas onde o naturalista português pedia conselhos e orientação científica, colocava dúvidas e expressava admiração pelo seu interlocutor. Darwin, por sua vez, também expressava admiração pelo afinco do autodidata com quem se correspondia.

É de ressaltar que este naturalista, que se distinguiu em áreas como malacologia – estudo de moluscos - e antropologia nunca havia frequentado o ensino superior, apesar de ter publicado vários estudos e artigos.

A correspondência parou por causa da doença de Darwin, que faleceu em abril de 1882. Arruda Furtado continuou a sua carreira na ciência, mas viria a falecer cinco anos mais tarde, em 1887, de tuberculose.

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