Arquitetura, Arte e História – a Rota do Românico em Portugal

No norte e centro de Portugal, há um tesouro preservado desde o século XI. Sugestões para descobrir mais um legado de D. Afonso Henriques.domingo, 14 de abril de 2019

Por National Geographic

O ESTILO ROMÂNICO EM PORTUGAL

O estilo Românico chega a Portugal no final do século XI, durante o reinado de D. Afonso Henriques, como consequência da europeização da cultura. O termo “românico” deriva, desta forma, das influências do Império Romano, que dominou a Europa Ocidental durante séculos.

Com o aparecimento da cultura românica, foram várias as obras que tiveram início nos mais diversos locais do país, nomeadamente os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, o Mosteiro de Santa Cruz e as Sés de Coimbra, Lisboa e Porto. Sendo este estilo predominantemente religioso, grande parte destas obras foram solicitadas por bispos e abades dos principais mosteiros e dioceses nacionais - Braga, Coimbra, Porto, Lamego, Viseu, Lisboa e Évora.

Alguns dos elementos mais característicos do estilo românico, e que grande parte das construções acabaram por incorporar, foram os aspetos mais teatrais, os espaços mais amplos e sem barreiras visuais – tirando as zonas de culto -, as plantas longitudinais - em formato de cruz -, as abóbadas de berço, as poucas janelas, arcos de arquivolta, esculturas, vitrais, tapeçarias e pinturas inspiradas na religião católica – onde era utilizada a técnica do afresco, com cores vivas e fortes. Estes últimos elementos eram muito importantes porque, na Idade Média, poucos sabiam ler e escrever e, assim, estas pinturas serviam de “alfabetização religiosa”.

A escultura românica era utilizada, sobretudo, para adornar os locais sagrados. Por isso, o principal foco era a religião. As esculturas apresentavam formas pouco naturalistas e normalmente representadas por figuras entalhadas nas paredes das igrejas.

Podemos encontrar as marcas desta cultura um pouco por todo o país, seja ao nível da arquitetura como da pintura e escultura, principalmente nas zonas norte e centro. Por um lado, observamos semelhanças em construções geograficamente próximas; por outro lado, é possível observar diferenças acentuadas de região para região e diferenças frisadas por razões cronológicas.

ROTA DO ROMÂNICO

A Rota do Românico é uma rota turística e cultural, composta por cerca de 60 monumentos e construções românicas em Portugal.

Composta por mais de 27 programas, com durações que podem ir de 1 a 5 dias, a rota leva-nos a percorrer lugares e monumentos com história e traz-nos memórias do estilo românico. Selecionamos algumas sugestões para explorar.

A pé, de barco, de autocarro ou num veículo próprio, pode percorrer os centros históricos, aldeias, miradouros, parques temáticos e outros caminhos que o levarão até uma experiência cultural singular. Pode, ainda, pôr o seu lado mais aventureiro à prova com a prática de rafting, canoagem, rali, motocrosse ou todo-o-terreno.

À DESCOBERTA DO DOURO ROMÂNICO

Um dos 14 monumentos a destacar na Rota do Românico do Douro é a Igreja de São Martinho de Mouros, em Resende, um dos monumentos que mais destaca o estilo romântico português. Para além da planta em cruz – composta por uma nave e uma capela-mor retangular -, possui uma fachada robusta, dominada por um maciço turriforme que ocupa o primeiro quarto da nave, concebendo a esta igreja um aspeto militar e protetório, daí a designação de Igreja-Fortaleza.

Este maciço turriforme é único dentro do estilo românico português. Ocupa toda a largura da Igreja e forma uma estrutura vertical que ultrapassa o nível da nave, mas é no interior do edifício que ganha verdadeiro protagonismo. Detém uma composição original ao criar uma solução de três naves estreitas, com abóbadas de pedra paralelas em cada tramo.

A cabeceira conserva capitéis próprios do século XII e a construção da nave e do pórtico remete para o século XIII. No interior da Igreja, junto ao arco triunfal, ainda se preservaram alguns elementos da pintura mural original.

PELO VALE DO TÂMEGA

O Vale do Tâmega é um percurso por paisagens inesquecíveis e por mais de 25 monumentos. Esta rota inicia-se na Igreja de São Pedro de Abragão e termina na Igreja Salvador de Fervença, passando por Amarante, Celorico de Basto, Marco de Canaveses e por Penafiel.

Dos 25 monumentos, podemos destacar a Igreja de Cabeça Santa. Possui semelhanças arquitetónicas da Sé do Porto e da Igreja de São Martinho de Cedofeita, nomeadamente a nível de decoração.

Por todo o monumento, é possível verificar elementos românicos e a itinerância dos autores da edificação. No átrio da igreja é possível observar 3 sepulturas escavadas na rocha e 3 sarcófagos medievais. No portal sul existe, também, um capitel que representa um acrobata de corpo arqueado e que forma uma ponte, sendo considerado um dos melhores exemplares da escultura do românico do Norte.

Uma outra curiosidade é a origem do seu nome. Este está relacionado com a devoção que D. Mafalda, neta de D. Afonso Henriques, à relíquia de um homem santo, o crânio, guardado e exibido num altar próprio na nave da igreja.

ENCANTOS DO VALE DO SOUSA

Neste percurso, composto por 16 monumentos espalhados por Felgueiras, Lousada, Penafiel, Paredes e Paços de Ferreira, destacamos o Mosteiro do Salvador Paço de Sousa.

É uma das construções mais simbólicas e carismáticas do estilo românico no Norte do país. Foi cabeça de um couto doado pelo Conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, e tornou-se num dos mosteiros beneditinos mais célebres.

O túmulo de Egas Moniz foi colocado numa capela desta igreja românica, devido à ligação que existia com a família do próprio, e, mais tarde, aquando a demolição da capela, foi transportado para o interior da igreja, onde ainda hoje se encontra.

As ligações de Egas Moniz e da monarquia ao Mosteiro são retratadas em “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, e na Estação de S. Bento, no Porto.

 

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