História

Há Mais Pessoas Com Mais de 65 Anos de Idade do Que Com Menos de 5 – Consequências?

As pessoas vivem cada vez mais tempo e têm cada vez menos filhos, algo que apresenta novos desafios e oportunidades.terça-feira, 23 de julho de 2019

Por Kelsey Nowakowski
As alterações demográficas têm consequências socioeconómicas em todo o mundo.

Durante quase toda a história da humanidade, a população da Terra foi ficando sempre mais jovem. Mas desde o último Dia Mundial da População, a 11 de julho, aconteceu uma alteração enorme: existem agora mais pessoas com mais de 65 anos de idade do que com menos de 5.

O Dia Mundial da População foi estabelecido em 1989 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, com o objetivo de chamar a atenção para as questões populacionais. Ter mais pessoas no planeta não é a única preocupação, já que a estrutura etária de uma população também é importante.

FONTE: NAÇÕES UNIDAS

O aumento da longevidade é um marco notável da humanidade, mas ter mais idosos também cria uma série de preocupações socioeconómicas prementes. À medida que a população global continua a envelhecer, a diferença entre crianças e idosos aumenta em direções opostas. Até 2050, o segmento populacional com 65 anos ou mais aumentará para quase 16% - mais do dobro das crianças com menos de cinco anos.

"Em muitos países, a estrutura populacional em forma de pirâmide é uma coisa do passado – agora tem o formato de um barril", diz o investigador, Toshiko Kaneda, da ONG Population Reference Bureau. Este novo padrão foi moldado pelo declínio da fertilidade, fator principal, e por uma esperança média de vida mais longa.

Os diagramas populacionais em forma de pirâmide ajudam os demógrafos a representar a distribuição etária com percentagens – que diminuem a cada faixa etária. Os diagramas com formas mais retangulares, como um barril, significam que o crescimento da população está a diminuir, e que o tamanho da população é mais ou menos uniforme em todas as faixas etárias. Os diagramas triangulares indicam que a população é jovem e está a crescer.

Alterações sociais
Os países mais desenvolvidos têm pelo menos um século de envelhecimento: tiveram tempo para se preparar para as enormes alterações sociais. Mas os países em desenvolvimento, antes de enriquecerem, vão envelhecer, explica Kaneda. Muitos dos países da América Latina e da Ásia estão a envelhecer muito mais depressa e têm menos tempo – e recursos – para preparar os seus sistemas de reforma e de saúde.

Quais são as consequências de uma população global mais velha? Cuidar dos idosos é mais dispendioso do que cuidar das crianças. Este fator levanta questões sobre a forma como fornecemos cuidados a longo prazo, estruturamos os sistemas de reforma e mantemos uma força laboral. Em regiões desenvolvidas como a Europa, onde 10% da população com mais de 50 anos não tem filhos, cuidar dos idosos é uma preocupação enorme.

FONTE: NAÇÕES UNIDAS

A tendência de envelhecimento é mais prevalente no Japão, na Europa, na América do Norte e em outros países desenvolvidos. Apesar da geração baby boom dos EUA ter atingido os 65 anos em 2011, o país é bastante jovem quando comparado com outros países desenvolvidos, em parte devido à taxa de fertilidade acima da média da sua população de imigrantes.

"Nenhum país conseguiu reverter as tendências no declínio da fertilidade, embora tenham sido feitos apelos governamentais para as pessoas terem filhos, como tem acontecido por toda a Europa e no Japão", disse Kaneda. "A tendência de envelhecimento é persistente."

As taxas de fertilidade estão próximas ou abaixo do nível de reposição em todas as regiões do mundo, exceto em África.

O desenvolvimento económico lento, o acesso limitado das mulheres à educação e o aumento da mortalidade, devido à epidemia de SIDA, mantiveram o continente africano relativamente fértil.

Ação governamental
Alguns países em desenvolvimento adotaram abordagens opostas à dos países em envelhecimento, como o Japão e a Itália, recorrendo a medidas políticas para limitar a reprodução. Na década de 1970, a China e a Índia introduziram iniciativas de planeamento familiar, mas a iniciativa da China teve mais impacto, resultando num envelhecimento mais rápido da sua população.

Mas o declínio das taxas de fertilidade também pode ter efeitos positivos, diz Kaneda. Quando as taxas de fertilidade diminuem, mas a população ainda não envelheceu, os governos podem investir mais na educação e impulsionar a economia. A Tailândia e a Coreia do Sul, quando a sua estrutura etária populacional estava nesse período gracioso, souberam aproveitar a oportunidade.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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