Harriet Tubman Arriscou Tudo Pelos Escravos Americanos. Porquê?

Conhecida por "Moisés do Seu Povo", a vida de Harriet foi marcada por uma crueldade impressionante e uma coragem suprema.quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O trabalho corajoso de Harriet Tubman e o seu ativismo fizeram dela uma das figuras históricas mais conhecidas da América.
O trabalho corajoso de Harriet Tubman e o seu ativismo fizeram dela uma das figuras históricas mais conhecidas da América.
fotografia de JIM GENSHEIMER, NAT GEO IMAGE COLLECTION

Harriet Tubman está entre as americanas mais famosas da história – uma mulher tão corajosa que procurou duas vezes a sua própria liberdade, mas fê-lo com tanta determinação que inspirou dezenas de escravos a seguir o seu exemplo. Reverenciada por algumas das mentes mais influentes da época, e com apelidos como Moisés e General, Harriet trouxe esperança a gerações de americanos, fossem escravos ou homens livres. A sua vida foi preenchida por uma crueldade avassaladora, mas também foi pautada por um sucesso inesperado.

Nascida Araminta "Minty" Ross, em Maryland, por volta de 1820, era filha de pais escravizados. Quando era criança, foi trabalhar para um proprietário de escravos chamado Edward Brodess. Quando tinha 13 anos, um supervisor atirou um peso de metal a um escravo, na tentativa de o obrigar a regressar ao trabalho. Em vez disso, acertou nela, provocando-lhe uma lesão cerebral traumática. Esta lesão deu origem a sonhos e sintomas vívidos, semelhantes aos da epilepsia no lobo temporal; estas visões foram encaradas como símbolos divinos e tornou-se profundamente religiosa.

Ainda jovem, casou-se com John Tubman e mudou de nome. John era livre, mas o seu estatuto não era suficiente para proteger a esposa, agora chamada Harriet, de uma venda arbitrária. Em 1849, Brodess tentou vendê-la, mas não conseguiu encontrar comprador devido ao seu estado de saúde. Quando Brodess morreu, Harriet temia que a sua família pudesse ser separada. E tentou fugir pela primeira vez, juntamente com os seus irmãos. A tentativa falhou quando os irmãos se arrependeram e regressaram à casa de Brodess. Pouco tempo depois, Harriet decidiu fugir sozinha.

Uma ilustração de Harriet Tubman, armada com o seu revólver, a levar escravos, agora livres, para o Canadá.
Uma ilustração de Harriet Tubman, armada com o seu revólver, a levar escravos, agora livres, para o Canadá.
fotografia de JERRY PINKNEY, NAT GEO IMAGE COLLECTION (ILUSTRAÇÃO)

Com a ajuda da Underground Railroad (uma rede de rotas clandestinas usada na fuga de escravos) conseguiu sair de Maryland em direção à Pensilvânia. Quando fugiu da escravatura, tentou ajudar os outros membros da família a fazerem o mesmo. Harriet regressaria a Maryland 13 vezes para os resgatar. Ao longo do caminho, informou outros escravos para os ajudar nas suas próprias fugas. Armada com um revólver e com a sua fé, conduziu cerca de 70 escravos à liberdade.

Analfabeta e sem uma escolaridade formal, Harriet usou as experiências que viveu durante a escravatura para ajudar a causa abolicionista. E também conheceu e criou laços de amizade com abolicionistas e intelectuais proeminentes, brancos e negros, e transformou esses laços de solidariedade em apoios financeiros para a sua causa. Conhecida como a guia mais famosa da Underground Railroad, ficou com o apelido de Moisés, uma referência à figura bíblica que conduziu o seu povo à liberdade. Durante a Guerra Civil, Harriet ajudou os escravos vindos dos campos da União, e trabalhou como enfermeira no Exército da União, para além de ter sido batedora e espiã. Em 1863, liderou uma expedição armada até ao território Confederado.

Depois de a Guerra Civil ter terminado, Harriet continuou o seu ativismo, agitando o sufrágio feminino e defendendo os americanos negros recém-libertados. Apesar de não ter dinheiro e com os problemas de saúde a agravarem-se durante os seus últimos anos, nunca interrompeu esta advocacia. Em 1896, comprou uma propriedade de 10 hectares no norte de Nova Iorque, que mais tarde se tornou na Casa Tubman para Negros Idosos e Indigentes. Harriet faleceu na sua propriedade em 1913.

Aos 74 anos, Harriet Tubman comprou uma propriedade em Auburn, Nova Iorque, na esperança de a transformar em lar para pobres e idosos. Com a ajuda da Igreja Metodista Episcopal Africana de Sião, a Casa Tubman para Negros Idosos e Indigentes foi inaugurada em 1908.
Aos 74 anos, Harriet Tubman comprou uma propriedade em Auburn, Nova Iorque, na esperança de a transformar em lar para pobres e idosos. Com a ajuda da Igreja Metodista Episcopal Africana de Sião, a Casa Tubman para Negros Idosos e Indigentes foi inaugurada em 1908.
fotografia de Ira Block, Nat Geo Image Collection

Grande parte da história de Harriet Tubman continua envolta em mistério, mas esta mulher continua a ser reverenciada pela coragem que, não só a ajudou a fugir, mas também a escapar da captura iminente enquanto ajudava os outros. Durante algum tempo, equacionou-se a substituição do rosto de Andrew Jackson, nas notas de 20 dólares, pelo rosto de Harriet. Estes planos estão suspensos, travados por uma mudança de administração e pelos supostos desafios técnicos. Harriet Tubman pode nunca vir a receber esta homenagem simbólica, mas continua a ser uma das figuras mais emblemáticas da história norte-americana.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Continuar a Ler