Bayingyis: a Marca dos Portugueses na Antiga Birmânia

Conheça o povo de características europeias, descendentes dos aventureiros portugueses.

Tuesday, January 7, 2020,
Por National Geographic
População de Myanmar (ex-Birmânia).
População de Myanmar (ex-Birmânia).
Fotografia de Myanmar National Portal

Descendentes de soldados portugueses que na época de seiscentos lutaram nos reinos da antiga Birmânia, surge a comunidade Bayingyi, fixa atualmente no norte do país.

Comunidade luso-descendente de Myanmar
A palavra Bayingyi é derivada da expressão árabe “fheringi”, que designava uma qualquer pessoa europeia.

Ainda hoje os Bayingyis preservam os seus traços ocidentais e características como os seus olhos verdes ou azuis, a pele mais clara, narizes proeminentes e corpos mais peludos que os comuns birmaneses. São a mais antiga comunidade católica de Myanmar e perfazem pouco mais de meio milhão de pessoas num país predominantemente budista.

O catolicismo é outra característica que os distingue do restante povo birmanês. É uma característica de identidade acrescida às suas óbvias feições ocidentais. Segundo consta, os Bayingyis são um povo orgulhoso da sua ascendência lusitana.

A marca de Portugal na ex-Birmânia
Desde o início da expansão ultramarina no oriente, Portugal regista alguns episódios na história que relatam exploradores portugueses, destemidos e aventureiros que partiram à descoberta do mundo. Quando mais exploravam, mais ficavam maravilhados com novas paisagens, novas gentes e novos costumes e tradições.

Foram deixadas heranças em várias aldeias do interior da Birmânia, entre vários soldados exploradores, destacam-se nesta zona Salvador Ribeiro de Sousa e Filipe de Brito de Nicote, que ali chegaram há quatro séculos e cuja identidade persiste ainda hoje.

Atualmente encontram-se as comunidades que mantêm vivas a alma e o sangue portugueses. Para além das características físicas, o crioulo de origem portuguesa e algumas tradições, mantêm viva a ligação aos seus antepassados. Em alguns locais, inclusive, é comum cantarem em português e a religião católica é predominante.

A religião budista está muito presente na vida da população da antiga Birmânia.
Fotografia de Myanmar National Portal

Uma presença multissecular
Situada a sul da Ásia continental e limitada ao norte e nordeste pela China, a leste por Laos, a sudeste pela Tailândia, ao sul pelo Mar de Andamão e pelo Canal do Coco, a oeste pelo Golfo de Bengala e a noroeste pelo Bangladesh e pela Índia, a oficial República da União de Myanmar, exibe marcas vivas da presença pioneira dos portugueses na Ásia.

Esta presença pioneira, originária de navegadores, mercadores, exploradores e soldados do período da expansão marítima, catalisadores dos primeiros contactos entre a Europa e o Ocidente.

As raízes plantadas desde essa altura fizeram com que ainda hoje as populações continuem a sentir-se portuguesas, mesmo sem qualquer contacto e a mais de nove mil quilómetros de distância.

Desconhece-se a dimensão certa destas populações, sendo que se estima que pode variar entre 200 pessoas por aldeia a 3 mil pessoas nas localidades maiores.

Até ao ano de 1970 o Governo não reconhecia os Bayingyis como população birmanesa, sendo considerados estrangeiros pela sua clara semelhança ao povo europeu.

O domínio português no Índico e no Pacífico durou perto de um século, sendo profundamente abalada com a chegada dos holandeses. Muitas pessoas viram-se, nessa época, deportadas ou forçadas à emigração.

Atualmente os traços físicos já não estão tão presentes, pela união do povo Bayingyi com a população fora da comunidade. Um dos motivos prende-se com o facto da população mais nova aproveitar as condições do Governo no que respeita à educação e partirem para maiores localidades. Contudo, a cultura e a religião mantêm-se fortes pilares da comunidade.

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