Dia de São Valentim: Uma Lenda Repleta de Tradição

“Amor com amor se paga” é a tradição de tratar com carinho a pessoa que se gosta. Surpreenda-se com as tradições por trás do Dia de São Valentim.

Publicado 13/02/2020, 15:04 WET, Atualizado 5/11/2020, 06:02 WET
Um casal namora num banco de um parque.
Um casal namora num banco de um parque.
Fotografia de Winfield Parks/National Geographic Creative

Há histórias de amor que nascem de brincadeiras de crianças. Há também as histórias que nascem de grandes batalhas. Outras, de paixões atrapalhadas. Em todas elas, a paga é o amor. No Dia de São Valentim, o amor exalta-se das mais diversas formas.

Entre arrancar pétalas a um malmequer, fazer figas, pedir desejos a estrelas cadentes ou fontes de água milagrosas, fazer promessas ou trocar cartas e postais de amor, estes são exemplos das tradições e rituais que se mantêm ao longo de gerações.

As origens
Dia de São Valentim, ou Dia dos Namorados, remonta à história de que um bispo, de nome Valentim, que durante o século III, lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que tinha proibido a realização de casamentos durante as guerras, acreditando que os solteiros seriam melhores combatentes e que se concentrariam mais facilmente na guerra e na vida militar.
Contra a ordem do imperador, o bispo continuou com a celebração de matrimónios. Quando a prática foi descoberta, foi preso e condenado à morte. Enquanto preso, eram vários os jovens anónimos que, em demonstração de apoio e compaixão, lhe enviavam flores e bilhetes, afirmando continuarem a acreditar no amor, explicando assim a troca de postais e cartas que se proliferou até à atualidade.

A história do amor de Valentim
Durante o seu período encarcerado, conta a lenda que o bispo se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e que, milagrosamente, lhe devolveu a visão. Antes da sua execução, Valentim escreveu uma mensagem de despedida na qual assinou como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”. O dia da sua execução tornou-se num tenebroso dia de jejum, em sua homenagem.
A associação com o amor e o romantismo chega-nos depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado.
O bispo Valentim foi considerado mártir pela Igreja Católica. A data da sua morte, 14 de fevereiro, marca também a véspera da festa anual, celebrada na Roma Antiga, em honra da deusa Juno e ao deus Pan, onde um dos rituais incidia sobre a fertilidade.

São várias as versões sobre o surgimento desta data
No século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como união do Dia dos Namorados. A data foi adotada, um século depois, nos Estados Unidos, como Saint Valentine’s Day.
Na Idade Média dizia-se, ainda, que o 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por esse motivo, os namorados desses tempos utilizavam a ocasião para deixar mensagens de amor na porta do seu amado.
A partir de 1969, a Igreja Católica decidiu não celebrar os santos cujas origens não seriam claras, sendo que, neste caso, identifica três santos diferentes como São Valentim. Mesmo retirado do calendário dos santos, o santo padroeiro dos namorados continua a ser celebrado por todo o mundo.

Namorados da era moderna
A história no seu formato mais moderno, afirma que a tradição surgiu em 1840 quando, nos Estados Unidos, Esther Howland vendeu mais de 5000 dólares em cartões do Dia dos Namorados, uma quantia elevada na época. A tradição dos cartões foi crescendo desde então até que, no século XX, se espalhou por todo o mundo.
Atualmente, o Dia de São Valentim é associado à troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. A prática das mensagens manuscritas deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em grande escala e aos presentes, como símbolo de carinho e demonstração de amor pelo outro.

Data mundialmente especial
O Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim é comemorado um pouco por todo o mundo, geralmente a 14 de fevereiro. No Brasil, a data surge a 12 de junho, no dia que antecede o dia de homenagem ao padroeiro dos casamentos, Santo António.
Neste dia é demonstrado o carinho, amor e reconhecimento entre casais. As imagens que se associam a este festejo são de corações e de cúpidos, sendo a cor predominante o vermelho e as flores magistrais, as rosas.

Postais, viagens românticas ou jantares são planos comuns atualmente para celebrar este dia.
Fotografia de Library of Congress

Tradição de São Valentim em Portugal

Cantarinha dos Namorados
Guimarães
faz por manter viva a tradição. A “cantarinha dos namorados” é feita de argila, pelas mãos dos oleiros.
Conta a tradição que quando um rapaz se dispunha a fazer o pedido de casamento oficial, primeiro oferecia à sua namorada uma cantarinha, moldada em barro. No caso de recusa, o pretendente recebia a oferta de volta ou esta era mesmo partida e desfeita.
Caso a prenda fosse aceite, passava a depender apenas da vontade dos pais da namorada, a quem ofereciam peças em ouro. A cantarinha tinha ainda a função de guardar as prendas que o novo e os pais da noiva ofereciam durante o noivado.
Atualmente as cantarinhas já não servem para pedir alguém em casamento, mas assumem-se como guardiãs de histórias de amor e, quem as oferece, fá-lo pelo simbolismo e não com o seu propósito inicial, sendo que no Dia de São Valentim a procura aumenta.

Lenços dos Namorados
Apesar de Viana do Castelo ser a localidade mais associada aos tradicionais Lenços de Namorados, esta tradição de bordados está presente significativamente por todo o Minho. Viana, Vila Verde, Telões, Guimarães e Aboim da Nóbrega são as localidades onde os Lenços de Namorados ou Lenços Marcados, bordados ou de amor, são tradição.
A chamada Arte dos Namorados é uma componente fundamental da arte e da cultural popular. Os lenços apresentam-se como a forma poética e artística utilizada pelas mulheres do Minho, em idade de casar. Eram bordados por bordadeiras de pouca alfabetização, apresentando uma língua popular de modo mais direto, com todos os pormenores ortográficos que lhes são característicos.
A rapariga minhota começava desde muito cedo a bordar. Era costume esta arte ser ensinada desde logo para que, mal entrassem na adolescência, começassem a preparar o seu enxoval.
O lenço, um quadrado de linho ou de algodão, era bordado, então, nas noites de serão, nos momentos livres ou durante o momento em que pastavam o gado. No lenço estavam expressos os sentimentos que lhes invadiam a alma.
Os lenços bordados eram utilizados ao domingo, pelas raparigas apaixonadas, na saia ou no bolso do avental. Mais tarde, cada rapariga oferecia somente ao rapaz que amava, como compromisso de amor. Este, por sua vez, passaria a utilizá-lo ao pescoço ou no bolso do casaco do fato de domingo.
No Dia de São Valentim, os mais românticos procuram as melhores quadras bordadas nos lenços para oferecer aos seus pretendentes.

Rocha dos Namorados
Ainda por Portugal, podemos falar da Rocha dos Namorados, na aldeia de São Pedro do Corval, em Reguengos de Monsaraz.
Conta a lenda que, pela altura da Páscoa, mulheres na casa dos vinte anos de idade, caminhavam em direção à Rocha dos Namorados.
De costas, as mulheres deviam atirar pequenas pedras para a rocha e, por cada pedra falhada, somava-se um ano de espera até ao seu casamento surgir. Atualmente é possível verificar a presença de pequenas pedras reunidas no topo da Rocha dos Namorados.
A rocha encontra-se ligada a rituais pagãos e ainda hoje funciona como força espiritual para a população local. O essencial da Rocha dos Namorados está relacionado a fenómenos de celebração de fecundidade e, no Dia dos Namorados, é procurado quer por solteiros quer por mulheres e homens casados.

Casal de namorados apaixonados em Chicago, Illinois (1941).
Fotografia de Library of Congress

Dia de São Valentim no Mundo

Dinamarca: tradição de enviar “gaekkebrev”, que não é nada mais que cartas com rimas espirituosas, assinadas por uma série de pontos, em que cada um corresponde a uma letra de um nome. Se o destinatário adivinhar o nome do seu pretendente, receberá um ovo de Páscoa, no Domingo de Páscoa. Se falhar, será este a oferecer o ovo ao seu admirador, que se revelará uns dias depois do Dia dos Namorados.

Ucrânia: onde poderá conhecer o Túnel do Amor, que já serviu de cenário a inúmeras fotografias. O Túnel do Amor nasceu devido à forma como os comboios moldaram as árvores ao redor das linhas do caminho de ferro, criando um túnel de um verde profundo. Reza a lenda que se um casal pedir um desejo neste local, este realizar-se-á caso o seu amor seja verdadeiro e, o cenário cinematográfico do local, leva muitos casais até si em celebração do Dia dos Namorados.

Filândia e Estónia: no 14 de fevereiro é dia de celebrar a amizade. Neste Dia dos Namorados, o amor estende-se ao círculo de amigos e é dia de demonstrar a gratidão pelos amigos que casa um tem.

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