Ruínas do Prazo: Machu Picchu de Portugal

Um local que junta a grandiosidade natural e a arqueológica remete-nos para as Ruínas do Prazo, no distrito da Guarda, a cidade mais alta de Portugal.quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Por National Geographic

As Ruínas do Prazo são conhecidas como o Machu Picchu Português. Situadas em Freixo de Numão, num recanto inesperado, encontra-se uma paisagem de cortar a respiração. Esta estação arqueológica é comparada ao Machu Picchu, no Peru, mas é claramente uma miniatura da cidade perdida dos Incas.

Onde estão localizadas as Ruínas do Prazo?
A estação arqueológica situa-se em localidade de Prazo, que pertence ao distrito da Guarda. Encontra-se a 3 km da freguesia de Freixo de Numão e do Alto da Touca, seguindo pelos caminhos dos Bons Ares e Alto de Santa Eufémia.
No perímetro urbano da freguesia de Freixo de Numão pode-se ainda visitar o Museu da Casa Grande, instalado num Solar Barroco datado da segunda metade do século XVIII, com mostras de arqueologia e etnologia. No quintal deste, é possível observar as ruínas romanas, medievais e modernas, sendo nesse local recolhidos materiais da Idade do Ferro.

A Vila Romana
As Ruínas do Prazo são dos vestígios arqueológicos mais interessantes e bem preservados de Portugal. A sua envolvência e a quantidade enorme de vestígios arqueológicos são o que levam muitos a apelidá-las de Machu Picchu português.
Além de as ruínas serem um excelente exemplar de uma Vila Romana, que remonta ao século I e ao início do século V d.C., este local foi lar de tantas outras civilizações que por aqui passaram, pelos vestígios pré-históricos dos períodos paleolítico, mesolítico e neolítico encontrados.
O local das Ruínas do Prazo mostra-nos uma multiplicidade de ocupações desde o neolítico antigo, mesmo de períodos anteriores até à idade média.
É possível observar vestígios de uma basílica paleocristã bem conservados, que no século V se apoderou do edifício senhorial e se manteve ativa até ao século XIII. Já no século XV, foi reabilitado como casa de campo; 22 sepulturas com ossadas de diferentes épocas; uma “estela antropomórfica” de grandes dimensões, podendo reportar-se ao neolítico, assim como, um grandioso Menir. Uma casa senhorial e uma zona balnear reportam para a importância da vila.
O Castelo Velho é também um imponente sítio arqueológico e serve agora de miradouro. Aqui, as campanhas sucessivas de escavação têm permitido estudar um povoado dos III e II milénios a.C., desde as Idades do Cobre e do Bronze.

Presença e vestígios românicos
Os vestígios das Ruínas do Prazo estão por toda a parte, quer em Freixo de Numão quer na sua área circundante. Em fase de estudo avançado encontram-se as vilas rústicas do Prazo, do Rumansil, do Zimbro II, da Colodreira/Escorna Bois, entre outros.
Estima-se que, no que é hoje a área urbana da freguesia de Freixo de Numão, tenha existido um importante castro, depois fortemente romanizado. A referência a deuses e deusas como Juno, Júpiter, Lares, Breaegui, Turocicis estão presentes em vários epigráficos.
O ótimo estado de conservação das Ruínas do Prazo estendem-se aos vestígios mais significativos encontrando-se, na Igreja Medieval do Prazo, vários tipos de sepulturas, remetendo para diferentes tempos e rituais distintos.
Um rico património natural junta-se a este patromónio arqueológico. A Reserva Florística da Mela, o Forno-Anta da Colodreia e as quedas de água do Pontão das Três Bocas falam por si.
Freixo de Numão é também conhecida como a terra do bom vinho, distinguido pelas Amendoeiras em Flor, não deixando espaço em aberto para argumentos que justifiquem deixar de incluir esta localidade num roteiro pelo Centro de Portugal.

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