Uma Viagem Histórica Pelos Jardins do Palácio de Cristal

Os Jardins do Palácio de Cristal mantêm-se intactos às mudanças que ocorreram no Palácio. Conheça a evolução histórica de um dos símbolos icónicos da cidade do Porto.quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Por National Geographic

No coração da cidade do Porto e com as melhores vistas panorâmicas sobre o rio Douro, encontram-se os Jardins do Palácio de Cristal. Projetados no século XIX pelo arquiteto paisagista Émille David, foram construídos a par do edifício do Palácio de Cristal, especialmente para organização de eventos diversos.

O Palácio de Cristal foi mandado demolir em 1951, para dar lugar ao Pavilhão dos Desportos, com objetivo de receber o Campeonato Mundial e Europeu de Hóquei em Patins, no ano de 1952. Entretanto, tornou-se conhecido como o Pavilhão Rosa Mota, no ano de 1991, quando a atleta portuense Rosa Mota ganhou a maratona dos Jogos Olímpicos em Seul, Coreia do Sul, no ano de 1988.

Atualmente, o edifício sofreu uma reabilitação enorme que deu lugar a um espaço para receção de concertos e espetáculos.

A chegada aos Jardins do Palácio Cristal
Na entrada mantém-se o Jardim Émile David, composto pelos lagos e as quatro estátuas, que representam cada uma das estações do ano. Os jardins dividem-se entre trilhos de terra, bosques, labirintos e miradouros estratégicos, com vistas deslumbrantes sobre o Douro.

É possível passear pelos Jardins do Palácio Cristal e deparar-se com pequenas pontes, trilhos e bancos de pedra, pequenas fontes e lagos, que espelham o reflexos das folhas das árvores circundantes.

Ao longo dos Jardins do Palácio Cristal é possível observar que todos eles foram estrategicamente pensados e desenhados, inclusive dividido por temas: o Jardim das Plantas Aromáticas, das Medicinais, o Jardim do Roseiral, das Cidades Geminadas, inaugurado em 2009 e, o Jardim dos Sentimentos, inaugurado em 2007.

Estes jardins beneficiam do património botânico e da dinâmica lúdico-cultural, acolhendo um Centro de Educação Ambiental.

É comum encontrarem-se pavões a pavonearem-se junto dos visitantes curiosos, exibindo as suas belas cores e estaturas. Em tempos, muitos outros animais residiam nos Jardins do Palácio de Cristal. No ano de 1910, existia um pequeno jardim zoológico, onde muitos outros animais como porcos, galinhas, macacos e leões residiam nos Jardins do Palácio de Cristal.

Atividades ao ar livre
Os Jardins do Palácio de Cristal foram projetados na década de 1860 e dispõem de várias mesas e bancos de pedra ao longo de todo o seu espaço envolvente, permitindo várias atividades ao ar livre. Também a pensar nos mais pequenos, dispõe de um parque infantil para as crianças. É habitual encontrar famílias a passear, amigos a relaxar e conviver à sombra das árvores, pessoas a fazer um piquenique, a ler livros ou encontrar casais simplesmente a namorar.

As Avenidas das Tílias e dos Plátanos, o bosque e o caminho envolvente, oferecem varandas sobre o Douro e sobre a cidade.

Pontualmente, os Jardins do Palácio de Cristal recebem eventos, tais como festivais, como o Porto Blues Fest, entre outros. Aos sábados costuma oferecer gratuitamente aulas de práticas como pilates, yoga e tai-chi, e a entrada nos jardins mantém-se gratuita.

Biblioteca Municipal Almeida Garrett
Esta biblioteca, que se localiza no lado direito dos Jardins do Palácio de Cristal, oferece um espaço com várias áreas multidisciplinares, com restaurante e esplanada com vista para o lago, uma galeria e um pequeno auditório.

A biblioteca municipal Almeida Garrett é pública, moderna, cujo edifício é da autoria do arquiteto José Manuel Soares.

Do Palácio de Cristal à nova Arena
Inicialmente concebido para acolher a Grande Exposição Internacional do Porto, inaugurado a 18 de setembro de 1865, pelo próprio rei D. Luís, com a presença também de D.ª Maria Pia e do princípe D. Carlos.

O projeto nasceu pelo arquiteto por Thomas Dillen Jones, por inspiração do Crystal Palace de Londres. Com 150 metros de comprimento e 72 metros de largura, dividia-se em três naves.

A exposição teve um sucesso inegualável na cidade, contando com mais de três mil expositores, provenientes de países como a França, o Reino Unido, a Alemanha, a Bélgica, o Brasil, a Espanha, a Dinamarca, a Rússia, a Holanda, a Turquia, os Estados Unidos da América e o Japão.

Os Jardins do Palácio de Cristal eram o ponto de encontro da elite portuense. Repletos de rododendros, camélias, araucárias, ginkos e faias, enchiam os olhos dos seus visitantes.

O Palácio de Cristal acolheu, ao longo dos seus anos de funcionamento, inúmeras exposições de grande interesse, tal como a Exposição Agrícola de 1903 e, a Exposição Colonial. Esta, promovida pelo Regime Salazarista, em 1934, foi a que maior impacto teve na vida da cidade, na década de 1930, atraindo milhares de visitantes.

Em 1933 o edifício e os Jardins do Palácio de Cristal foram adquiridos pela Câmara Municipal do Porto, ficando a partir dessa altura sobre a sua alçada. Durante muitos anos os jardins receberam a Feira Popular e as várias edições da Feira do Livro.

Sempre visto como um espaço de referência e de cultura, o Palácio continha o que era considerado como o maior órgão de tubos do mundo. Com ele realizavam-se vários e importantes concertos do compositor Viana da Mota ou da violoncelista Guilhermina Suggia.

A pretexto da realização do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins no Porto, o palácio foi ingloriamente destruído em 1951, dando lugar a uma nave de betão armado, denominada Pavilhão dos Desportos.

O projeto desta obra esteve a cargo do arquiteto José Carlos Loureiro e do engenheiro António dos Santos Soares. No entanto, o edifício foi demolido em menos de um ano, dada a grande contestação popular e, por esse motivo também, a designação de Palácio de Cristal sobrevive até aos dias atuais.

Antes de chegar ao Arena Super Bock – Pavilhão Rosa Mota, foi durante anos conhecido como Pavilhão Rosa Mota, em homenagem à conquista da atleta portuense. A nova mudança do nome do edifício voltou a gerar controvérsia. A cerimónia de inauguração ocorreu a 28 de outubro de 2019.

Atualmente, o edifício está dotado das infraestruturas mais modernas e das mais recentes tecnologias, com bancadas retráteis, acolhendo até 8.660 pessoas em espetáculos, 5.580 pessoas em eventos desportivos, 4.727 pessoas em congressos, e salas de apoio que totalizam mais de 1.400 lugares.

Com o interior todo renovado, o projeto manteve intacta a estrutura de betão, nomeadamente as janelas emblemáticas, que caracterizam a cúpula do edifício. Foram ainda feitas escavações para a construção de um Centro de Congressos, cujo auditório atinge a capacidade de 500 lugares.

Dos tempos áureos permanecem intactos os Jardins do Palácio de Cristal, reavivando as memórias saudosas dos portuenses por um edifício que se perdeu no tempo e na história. Permanece também a profunda ligação romântica entre a cidade do Porto e o seu rio Douro.

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