Sabe Quais São os 7 Castelos da Bandeira Portuguesa?

A bandeira portuguesa começou por ter outras cores e outro fundo, alterando consoante o regime político da época. Conheça a sua história e os sete castelos da bandeira portuguesa que detalham o símbolo nacional.

segunda-feira, 20 de abril de 2020,
Por National Geographic
O Padrão dos Descobrimentos evoca a expansão ultramarina portuguesa e simboliza a grandeza da obra do ...

O Padrão dos Descobrimentos evoca a expansão ultramarina portuguesa e simboliza a grandeza da obra do Infante D. Henrique.

Fotografia de James L. Stanfield/National Geographic Creative

A bandeira portuguesa nem sempre foi tal como a conhecemos, tal como a identificamos. Começou por ter outras cores, outro fundo, alterando consoante o regime político da época, mas mantendo a sua essência ao longo da sua cronologia.

A história da evolução da bandeira de Portugal

Entre 1143 e 1185
No reinado de D. Afonso Henriques, este teria usado um escudo de prata com uma cruz azul, tal como o seu pai, o Conde D. Henrique, durante as primeiras lutas pela Independência de Portugal.

De 1185 a 1248
As armas reais eram representadas por cinco escudetes de azul em campo de prata, dispostos em cruz. As teorias em torno dos escudetes passam por fazerem referência às cinco feridas recebidas por D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique e, outra tradição lendária, faz referência às cinco chagas de Cristo. Nesta teoria admite-se que Cristo tenha aparecido a D. Afonso Henriques, tendo recebido a promessa de proteção para o Reino de Portugal.

De 1248 a 1383
As armas do reino receberam uma bordadura de vermelho, semeada com um número indeterminado de castelos de ouro. O número de besantes dos escudetes em cinco, dispostos dois, um, dois.

De 1385 a 1481
As armas reais eram de prata, com cinco escudetes de azul. Nesta época, os escudetes passam a ser designados por quinas.

De 1481 a 1495
No reinado de D. João II foram retirados das armas reais os remares de flor-de-lis - as extremidades da cruz da Ordem de Avis - e, as quinas laterais no escudo, foram colocadas na vertical. A bordadura de vermelho manteve-se semeada de castelos de ouro, que oscilavam entre sete e 12 castelos.

De 1495 a 1557
Com o reinado de D. Manuel I e de D. João III, as armas reais passaram a estar fixadas em fundo branco.

De 1557 a 1640
As bandeiras da época tinham coroas fechadas com os cinco arcos à vista, que se conservaram até ao fim da monarquia.

De 1640 a 1834
No reinado de D. João IV, a bandeira branca com o escudo nacional, a coroa real fechada e os cinco arcos à vista, constituíram o símbolo da Restauração.

De 1816 a 1826
No reinado de D. João VI foi colocado, por detrás do escudo, uma esfera armilar de ouro em campo azul, simbolizando o reino do Brasil e, sobre ela, uma coroa real fechada. Após a morte do rei, a esfera foi retirada das armas.

De 1834 a 1910
A 18 de outubro de 1830 foi decretado que a bandeira nacional passasse a ser bipartida verticalmente em azul e branco, com as armas reais ao centro.

Desde 1910
Após a instauração do regime republicano, a bandeira passou a ser bipartida verticalmente, em duas cores fundamentais: o verde escuro e o escarlate. Ao centro, o escudo das armas nacionais, assente na esfera armilar manuelina a amarelo.

Bandeira portuguesa

Fotografia de Presidência da República Portuguesa

Entre armas e castelos
A explicação para as cores da bandeira portuguesa, tal como as conhecemos, surgem durante o período do Estado Novo. O regime nacionalista autoritário, entre 1933 e 1974, alegava que a cor verde representava a esperança e, o vermelho, a conquista e vários aspetos revolucionários da história de Portugal.

Por sua vez, a esfera armilar no interior do brasão de armas, surge em referência a um importante instrumento de navegação no mar, representando o papel dos Descobrimentos.

Os sete castelos da bandeira de Portugal, em volta das suas cinco quinas, representam as fortalezas de Estômbar, Paderne, Aljezur, Albufeira, Cacela, Sagres e Castro Marim, todas elas da região do Algarve.

O Castelo de Aljezur
É um dos mais impressionantes castelos da zona algarvia. A sua localização, numa zona proeminente à vila, privilegiou a defesa do rio de Aljezur. Passou a ser posse do rei português em 1246, após a conquista definitiva do Algarve.

A Fortaleza de Sagres
Situada na Vila do Bispo, a fortaleza oferece um panorama magnífico sobre a enseada da Mareta e o Cabo de São Vicente, onde é possível visitar-se também os vestígios da chamada Vila do Infante, anteriores às muralhas setecentistas, os restos de antigas habituações e quartéis, bem como, a antiga Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça.

Castelo de Estômbar
Situado em Lagoas, o seu período remonta à época pré-histórica. Tornou-se um porto fluvial importante nos tempos da ocupação árabe, quando o Rio Arade era navegável, e no acesso a Silves. O castelo e a povoação foram severamente danificados pelo maremoto consequente do terramoto de 1755.

Castelo de Albufeira
Teve o seu início de construção no reinado de D. Afonso III e término no ano de 1250. Dominava o povoado, no topo da escarpa rochosa da localidade, foi atingido com gravidade pelo terramoto de 1755, cujo maremoto consequente na costa arrasou praticamente tudo, permanecendo de pé apenas 27 casas da vila.

Castelo de Paderne
A sul da Via do Infante encontram-se as ruínas do castelo de Paderne, em tons avermelhados. A construção do castelo deu-se entre o fim do século XI e o início do século XII. Este é um dos mais importantes testemunhos da conjuntura militar defensiva, ante o avanço do reino português.

Cacela Velha
O núcleo arquitetónico de Cacela Velha é um dos mais importantes conjuntos patrimoniais do Algarve. À entrada da ria Formosa, Cacela encontra-se numa orla costeira algarvia, envolta num ambiente natural, paisagem humanizada e preservada.

Castelo de Castro Marim
Situado numa colina, na margem direita do Guadiana, detém um domínio visual sobre um amplo território. Edificado no reinado de D. Afonso III, no âmbito da reconquista do Algarve, conta com uma longa sequência de ocupação.
 

Agora que já sabe um pouco mais sobre os elementos que compõem o símbolo da nação portuguesa, aproveite para fazer uma visita virtual aos museus portugueses que pode visitar sem sair de casa.

 

Este artigo foi editado a 19 de maio para incluir informação heráldica mais precisa.

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