Sabe Como se Chamava a sua Cidade na Época Romana?

A invicta nem sempre foi Porto, nem a capital se chamou sempre Lisboa. Por todo o país, várias cidades tinham nomes diferentes na época romana. Sabe como se chamava a sua cidade?

Wednesday, May 6, 2020,
Por National Geographic
Cidade Romana de Tongóbriga.

Cidade Romana de Tongóbriga.

Fotografia de Turismo do Porto e Norte de Portugal

A evolução da História de Portugal conta com uma passagem pelo Império Romano, fazendo parte da província romana da Lusitânia. Muitas cidades surgiram na época romana e outras extinguiram-se. Muitas tinham nome diferente do que hoje conhecemos.

A invasão romana
Os romanos tinham como missão transformar a Península Ibérica em província de Roma. A resistência dos lusitanos durou décadas até que, com Júlio César e um exército de 15 mil homens, conseguiram, em 60 a.c. consolidar o poder de Roma sobre a Lusitânia, como era conhecido o oeste da Península.

Durante a ocupação foram edificadas estradas, pontes de pedra, viadutos e teatros. Algumas das construções da época romana perduram até aos dias de hoje, pela sua técnica perfeita.

As cidades que foram fundadas pelo império romano são Santarém (Scallabis), Évora (Ebora), Beja (Pax Julia), Braga (Bracara Augusta), Santiago do Cacém (Miróbriga), Mértola (Myrtilis Iulia) e Coimbra (Conímbriga).

Curiosidade nas expressões linguísticas
Devido à ligação de Portugal com a igreja ter influência romana e, pelos primeiros bispados que se estabeleceram em Braga e só depois em cidades como Lisboa, Évora e Faro, justifica-se a expressão que ainda hoje é utilizada para algo muito antigo: “Velho como a Sé de Braga”.

Da época romana destacam-se as diferenças dos nomes de cidades. Aqui apresentam-se as que foram fundadas pelo império e as que, consequentemente, foram surgindo ao longo do tempo:
Abrantes – Tubucci Aurantes
Alcácer do Sal – Salácia
Alenquer – Arabriga
Aljustrel – Vispasca
Aveiro – Alavarium
Beja – Pax Julia, Pax Augusta, Colonia Civitas Pacensis
Braga - Bracara Augusta
Coimbra – Aeminium
Condeixa-a-Velha / Sul de Coimbra – Conímbriga
Covilhã – Tritium
Elvas ou Evoramonte – Dipo
Évora – Ebora, Ebora Cerealis, Liberalitas Julia
Faro – Ossónoba
Guarda – Lancia Oppidana
Lamego – Lamecum
Leiria – Collippo
Lisboa – Olisipo Felicitas Iulia, Olisipo, Ulyssipolis, Felicitas Julia Olisipo, Ulisseia
Marco de Canaveses – Tongóbriga
Mértola – Myrtilis Iulia
Óbidos – Eburobrittium
Porto – Portus Cale
Póvoa de Varzim – Vila Euracini
Santarém – Scallabis
Santiago do Cacém – Miróbriga
Torres Novas – Vila Cardílio
Vila Nova de Gaia – Cale
Viseu – Verurium

Os rios também nem sempre tiveram os nomes pelo quais os conhecemos hoje. Entre outros, o Rio Douro chamava-se Rio Dórias, o Rio Vouga, Rio Vaga e o Rio Sado, Rio Calipo. A Serra da Estrela, por sua vez, chamava-se Herminius Mons.

Grandes e importantes vestígios das cidades da época romana em Portugal

Bracara Augusta
Em Braga poderá visitar as Termas Romanas do Alto da Cividade, dentro de uma área museológica. O edifício referente ao século II é composto por vários compartimentos para banhos frios e quentes, e por um local destinado à prática de exercício físico.

Junto às ruínas das termas existem também vestígios do que parece ter sido um teatro. De notar que apenas cidades importantes da época romana possuíam equipamentos como teatros.

Próximo à atual Igreja de S. Paulo existem vários vestígios do que seria uma área residencial romana privilegiada. É possível identificar várias estruturas associadas a domus, casas familiares, e uma cloaca, que drenava as águas sujas para fora da cidade.

Sob a antiga escola primária da freguesia da Sé foram descobertas ruínas de uma casa romana, que hoje se tornou um museu, a Domus da Escola Velha da Sé.

A domus terá sido edificada no século I, sofrendo alterações entre o século III e o início do século IV, quando terá sido ampliada para incluir um balneário privado e outros compartimentos.

Frigideiras do Cantinho, um dos estabelecimentos mais antigos e conceituados da cidade é hoje a Domus das Frigideiras do Cantinho. É possível encontrar estruturas da época romana, pertencentes a uma domus.

Sob o chão envidraçado deste café, pode ver-se um corredor de distribuição a outros compartimentos e os restos de um hipocausto, um sistema que serviria para aquecer a água do balneário privado da casa.

O Museu Pio XII e o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa são alguns dos museus da cidade em que é possível encontrar peças e objetos da época romana.

Braga é uma das cidades mais antigas da ocupação romana e respiram-se vestígios desta época por todo o município.

Aeminium
Aeminium, como era conhecida a cidade de Coimbra na época romana, terá sido a residência oficial dos monarcas D. Henrique e D. Teresa.

Desta cidade, com milhares de anos, restam hoje apenas vestígios. Outrora, foi um importante entreposto comercial e, posteriormente, cidade universitária.

É possível visitar o criptopórtico romano, uma fascinante galeria de túneis subterrâneos com vários arcos no topo, construídos para suportar o Fórum Romano da antiga Aeminium.

Os túneis escondem-se sobre a construção do Museu Machado de Castro, que outrora serviu um palácio de um membro do clero, durante a Idade Média. Para além das ruínas romanas é possível ver, no museu, exposições de arqueologia, joalharia, escultura, pintura e cerâmica.

As atividades do Museu apostam na divulgação da cultura portuguesa e são imperdíveis numa visita a Coimbra, para melhor conhecer as nossas origens, desde a época romana.

Felicitas Julia Olissipo
Lisboa era um porto importante da província da Lusitânia, na época romana. Por todo o valor que o Tejo lhe associava, como relevante via de comunicação, abundância do peixe, pela atividade económica no vinho e azeite transportado para todo o mundo romano, passou a ser chamada terra da felicidade.

O imperador Júlio César, nomeou-a de Felicitas Julia. Durante a época romana, quem chegava pelo Tejo, deparava-se com um imponente teatro, símbolo do poder do Império.

O teatro situava-se no local onde hoje se encontra o Castelo de São Jorge e tinha capacidade para cerca de 4000 espectadores. Era decorado com fustes e capitéis pintados, onde se exibiam peças do período clássico. Os atores das peças alegres ou dramáticas eram escravos.

Pouco sobrou do teatro após o terramoto de 1755 e as suas ruínas, descobertas durante a reconstrução da cidade em 1798, acabaram esquecidas. Apenas mais tarde, na década de sessenta, o que estava escondido veio à superfície e, através das escavações arqueológicas, foi possível recuperar esta parte da história.

Em Lisboa é possível descobrir a passagem romana através do cais, na Casa dos Bicos, mais conhecida por aqui se localizar a Fundação José Saramago, próximo do Terreiro do Paço. Por aqui os barcos ficavam atracados.

Próximo da Casa dos Bicos encontra-se um hotel, cujas obras de construção levaram a encontrar uma sala de uma domus romana, que se acredita ter pertencido a um comerciante abastado. A antiga sala, de chão em mosaico, encontra-se junto à entrada do Hotel Eurostars Museum.

Na colina do castelo, perto da Sé, encontra-se o Museu do Aljube, uma antiga prisão da época da Ditadura Militar. Na época romana, era aqui que passava uma das condutas de descarga de água. Na cave do museu é possível ter uma ideia do avanço das condições de vida da época.

Os romanos faziam uso dos banhos públicos todos os dias. Estes eram locais de higiene e de convívio, onde se conversava e se tomavam decisões políticas. É possível encontrar parte de umas antigas termas entre a zona da baixa de Lisboa e o castelo.

Num passeio pela capital é possível depararmo-nos, ainda hoje, com vários vestígios da ocupação romana. A importância de Lisboa na época romana é notória.

Outros 5 locais com vestígios da época romana a não perder:

Templo romano de Évora – no centro histórico da cidade, classificado Património Mundial pela UNESCO em 1986.

Tanques Romanos da Praia de Angeiras, Matosinhos – enterrada sob as areias da praia, localiza-se um exemplo da aquitetura industrial romana. Composto por seis conjuntos de tanques, num total de 32 exemplares, que se destinavam à salga de peixe.

Cidade Romana de Tongóbriga, Marco de Canaveses – as ruínas estão na aldeia de Santa Maria do Freixo e distribuem-se por cerca de 15 hectares de área, classificada como Monumento Nacional.

Ruínas Romanas de Tróia – com dois mil anos de história, são o maior complexo de produção de salgas de peixe conhecido no Império Romano. Classificadas como Monumento Nacional desde 1910.

Ammaia, São Salvador da Aramenha, Marvão – a Cidade de Ammaia é o mais importante vestígio da sua época, na região do norte do Alentejo.

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