13 Marcas de Automóveis Portuguesas que Marcaram a Indústria Nacional

Conhece as marcas de automóveis portuguesas que fizeram história? São 11 marcas que desenharam, fabricaram e comercializaram em Portugal. Conheça outras duas que se destacam atualmente na indústria nacional.

Friday, June 19, 2020,
Por National Geographic
O primeiro Alba foi desenhado e construído no ano de 1952, em Albergaria-a-Velha. 

O primeiro Alba foi desenhado e construído no ano de 1952, em Albergaria-a-Velha. 

Fotografia de Museu do Caramulo

Existem várias marcas de automóveis portuguesas que fizeram história na indústria nacional, distinguindo-se no meio dos reputados carros suecos, italianos, franceses e outros.

Durante o século XX, Portugal destacou-se na indústria com marcas de carros totalmente nacionais. Dessas marcas de automóveis quase nenhuma está ativa. Atualmente, surgem novos empreendedores com novas marcas no mercado, continuando a escrever a história da indústria automóvel em Portugal.


13 Marcas de automóveis portuguesas

Adamastor
A empresa portuguesa Circleroad, através da parceria entre empresários e investigadores nacionais, desenvolveu a marca de automóveis desportivos Adamastor.

A marca fabrica, desde 2012, modelos únicos à imagem de cada cliente, desenvolvendo o conceito de “alfaiataria automóvel”, que consiste na personalização muito além da comum oferta do mercado.

A denominação da marca relacionava-se com um episódio simbólico da obra “Os Lusíadas”. O gigante Adamastor é o ponto de partida para a construção deste automóvel desportivo.

O primeiro modelo da marca apenas pode ser adquirido em Portugal, nas suas instalações no norte do país. Este protótipo, de série limitada, é um desportivo de dois lugares, concebido para a pista, mas apto e homologado para a circulação em estrada.

DM
Com um motor de 1100 cm3 com 4 cilindros que produzia 65 cv. De pesagem leve, com apenas 500 kg, conseguia atingir os 170 km/h de velocidade máxima.

Foi construído no início da década de 50 por Dionísio Mateus, na Auto Federal Lda. Hoje a marca de automóveis está extinta.

Edfor
Datado de 1937, pelas mãos do portuense Eduardo Ferreirinha. Tinha um motor V8, produzido pela Ford com 3620 cm3 e 970 kg de peso total, atingia 160 km/h de velocidade máxima, o que era algo realmente impressionante para a década.

O cineasta Manoel de Oliveira, conduziu-o nas competições em que participava, antes de se tornar o mais famoso realizador de cinema português. Mais tarde, o cineasta honrou o modelo no filme “Já se fabricam automóveis em Portugal”.

O modelo de sucesso desta marca de automóveis foi o Edfor Grand Sport. Hoje a marca está extinta.

O modelo IPA 300 foi criado em Porto de Mós e apresentado no ano de 1958.

Fotografia de Museu do Caramulo

AGB IPA
O modelo IPA, limitado a cinco unidades, nasceu em Porto de Mós e foi a evolução do modelo anterior, Lusito, com base no Astra britânico.

Apresentado na Feira das Indústrias no ano de 1958, foi considerado uma revolução na indústria metalo-mecânica portuguesa por apresentar linhas arredondadas e futuristas.

Estava disponível na versão coupé de dois lugares ou na versão familiar de quatro lugares, com um motor British Anzani de dois cilindros com 300 cm3 a dois tempos e aproximadamente 15 cv.

O modelo não singrou na indústria nacional, devido à oposição do Secretário de Estado da Indústria da altura. A política industrial da época direcionava-se para a montagem de veículos de marcas europeias e americanas, em território nacional.

Felcom
Este é o carro português mais antigo de que há registo, construído entre 1933 e 1935.

O modelo resultou da junção de um Ford A, um Turcat-Méry e um Miller, a partir de automóveis que pertenceram a Eduardo Ferreirinha, que mais tarde construiu a marca de automóveis Edfor.

Este carro desportivo participou no Circuito Estoril e entrou em várias competições do Circuito da Boavista. Hoje a marca está extinta.

Marlei
Usava a base do Opel Olympia Caravan e contava com 48 cv provenientes de um motor de 1588 cm3, caixa manual de quatro velocidades e atingia os 160 km/h de velocidade máxima.

Foi construído pelo mecânico Mário Moreira Leite e apresentado na cidade do Porto. O autor era dos mecânicos mais reputados da cidade e da sua época. Hoje a marca está extinta.

MG Canelas
Construído em 1952, em Lisboa, competiu em muitas provas nacionais. Hoje a marca está extinta.

Diferenciava-se dos carros de corrida dos anos 50 pelo seu chassis tubular, construído em aço cromo-molibdénio em vez de alumínio.

Contava com 95 cv provenientes do motor de 1500 cm3, com quatro velocidades, atingindo a velocidade máxima de 195 km/h.

O modelo Alba 1500 foi o que gerou mais sucesso à marca de automóveis ALBA.

Fotografia de Museu do Caramulo

ALBA
Integralmente construído na metalúrgica Alba, em Albergaria-a-Velha entre 1952 e 1954, por António Pereira, este automóvel integrava um motor de 4 cilindros, com 1500 cm3 de capacidade e 90 cv de potência, uma caixa de quatro velocidades e atingia os 200 km/h de velocidade máxima.

O maior sucesso da marca de automóveis foi o Alba 1500 - o carro foi produzido até 1961, com o intuito de participar em competições. Para além deste modelo, destacou-se outro da marca, o Alba 1100, que contava com um motor da Fiat.

O modelo - que se estima ter sido reproduzido apenas em três unidades - foi considerado um dos mais bonitos construídos em Portugal e o seu original encontra-se em exposição no Museu do Caramulo. Hoje a marca está extinta.

Olda
A marca de automóveis Olda - acrónimo de Oliveira de Águeda - surgiu em 1954, em Águeda.

A qualidade do projeto e a excelente prestação do piloto Joaquim Correia de Oliveira e do técnico do veículo Ângelo Costa, destacaram a marca na conquista das pistas.

Utilizava tanto o chassis como o motor do Fiat 1100 de quatro cilindros, 80 cv, 1493 cm3 e caixa de quatro velocidades. Pesava 500 kg e atingia 165 km/h de velocidade máxima.

Hoje a marca está extinta.

Portaro
O Portaro foi o primeiro todo-o-terreno português. Utilizou como base original o jipe 240 4x4, da marca romena ARO. O nome resulta da junção de Portugal com ARO. Após esta parceria, o jipe entrou nas linhas de montagem da Fábrica de Máquinas Agrícolas do Tramagal, em Abrantes, em 1975.

A versão que mais vendeu foi o Portaro 250, equipado com um motor de 4 cilindros, com 71 cv e 2498 de cilindrada.

Em 1990, após 15 anos de história e a venda de quase 7 mil veículos em Portugal, com a exportação de milhares de jipes, a marca de automóveis portuguesa entrou em falência, acabando por fechar. O principal motivo foi a falta de apoio do Estado à indústria automóvel nacional.

Sado
Relembrando o atual Smart For Two, no final dos anos 70 surgiu o Sado 550. Foi lançado pelo Grupo Entreposto (GE) e colocado à venda no ano de 1982. A sua procura foi tão grande, que originou uma lista de espera para a compra.

Com um motor de dois cilindros com 547 cm3, produzia apenas 28 cv. Com 480 kg de peso total, tinha uma caixa de quatro velocidades e atingia um máximo de 110 km/h, apesar dos primeiros protótipos chegarem aos 130 km/h.

O modelo do microcarro mais popular da época custava cerca de 260 mil escudos. Hoje a marca está extinta.

UMM
A União Metalo-Mecânica (UMM) foi uma marca de automóveis portuguesa fundada no ano de 1977. Os seus motores pertenciam à marca Peugeot e a carroçaria e outros componentes eram feitos em Mem Martins.

A marca teve um grande sucesso e fabricou várias variantes do modelo, como o cabrio, uma versão com tejadilho e outra de cinco portas. Tornou-se um veículo versátil e multifuncional, de uso particular, profissional e utilitário, e de fins militares.

Da marca recorda-se ainda o Paris-Dakar dos anos 80, competição na qual o modelo teve uma prestação notável.

Após quase 40 anos de produção, devido à escassez de encomendas e à falta de apoios governamentais, a empresa não resistiu e a marca saiu do mercado nacional em 2006.

Veeco
O Veeco, idealizado por João Oliveira, professor e engenheiro mecânico, foi produzido pela VE – Veículos de Tração Elétrica, no Entroncamento. Esta surgiu como uma das marcas de automóveis portuguesas mais inovadora.

O primeiro modelo, Veeco RT, estreou-se no desporto automóvel - era o primeiro modelo desportivo elétrico nacional a participar numa competição. Trata-se de um reverse trike de três rodas, com autonomia até 400 quilómetros e a consumir cerca de 1 euro por cada 100 quilómetros.

O Veeco é um veículo elétrico 100% made in Portugal, desenvolvido em consórcio com o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), com uma série limitada a 200 veículos. Como parceiros, conta com a Fibrauto, em Vila Nova de Gaia, a NCP – Fabrico de Produtos Metálicos, em Aveiro, a Varelec, na Catalunha e, a Ert Têxtil Portugal, S.A.

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