Conhece Estas Mulheres Portuguesas? Rostos que Mudaram o País

A história de Portugal conta com muitos rostos femininos. Foram várias as mulheres portuguesas que mudaram o rumo do nosso país.

Publicado 6/07/2020, 17:52 WEST, Atualizado 5/11/2020, 05:59 WET
Arquivo da biblioteca da National Geographic na sede, em Washington.

Arquivo da biblioteca da National Geographic na sede, em Washington.

Fotografia de Taylor Mickal/National Geographic Creative

Se na música é inevitável falarmos de Amália Rodrigues, no jornalismo temos de falar de Maria Eugénia Cunhal e, no cinema, não podemos esquecer-nos de Maria Cabral.

É fundamental relembrar estas e outras mulheres que marcaram a história de Portugal, na certeza, porém, de que muitos nomes ficam por mencionar.


Fazemos referência aos nomes daquelas que viveram numa era que privilegiava o género masculino e que tiveram de enfrentar várias adversidades e barreiras sociais, para estarem presentes em alguns setores do mercado do trabalho.

10 Mulheres portuguesas que se destacaram na história:

Amália Rodrigues (1920-1999)
O nome Amália percorreu o país e o mundo. Mudou completamente o panorama musical português e colocou o Fado nos quatro cantos do planeta. Foi aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX.

Atualmente, a Rainha do Fado está sepultada no Panteão Nacional, em Lisboa. Leia mais sobre a história da sua vida.

Maria Eugénia Cunhal (1927-2015)
Geralmente conhecida como a irmã de Álvaro Cunhal, sem o destaque da sua própria história e do seu papel enquanto jornalista, escritora e militante do Partido Comunista Português.

Foi também professora e tradutora. Publicou as obras 'O Silêncio de Vidro' (1962), 'História de um Condenado à Morte' (1983), 'As Mãos e o Gesto' (2000), 'Relva Verde para Cláudio' (2003) e 'Escrita de Esferográfica' (2008). Foi autora da primeira tradução para português dos contos de Tchekov, “Os Tzibukine” (1963).

Maria Cabral (1941 – 2017)
Foi protagonista do sucesso de bilheteira 'O Cerco' (1970), de António da Cunha Telles, com o qual ganhou os prémios da Secretaria de Estado da Informação e Turismo e da Casa da Imprensa e Plateia para melhor atriz.

A Academia Portuguesa de Cinema classificava-a como o rosto e símbolo do Novo Cinema Português, vista como uma mulher luminosa, irreverente, inquieta e livre.

Carolina Beatriz Ângelo (1878 – 1911)
Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a votar. Foi um feito inédito em Portugal e, também, em toda a Europa Ocidental, visto que a política era um assunto reservado apenas aos homens.

A médica ginecologista, foi a tribunal por duas vezes para reivindicar o seu direito de voto. No dia do voto, fez-se acompanhar por dez mulheres da Associação de Propaganda Feminista, que quiseram testemunhar. Uma multidão de curiosos aguardava-as à saída do Clube Estefânia.

O seu nome ficou para sempre inscrito na história com o número de eleitor 2513. Entretanto, rapidamente mudaram a lei e passaram a excluir as mulheres do direito ao voto, mesmo num regime democrático. Foram necessários 63 anos e uma revolução para que tal voltasse a ser possível.

Carolina Beatriz Ângelo foi também a primeira mulher a realizar uma cirurgia e a defender o serviço militar obrigatório para as mulheres.

Antónia Rodrigues (1580 – data de óbito desconhecida)
Da lista das mulheres portuguesas que marcaram a história de Portugal, é importante falar da única cavaleira, durante séculos, condecorada pelo exército português.

Só tinha 12 anos e as suas formas femininas ainda não eram evidentes. Disfarçada de rapaz, fugiu da vida e da irmã que não gostava, para se alistar no exército português como soldado. As suas habilidades com a espada deram-lhe honras como oficial-cavaleiro.

Revelou o seu segredo depois de se apaixonar por um colega de armas, o qual viria a tornar-se seu marido. Foi pelo engano que conquistou o seu lugar na história, mas as suas capacidades e bravura mereceram-lhe o reconhecimento de mérito.

Maria de Lourdes Braga de Sá Teixeira (1907 – 1984)
Habitualmente conhecida por Milú, foi a única mulher em Portugal autorizada a pilotar um avião em duas décadas.

Implorou ao seu pai que a deixasse tirar o brevete de piloto. Tendo este recusado, por não se tratar de um lugar para alguém com o seu estatuto social, Milú chegou a fazer greve de fome, até que o seu pai acabou por ceder ao seu pedido.

A notícia espalhou-se por toda a comunicação. Adelaide Cabete e o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas apoiaram Milú e organizaram uma angariação de fundos para lhe comprar um avião.

Ficou conhecida como um ícone feminista, aviadora e sonhadora intrépida. Foram precisos mais de 19 anos para que outra mulher obtivesse autorização para pilotar um avião, neste caso, Maria Ghira. Só 65 anos depois foram atribuídas as primeiras asas de piloto militar a uma mulher em Portugal, Paula Costa.

Isabel Rilvas (1935 – )
Foi impulsionadora das Enfermeiras Paraquedistas. Vista como intrépida e determinada, foi a primeira mulher piloto-acrobata, primeira mulher paraquedista civil e primeira piloto, entre homens e mulheres, de balões de ar quente da Península Ibérica.

Marcou a história das mulheres portuguesas quando, em 1961, formou as enfermeiras paraquedistas portuguesas, conhecidas então como “As Seis Marias”, ajudando muitos soldados destacados para a Guerra Colonial.

Isabel foi ainda condecorada pela Força Aérea Portuguesa, no ano de 2014, com a Medalha de Mérito Aeronáutico de 1.ª classe.

Manuela de Azevedo (1911 – 2017)
Um dos seus trabalhos mais marcantes foi uma entrevista de última hora a Ernest Hemingway, um escritor incontornável do século XX, no ano de 1945. No ano seguinte, disfarçou-se de criada para enganar os guardas da PIDE e entrevistar Humberto II de Itália, então exilado em Portugal.

Manuela, que também foi professora de Português e Francês, foi a primeira mulher portuguesa a adotar o jornalismo como profissão. Foi chefe de redação da revista Vida Mundial e passou pelo Diário Ilustrado, antes do terminar no Diário de Notícias. Viveu até aos 105 anos, numa vida repleta de histórias.

Maria de Jesus Barroso (1925 – 2015)
Era atriz e militante do Partido Socialista. Assumia que uma mulher não está atrás de um grande homem, mas sim ao seu lado. Maria de Jesus era o suporte da família de Mário Soares.

Trabalhou no Teatro D. Maria II e, em simultâneo, estudava. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras.

Amadureceu a sua consciência política e participou da exaltação aos Aliados, pelo fim da II Guerra Mundial, em 1945.

A musa dos poetas neorrealistas, sempre antifascista, morreu na capital lisboeta.

Maria Eugénia Varela Gomes (1925 – 2016)
Foi presa pela PIDE e enviada para Caxias. Esteve na frente da luta antifascista, reconhecida como determinada, corajosa, honesta, fiel a si própria e aos amigos e, coerente com as suas causas.

Esta mulher portuguesa foi um exemplo na Resistência, enquanto o seu marido João Varela Gomes fora gravemente ferido, num assalto ao quartel militar, por suspeitas do seu envolvimento, que negou até ao último dia.

Maria Eugénia foi uma figura marcante na luta antifascista e na ajuda aos presos políticos, demasiado livre para pertencer a um partido.

 

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