A Longa História da América de Discriminação dos Seus Cidadãos Asiáticos

Quando os líderes norte-americanos dizem que a COVID-19 é um “vírus da China”, trata-se de uma atitude que remete para décadas de discriminação aprovada pelo estado contra asiáticos-americanos.

Monday, September 14, 2020,
Por Nina Strochlic
Danny Satow com o seu avô, Eisaku “Ace” Hiromura, que serviu numa unidade de combate nipo-americana ...

Danny Satow com o seu avô, Eisaku “Ace” Hiromura, que serviu numa unidade de combate nipo-americana na Segunda Guerra Mundial, e a sua avó, Haruka “Alice” Kikuchi, que passou a guerra detida em campos de concentração para japoneses na Califórnia. Danny, médica assistente no estado de Washington, estava a caminhar para casa em abril quando alguém lhe atirou uma garrafa de água cheia e a insultou com afirmações racistas. A pandemia de coronavírus colocou a nu o racismo contra os asiáticos na América, racismo que perdura até hoje.

Fotografia de KILIII YUYAN, NATIONAL GEOGRAPHIC

Danny Satow estava a regressar a casa depois de um passeio pelo seu bairro em Federal Way, um subúrbio a sul de Seattle, quando um objeto pesado lhe bateu no peito. Um carro passou a alta velocidade e uma voz gritou um insulto racial contra o povo chinês. O carro desapareceu na agitação do tráfego e Danny baixou-se para apanhar a garrafa de água que a atingira. A sua clavícula doía, mas ela disse a si própria que não importava, ela estava bem. Danny ficou parada no passeio e tentou canalizar os ensinamentos da sua avó.

Tendo crescido em Nova Iorque, Danny raramente sentiu intolerância devido à sua herança japonesa. Mas na casa que dividia com os avós em Brooklyn, o passado tomava conta da sua imaginação. O seu avô, Eisaku “Ace” Hiromura, raramente falava das suas experiências na Segunda Guerra Mundial, mas as medalhas penduradas na parede falavam de um combate ao serviço do 442º Regimento de Infantaria, uma unidade muito condecorada de nipo-americanos de segunda geração. A sua avó, Haruka “Alice” Kikuchi, deliciava Danny com histórias sobre quando tinha 20 anos e ia aos bailes no Hipódromo Tanforan, na Califórnia, onde ela e quase 7800 outros nipo-americanos foram detidos pelo governo dos EUA. Alice e os seus sete irmãos dormiam em berços nos estábulos.


A sua detenção, dizia ela à neta, foi um erro. Mas ela não sentia amargura. Precisamos de fazer melhor, dizia Alice.

Assim, quando a garrafa de água lhe bateu no peito e o insulto foi verbalizado, Danny, médica assistente de 33 anos, pensou no otimismo e no equilíbrio que a sua avó manteve ao longo dos seus 101 anos – e ainda continua viva. Danny continuou a caminhar. Ela estava a quatro quarteirões de casa, mas começou a chorar antes de chegar ao fim da rua.

UMA BREVE CRONOLOGIA DO RACISMO CONTRA OS ASIÁTICOS NA AMÉRICA

Nos meses que se seguiram ao início da pandemia de coronavírus, milhares de asiáticos nos EUA tornaram-se alvo de assédio e agressão. Os incidentes racistas começaram quando os primeiros casos de coronavírus se propagaram pela China, em dezembro do ano passado, e a desinformação reinava. Conforme as infeções surgiam nos EUA, o presidente Trump referia-se repetidamente à COVID-19 como o “vírus da China” e “gripe chinesa”, e defendeu uma teoria, que entretanto foi desacreditada, de que o vírus tinha origem num laboratório chinês. Em abril, uma sondagem do IPSOS descobriu que três em cada dez americanos culpavam a China ou os chineses pelo vírus.

Para os asiáticos na América, há agora uma nova tensão no seu quotidiano. Empresas e propriedades asiáticas são vandalizadas com grafítis racistas. Indivíduos aleatórios são agredidos fisicamente, assediados verbalmente e acossados por todo o país. Não existe uma contagem oficial sobre quantos incidentes ocorreram, mas no final de março, Judy Chu, congressista da Califórnia, estimava que diariamente eram cometidos 100 crimes de ódio contra americanos de origem asiática.

Este receio não é novo. Nos últimos 150 anos, os Estados Unidos decretaram leis e políticas nacionais discriminatórias contra grupos étnicos, desde a Lei de Exclusão dos Chineses à detenção de japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Historiadores e ativistas temem que a retórica política e o assédio da atualidade espelhem os momentos da história dos Estados Unidos em que o racismo era aprovado pelo estado.

GUERRA DE DESINFORMAÇÃO
Em meados de fevereiro, quando só havia apenas um caso confirmado de coronavírus em Los Angeles, um estudante de 16 anos foi acusado por outro aluno de trazer o vírus da China para a sua escola. Quando ele respondeu que não era chinês, o seu colega esmurrou-o mais de 20 vezes na cara. O rapaz acabou na sala de urgências do hospital.

Manjusha Kulkarni, diretora executiva do Conselho de Planeamento e Política Pacífico Asiática (A3PCON), uma coligação de organizações que representa 1.5 milhões de asiáticos-americanos e habitantes do Pacífico no condado de Los Angeles, tem um profundo conhecimento sobre o racismo contra asiáticos na América. E mesmo assim ficou surpreendida. Em comparação com os afro-americanos e latino-americanos, os asiáticos enfrentam menos racismo violento de forma explícita, diz Manjusha. (Na verdade, o estereótipo de “minoria modelo” coloca muitas vezes os asiáticos-americanos em rota de colisão com outras minorias.) Para além disso, este evento aconteceu numa escola. E o vírus ainda não tinha atingido Los Angeles.

“Portanto, o que quer isto dizer sobre a propagação do racismo?” pergunta Manjusha. “Na verdade, o racismo propaga-se muito mais depressa do que a doença.”

À medida que os incidentes de assédio contra asiáticos aumentavam, a A3PCON pediu ao procurador-geral da Califórnia para fazer uma recolha de dados. Este pedido foi recusado, pelo que a organização criou o seu próprio canal de denúncias. A 19 de março, duas semanas depois do seu lançamento, o rastreador Stop AAPI Hate já tinha recebido quase 700 denúncias. Pessoas de todo o país descreveram casos em que eram cuspidas nos supermercados, assediadas enquanto faziam exercício e insultadas por todo o lado. (Em agosto, o número de incidentes já ultrapassava os 2600.)

Seria um erro encarar estes incidentes como casos isolados. “Existe uma receita para transformar as sementes do ódio em políticas nacionais de exclusão”, diz Manjusha. “Esta receita começa com uma liderança política que eleva o medo. Depois, basta juntar o apoio da comunicação social e terminar com uma cultura que perpetua os estereótipos.”

“É necessário este ecossistema completo para que isso aconteça, mas quando existem estas crenças subjacentes, a América cai facilmente nesta situação. É uma luta constante porque este racismo faz realmente parte do tecido americano”, diz Manjusha

UMA HISTÓRIA DE EXCLUSÃO
No último século e meio, através de leis e políticas nacionais, os Estados Unidos consagraram a discriminação contra grupos étnicos. Na década de 1880, o “perigo amarelo” – o receio de uma invasão asiática e o ressentimento devido à mão de obra barata vinda da China – abriu caminho para a Lei de Exclusão dos Chineses, negando aos novos imigrantes e aos que já residiam no país a obtenção de cidadania. Na viragem do século, o aumento na imigração de indianos deu lugar ao “perigo moreno”, um receio que um jornal de Washington descreveu da seguinte forma: “Hordas de hindus invadem o estado”. Em 1917, após décadas de pressão de movimentos anti-imigrantes, como o “100% Americanismo”, a Lei de Imigração interrompeu grande parte da imigração de indianos e asiáticos. Só com a Lei de Imigração de 1965 é que as diretrizes especificamente dirigidas à raça foram removidas.

Em janeiro, quando começaram a surgir mais notícias sobre a COVID-19, Karlin Chan ouviu rumores de que os habitantes de Chinatown estavam a ser assediados. Karlin decidiu começar a patrulhar as ruas do seu bairro para garantir que os moradores se sentiam seguros. Karlin falou sobre as suas patrulhas nas redes sociais e dezenas de pessoas começaram a caminhar com ele.

Fotografia de Heather Sten, National Geographic

Durante a Segunda Guerra Mundial, outra tempestade perfeita levou à detenção de japoneses: os editores de jornais como o Los Angeles Times expressaram o seu apoio a esta decisão política, enquanto que a propaganda de guerra retratava os asiáticos como matreiros e ardilosos. Uma caricatura feita por Dr. Seuss mostrava fileiras de nipo-americanos alinhados na costa oeste dos EUA para recolherem barras de TNT. “Aguardando pelo sinal vindo casa...” dizia a mensagem. No dia 19 de fevereiro de 1942, o presidente Franklin Roosevelt ordenou que mais de 120 mil nipo-americanos fossem detidos em campos de concentração.

Na década de 1980, as comunidades asiáticas na América começaram a mobilizar-se para lutarem pelos seus direitos civis. Este movimento foi desencadeado por um assassinato: em 1982, um sino-americano chamado Vincent Chin, que estava a poucos dias de se casar, foi espancado até à morte por dois homens brancos. Os homens responsabilizaram-no pelo poder da indústria automóvel japonesa numa altura em que os Estados Unidos estavam a perder empregos neste setor.

Depois dos ataques de 11 de setembro, hindus, muçulmanos e siques, muitos dos quais eram sul-asiáticos, foram alvo de inúmeros crimes motivados por vingança. Entre as primeiras vítimas estavam Balbir Singh Sodhi, dono de uma estação de serviço no Arizona, e dois sul-asiáticos, Vasudev Patel e Waqar Hasan, no Texas.

“Aconteceu a mesma coisa que estamos a ver agora”, diz Manjusha Kulkarni. “Uma retórica racista usada por figuras políticas, que depois se traduz em políticas extremamente problemáticas.”

Atualmente, a administração de Trump continua a culpabilizar a China pelo vírus. Um memorando de 57 páginas do Comité Nacional Republicano incluía um ponto de debate para os políticos argumentarem que chamar “vírus chinês” à COVID-19 não era racista. Em julho, Trump afirmou que o governo chinês era “completamente responsável pela ocultação e libertação do vírus no mundo”. A Organização Mundial de Saúde alerta que não se deve associar doenças a locais específicos, para evitar a estigmatização e eventuais repercussões.

Esta culpa, diz Manjusha, já está enraizada na mente de muitos americanos. E acrescenta: “Se o racismo não estivesse já a fervilhar, como é que o Stop AAPI Hate recolheu tantas denúncias de violência e assédio nas primeiras semanas da pandemia?”

A grande maioria dos incidentes denunciados não são crimes de ódio, pelo que é pouco provável que cheguem a tribunal. A única forma de os combater é através da educação e políticas públicas.

“Quando temos alguns destes componentes enraizados no solo, será que os conseguimos remover por completo?” pergunta Manjusha. “Não. Temos de cultivar constantemente a terra. Temos de cultivar constantemente algo melhor.”

A NOVA PATRULHA DE BAIRRO
Três vezes por semana, às duas da tarde, um pequeno grupo de pessoas com camisas cor de laranja que têm a hashtag “#Chinatownblockwatch” reúne-se no cruzamento entre Mott e Bayard, no coração da Chinatown de Manhattan. Os voluntários, que vêm de lugares distantes como Queens e Brooklyn, passam duas horas a patrulhar as ruas repletas de padarias e lojas chinesas, demonstrando a sua presença.

A mensagem que passam é simples: Estamos vigilantes.

Em janeiro, quando começaram a surgir notícias sobre a COVID-19, Karlin Chan ouviu rumores de que os moradores de Chinatown estavam a ser assediados. Karlin, ativista a tempo inteiro e defensor de vítimas de crime, cresceu em Nova Iorque e conhece bem as ruas da cidade. “Eu tenho uma política muito rigorosa de que nos devemos manter firmes”, diz Karlin, que começou a patrulhar as ruas, fez publicações nas redes sociais sobre o que estava a fazer e alguns amigos juntaram-se a ele. Depois, dezenas de pessoas começaram a aparecer.

Karlin acredita que os incidentes de assédio são mais comuns do que os denunciados, sobretudo depois de ter começado a observar os relatórios de crimes de ódio na cidade há alguns anos. “Os imigrantes muitas vezes não sabem como denunciar um crime, ou têm dificuldades com a barreira linguística. E alguns preferem passar despercebidos pelas autoridades.” Karlin diz que faz um pouco de tudo: encoraja as pessoas a denunciarem os casos à polícia, escolta-as até à esquadra e verifica os incidentes que não foram denunciados. “Se estes casos não forem documentados, não há recursos nem a motivação para lidar com o racismo.”

“Existe desde sempre uma exclusão sistémica, oficial e não oficial, dos chineses, e esta pandemia reacendeu de novo o debate. Quando precisam de culpar alguém, culpam os chineses.”

“Somos aceitáveis”, acrescenta Karlin. “Mas nunca fomos realmente aceites.”

Os voluntários de Karlin, com as suas camisolas cor de laranja, fazem lembrar os tempos em que vizinhos tinham de zelar uns pelos outros. Na década de 1980, os “Anjos da Guarda”, grupos de vigilantes contra o crime, patrulhavam o metro e os bairros mais problemáticos de Nova Iorque. Karlin Chan quer continuar a fazer as suas patrulhas e tem planos para que isto se torne numa atividade permanente em Chinatown.

Três vezes por semana, nova-iorquinos reúnem-se em Chinatown para se juntarem à patrulha Chinatown Block Watch. Por todo o país, devido à pandemia, as Chinatowns têm sentido os efeitos das atitudes anti-asiáticas. Os incidentes de vandalismo e assédio tornaram-se comuns. A Chinatown Block Watch faz lembrar outros tempos em que cidadãos nova-iorquinos tiveram de zelar pela sua própria segurança.

Fotografia de Heather Sten, National Geographic

“Quando começarmos a perceber os impactos económicos [da COVID], é aí que vamos ver mais assédios”, diz Karlin. “A frustração vai transformar-se em raiva, e essa raiva vai ser dirigida contra nós.”

UMA HISTÓRIA CONDENADA A REPETIR-SE
A América tem sido lenta a reconhecer a sua história anti-asiática. Em 1988, o presidente Ronald Reagan pediu desculpa e pagou indemnizações aos sobreviventes japoneses dos campos de concentração. A decisão do Supremo Tribunal que permitiu estas detenções foi anulada em 2018 e, no início deste ano, a Califórnia pediu desculpa pelo papel que teve nesses eventos. Em 2011, o Senado dos EUA pediu formalmente desculpa pela Lei de Exclusão dos Chineses e a Câmara dos Representantes seguiu o exemplo no ano seguinte.

Mas a história completa raramente faz parte da educação nas escolas públicas. “Parte do problema”, diz Adrian De Leon, professor assistente de Estudos Americanos e Etnicidade na Universidade do Sul da Califórnia, “são as pessoas que dizem que uma coisa destas nunca poderia acontecer na América. Todos os outros – cujas comunidades passaram por isto – conseguem imaginar isso a acontecer. Essa é a ignorância histórica fabricada que permite que este nativismo, racismo e violência contemporânea perdurem.”

Na postura política atual, Adrian identifica um estereótipo racista que remonta a cem anos atrás. Antes da Lei de Exclusão dos Chineses, os jornais e os políticos referiam as más condições de saneamento nos bairros chineses e descreviam com insultos os novos imigrantes que inundavam as cidades americanas. Estes pontos de vista foram adotados para justificar a exclusão, embora as condições de vida nos bairros de imigrantes se devessem mais à falta de serviços governamentais. “Os ativistas nativos brancos atribuíam essa sujidade aos corpos dos chineses e diziam que era uma ameaça à nação”, diz Adrian.

“As políticas de exclusão e a violência estão muitas vezes enraizadas na ameaça de um império global rival.” Antes da Segunda Guerra Mundial, os EUA viram os seus interesses no Pacífico em risco. Adrian diz que, “politicamente, a forma como os EUA consideravam uma superpotência asiática em ascensão como uma ameaça era refletida nas pessoas que tinham essa genealogia étnica”.

“Os eventos atuais seguem um quadro perturbadoramente familiar.”

“A história serve para aprendermos com os erros do passado. Mas, de uma forma distorcida e perversa, o que vemos é que os EUA continuam a repetir os mesmos processos históricos que se desenvolveram ao longo dos séculos XIX e XX.”

REJEITADOS PELO SEU PAÍS
Em Federal Way, Washington, Danny Satow não saiu de casa durante duas semanas.

“Eu senti-me muito envergonhada por estar a chorar e a fugir para casa, porque a minha experiência não foi nada em comparação com as experiências dos meus avós”, diz Danny. “Eu senti que devia ter superado isto e permanecer forte, em vez de desmoronar.”

Os seus amigos perguntaram-lhe se ela tinha anotado a matrícula do carro, mas Danny não teve tempo para o fazer. Os amigos, que também se identificam como asiáticos, disseram-lhe que estavam “apavorados”. “Eles têm medo de sair de casa e de ir trabalhar”, diz Danny. Os olhares de desprezo e os comentários desapropriados que normalmente seriam ignorados parecem agora mais ameaçadores. Danny não queria falar mais sobre o assunto, mas os amigos incentivaram-na a publicar a sua experiência no Facebook. Com a identificação “a sentir-se preocupada”, Danny descreveu o incidente e depois escreveu: “Defendam os que estão a ser visados online e pessoalmente. Pode ser difícil agir quando estamos a ser atacados. Ajudem-nos a ficar todos em segurança.” Danny também denunciou o incidente ao Stop AAPI Hate.

Antes da pandemia, Danny visitava os seus avós numa casa de repouso em Vancouver, Washington, a cada duas semanas. Mas o estado estava em confinamento. O incidente aconteceu durante a Páscoa – no aniversário do seu avô. Danny não sabia se lhes devia contar. Será que isso os perturbaria? Será que iria parecer insignificante em comparação com as suas provações de guerra? Danny acabou finalmente por decidir que não ia mencionar o assunto

A sua família já vive na América há quatro gerações. Três cresceram como americanos. Passaram quase 80 anos desde que os seus avós lutaram para serem aceites por um país que os punia pelas suas origens. Danny pensou no seu avô a sair de casa em Portland, no Oregon, para ir combater na guerra pelos Estados Unidos, enquanto a sua família inteira era levada para campos de concentração. “Eles consideravam-se americanos”, diz Danny. “Mas estavam a lutar ao lado de pessoas que olhavam para eles como se fossem o inimigo.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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