As Eleições nos EUA Terminaram. Veja as Fotografias da Reação de Uma América Dividida.

Enquanto Joe Biden e Kamala Harris venciam as eleições presidenciais de 2020, o país celebrava e protestava os resultados.

Publicado 10/11/2020, 16:52 WET
Um abraço que a nação precisa. Nos degraus do Capitólio do Estado de Michigan, em Lansing, ...

Um abraço que a nação precisa. Nos degraus do Capitólio do Estado de Michigan, em Lansing, no meio de um forte debate sobre a contagem de votos ainda em andamento, Kevin Skinner, um apoiante de Trump, tem um momento de conciliação com um membro do movimento Black Lives Matter que se autodenomina Marvin F.

Fotografia de David Guttenfelder, National Geographic

Em todo o país, as pessoas irromperam numa comemoração espontânea no sábado, quando Joe Biden garantiu votos suficientes para ser declarado o 46º presidente. Estimuladas com o anúncio da sua vitória, declarada por várias organizações noticiosas na manhã de sábado, quando o colégio eleitoral de Biden ultrapassou os 270 votos necessários para vencer, milhares de pessoas saíram à rua para dançar, buzinar e bater em frigideiras e panelas.

Estas celebrações espontâneas tinham como objetivo inaugurar uma nova era de liderança política na América. Em Washington D.C., milhares de pessoas reuniram-se ao longo da Black Lives Matter Plaza, perto da Casa Branca, onde manifestantes pacíficos foram recebidos com gás lacrimogéneo no início do verão. Agora, cinco meses depois, as pessoas abriram garrafas de champanhe, acenaram cartazes que diziam “Estás despedido!”, e entoaram canções clássicas americanas em uníssono. “Doce Caroline, os bons momentos nunca pareceram tão bons!”, ecoaram as suas vozes.

Estas cenas de celebração continuaram em Filadélfia, Detroit, Milwaukee e Atlanta, cidades que ajudaram a impulsionar Biden e a sua companheira na corrida à presidência, a senadora Kamala Harris, até à vitória.

Mas o cenário era mais sombrio em alguns dos estados decisivos onde os votos ainda estavam a ser contados no sábado. Muitos apoiantes do presidente Donald Trump, incluindo o próprio presidente, não estavam prontos para aceitar a derrota nas eleições. Em vez disso, milhares de pessoas reuniram-se em frente aos edifícios dos capitólios estaduais por todos o país para protestar contra o que eles e o presidente afirmaram ser um processo eleitoral fraudulento. Em Lansing, no Michigan, manifestantes de ambos os lados – alguns armados e outros vestidos com uniformes coloniais – discutiram em frente ao edifício do capitólio sobre os resultados das eleições.

Com mais de 74 milhões de votos a seu favor, o presidente eleito Joe Biden recebeu mais votos do que qualquer outro candidato presidencial na história dos EUA. Durante a semana passada, os nossos fotógrafos documentaram a participação dos americanos nesta eleição sem precedentes.

Esquerda: Aisha Anderson-Oberman descansa com o seu filho de 13 anos, Gyasi Anderson-Oberman, no dia 7 de novembro em Filadélfia, na Pensilvânia, após os órgãos de comunicação social terem anunciado que Biden tinha vencido as eleições. “Estou a sentir-me entusiasmada, feliz e pronta para trabalhar”, disse Aisha. “Enquanto mãe de jovens negros, não devia ficar preocupada quando os meus filhos saem à rua. Eu não costumava ficar preocupada – mas nos últimos quatro anos estive sempre preocupada e espero que as pessoas não pensem que isto é um comprimido mágico: o racismo, o sexismo e a homofobia não vão desaparecer só porque ganharam.”
Direita: Ceniya Hughston-Graham, de 12 anos, fotografa a celebração em Filadélfia, na Pensilvânia. Depois de uma semana agitada, apoiantes de Biden reuniram-se no Independence Hall, onde a Constituição e a Declaração de Independência dos EUA foram escritas, para celebrar.

Fotografia de NATALIE KEYSSAR, NATIONAL GEOGRAPHIC

Apoiantes de Trump reúnem-se em frente ao Capitólio do Estado de Michigan, em Lansing, para protestar contra os resultados das eleições presidenciais.

Fotografia de David Guttenfelder, National Geographic

Cooper Sherwin e Joan Taylor, que fizeram campanha por Joe Biden na Pensilvânia, beijam-se enquanto Cooper segura numa cópia emoldurada da Declaração de Independência dos EUA. No dia 7 de novembro, a Associated Press e outras redes de notícias informaram que Biden tinha vencido neste estado, tornando-o no próximo presidente dos EUA.

Fotografia de Natalie Keyssar, National Geographic

Quatro dias depois do dia das eleições, manifestantes na Black Lives Matter Plaza, em Washington D.C., reagem à eleição presidencial de Joseph R. Biden, Jr.

Fotografia de Jared Soares, National Geographic

Esquerda: Brigitte Bidet em Freedom Park, no bairro Five Points de Atlanta, na Georgia, onde os habitantes saíram à rua para celebrar a vitória de Biden. “Este é o sul que eu mais quero ver”, disse Brigitte. A Georgia foi um dos estados contestados nas eleições. Embora tudo se esteja a encaminhar para uma recontagem, a vantagem de Biden é suficientemente grande para não alterar os resultados.
Direita: Vestígios da celebração da vitória de Biden na Black Lives Matter Plaza, em Washington D.C., no sábado dia 7 de novembro de 2020.

Fotografia de CHRISTOPHER GREGORY-RIVERA, NATIONAL GEOGRAPHIC (ESQUERDA) E JARED SOARES, NATIONAL GEOGRAPHIC (DIREITA)

Nos degraus do Capitólio do Estado de Michigan, em Lansing, os apoiantes de Trump gritaram com os apoiantes de Biden enquanto os dois grupos se manifestavam contra e a favor dos resultados das eleições presidenciais.

Fotografia de David Guttenfelder, National Geographic

Na noite das eleições, os democratas realizaram uma pequena festa de vigia no Rodano’s Bar, no centro de Wilkes-Barre, na Pensilvânia. Enquanto os participantes verificavam os seus telemóveis para acompanharem os resultados, ficou claro que a corrida presidencial seria muito disputada e que os resultados não seriam conhecidos de imediato.

Fotografia de NATALIE KEYSSAR, NATIONAL GEOGRAPHIC

Esquerda: Funcionários do condado de Fulton contavam boletins de voto na manhã de quinta-feira, na State Farm Arena em Atlanta, na Georgia. O condado de Fulton inclui a maior parte de Atlanta, e os últimos 140.000 votos pelo correio provavelmente teriam um grande impacto sobre o candidato que venceria este estado – e possivelmente as eleições.
Direita: Vince Blaser, com o seu filho Shail de quatro anos ao colo, num comício organizado pela People’s Watch Party na McPherson Square, em Washington D.C., no dia 4 de novembro. “Acho que é bastante simples”, disse Vince. “As normas democráticas são encaradas como um dado adquirido e quero certificar-me de que são respeitadas e que esta votação é meticulosa.”

Fotografia de CHRISTOPHER GREGORY-RIVERA, NATIONAL GEOGRAPHIC (ESQUERDA) E GREG KAHN, NATIONAL GEOGRAPHIC (DIREITA)

Kristan Small com uma bandeira que homenageia o seu pai, Gordon Small, veterano da Guerra da Coreia que morreu no dia 8 de maio após contrair COVID-19. Kristan juntou-se a uma pequena multidão reunida nos degraus do Capitólio do Estado de Michigan, em Lansing, para exigir a continuação da contagem dos votos nas eleições presidenciais. “O meu pai morreu porque a sua enfermeira ao domicílio não tinha equipamento de proteção individual adequado”, disse Kristan. “É por essa razão que eu estou aqui esta noite. Estou aqui porque temos um presidente que afirmou ter autoridade absoluta, mas que não leu a Constituição. Sabemos que a democracia é frágil. O meu pai não teria aceite isto. O meu pai votou em todas as eleições. Espero bem que contem o meu voto.”

Fotografia de David Guttenfelder, National Geographic

Os habitantes de Atlanta saíram à rua para comemorar o anúncio da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020. A Georgia foi um dos estados de indecisão onde a contagem de votos atrasou os resultados. Espera-se que o presidente Donald J. Trump conteste estes resultados em tribunal, mas a margem é grande o suficiente para os resultados das eleições não se alterarem.

Fotografia de Christopher Gregory-Rivera, National Geographic

Esquerda: Enquanto os boletins de voto eram contados na manhã de quinta-feira, no Centro de Convenções da Pensilvânia, em Filadélfia, os apoiantes e opositores de Trump reuniram-se em duas manifestações na rua Arch. As pessoas que apoiavam a continuação da contagem, cantavam e dançavam. As que estavam contra, exibiam cartazes de protesto e exigiam que a contagem fosse interrompida. Os apoiantes de Trump foram rodeados pela polícia.
Ao final da manhã, após obterem permissão dos tribunais, a antiga procuradora-geral da Flórida, Pam Bondi, e uma delegação da campanha de Trump chegaram ao local para observarem a contagem de votos.
Direita: As manifestações de ambos os lados continuaram até quinta-feira à noite. Os manifestantes que proclamavam o seu apoio aos Proud Boys flanquearam Pam Bondi, membro da campanha de Trump, quando Pam deixou o centro e fez uma declaração contra a continuação da contagem de votos.

Fotografia de NATALIE KEYSSAR, NATIONAL GEOGRAPHIC

Zoe Bishop, 27 anos, do sul de Filadélfia, (vestida de vermelho) dançou no evento de celebração da contagem de votos. Enquanto a contagem dos votos continuava no interior do Centro de Convenções da Pensilvânia, com a vantagem de Joe Biden a começar a aumentar, o clima na rua mudou de frustração para celebração. Durante toda a tarde e noite, um quarteirão repleto de pessoas dançou e cantou para comemorar o que muitos viam como uma declaração iminente de vitória sobre Donald Trump. Do outro lado da rua, uma manifestação de apoiantes de Trump ficou reduzida ao início da noite para menos de uma dezena de pessoas.

Fotografia de Natalie Keyssar, National Geographic

Em Detroit, apoiantes de Trump protestaram contra a legalidade da contagem de votos, no exterior do centro TCF da cidade, onde a contagem de votos do Michigan ainda estava a decorrer.

Fotografia de David Guttenfelder, National Geographic

Quatro dias após o dia das eleições, manifestantes na Black Lives Matter Plaza, em Washington D.C., reagem à notícia de que Joe Biden ganhou votos eleitorais suficientes para garantir a presidência.

Fotografia de Jared Soares, National Geographic


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

Continuar a Ler