Arco Gótico Descoberto em Escavações Arqueológicas no Sabugal

Após revelarem dois níveis de ocupação da localidade, as escavações arqueológicas em Vila do Touro, no Sabugal, surpreendem com um imponente arco gótico, enclausurado durante 300 anos.

Publicado 8/01/2021, 10:53 WET
Arco gótico do Castelo de Vila do Touro

Arco gótico do Castelo de Vila do Touro, no Sabugal.

Fotografia de Câmara Municipal de Sabugal

Sabugal integra o distrito da Guarda, localizando-se na Região Centro da Beira Interior e ocupa uma área de 822.70 km2. Este concelho, essencialmente rural, tem por atividades predominantes a agricultura e a pecuária, e divide-se em 40 freguesias, entre as quais se situa Vila do Touro.

Nesta vila, tal como noutras localidades do concelho, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. Devido à posição estratégica do território de Sabugal, desde cedo terão existido dois povoados centralizados de toda a região superior do Vale do Côa.

As escavações arqueológicas são de extrema importância e já revelaram uma grande riqueza material ao nível de artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionais circulares e retangulares.

Achado arqueológico no Castelo Medieval

As escavações arqueológicas, incidindo sobre o Castelo Medieval de Vila de Touro, deixou a descoberto um imponente arco gótico, que terá sido entaipado e aterrado, ficando atarracado com o tempo, ao longo dos últimos 300 anos. Os trabalhos tiveram início para a instalação de uma escadaria de acesso à fortificação.

Vista aérea do muro e arco gótico no Castelo de Vila de Touro.

Fotografia de Câmara Municipal de Sabugal

Quem passa por Sabugal e visita o castelo pode agora observar um magnífico arco ogival. Já em escavações anteriores foi descoberto que no interior do castelo, com a ocupação medieval no século XIII, existia outra ocupação mais antiga, da Idade do Ferro.

Numa sondagem, realizada na parte mais elevada e rochosa do monte, foi descoberta uma grande estrutura habitacional com cerca de 3 mil anos, nomeadamente barros de cabana, pavimento, buracos de poste, sulco de fundação, lareira, troncos carbonizados, materiais do uso quotidiano e cereais que compunham a alimentação.

No local, junto com alguma cinza e carvão, encontraram-se também sementes antigas, enviadas para análise do especialista João Tereso, da Universidade do Porto. Esta descoberta permite também conhecer a forma como se alimentavam as populações, reconhecendo-se que consumiam cereais e leguminosas, pelos vestígios de trigo, milho, milhete, cevada, favas e ervilhas.

Um dos pontos altos desta descoberta incide sobre os vestígios de graínhas de uva, o que leva a uma série de interpretações sobre a utilização da uva na Proto-História.

Sabugal investe no património das vilas

Vila do Touro encontra-se implantada a 800 metros de altitude, entre Cabeço de São Gens e o Alto do Castelo, e é das vilas de Sabugal que encontra o seu património mais destruído.

Para além da vista do castelo para norte e poente, ao longo do vale da ribeira do Boi, e a nascente para a meseta e para o Vale do Côa, destaca-se ainda a fonte real, uma fonte gótica de Paio Gomes logo à entrada.

O acesso ao interior do Castelo de Vila do Touro vai sofrer uma reestruturação que envolve um investimento de 50 mil euros. A obra compreende uma escadaria em madeira e ferro, para facilitar a visita ao espaço, permitindo aos visitantes acederem ao alto da fortificação e usufruírem da vista panorâmica sobre Sabugal e as suas freguesias.

O Castelo de Vila do Touro, localizado no Alto da Pena, foi fortificado após a doação da jurisdição da povoação aos Templários, pelo concelho da Guarda, e a concessão do floral em 1220, por Dom Pedro Alvito, mestre da Ordem. Vila do Touro tornou-se então um importante centro de hierarquia populacional.

Do castelo à Vila do Touro

Situa-se a 831 metros de altitude e é marcado por afloramentos graníticos ciclópicos. Do castelo avista-se a cidade da Guarda, entre outros pontos de referência na paisagem mais longínqua. De arquitetura militar, inclui uma única porta. Observa-se a ausência de torres, com a justificativa de que a construção do castelo não chegou a ser terminada.

Construído no século XIII, e de traçado elíptico muito irregular, foi adaptado a uma base tipográfica extremamente acidentada. A superfície do recinto encontra-se revestida por vegetação herbácea e arbustiva, tal como azinheiras e faias.

O topónimo de Vila do Touro deriva de “taurus”, estando provavelmente relacionado com o culto da ganadaria. Já a tradição popular relaciona-o com uma lenda que refere ter sido encontrado um bezerro de ouro, registando-se a nordeste da antiga vila o Ribeiro do Bezerrinho.

A Câmara Municipal do Sabugal tem desenvolvido uma série de trabalhos arqueológicos no âmbito do Plano de Ação de Regeneração Urbana (PARU) da cidade, cujo objetivo pretende reforçar a polarização do território concelhio, incidindo também no benefício da autoestima da população, bem como na história e património da região. O PARU compromete-se a assumir a regeneração urbana, como base transversal à sustentabilidade urbana, nas vertentes ambiental, social, económica, patrimonial, cultural e política, num investimento elegível de 1.096.000,00€ no que respeita ao caso do Sabugal.

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