George Bass, pioneiro da arqueologia subaquática, morre aos 88 anos

Ao longo de uma carreira histórica de décadas, este arqueólogo liderou escavações em naufrágios antigos e inspirou uma geração de aventureiros científicos.

Publicado 10/03/2021, 09:33 WET
George Bass demonstrou que o rigor científico das técnicas arqueológicas usadas em terra podiam ser replicadas ...

George Bass demonstrou que o rigor científico das técnicas arqueológicas usadas em terra podiam ser replicadas nos ambientes subaquáticos mais exigentes.

Fotografia de BILL CURTSINGER, NAT GEO IMAGE COLLECTION

O arqueólogo pioneiro George Bass, que desempenhou um papel fundamental na criação e evolução da arqueologia subaquática enquanto disciplina científica, faleceu no dia 2 de março de 2021, em College Station, no Texas. George Bass tinha 88 anos.

Quando morreu, George Bass ainda atuava como assessor do Instituto de Arqueologia Náutica (INA), um dos institutos de investigação de naufrágios mais conceituados a nível mundial, fundado por si em 1972. O instituto está atualmente sediado na Universidade Texas A&M, onde George Bass, um distinto professor emérito, desenvolveu um dos primeiros programas académicos de arqueologia subaquática.

“O mundo perdeu um gigante nesta área e eu perdi um grande amigo”, disse o explorador subaquático Robert Ballard, antigo membro do conselho do INA, através de um comunicado fornecido pela National Geographic Society.

“Exatamente como os arqueólogos trabalham em terra”

Em 1960, George Bass era um estudante de pós-graduação que estudava arqueologia na Universidade da Pensilvânia quando foi convidado para investigar um antigo naufrágio descoberto por mergulhadores turcos ao largo do Cabo de Gelidonya, no sul da Turquia. O naufrágio do Cabo de Gelidonya, com 3.200 anos, transportava uma carga primária de lingotes de cobre e foi o primeiro naufrágio mapeado e completamente escavado de forma científica no fundo do mar. Naquela altura, tornou-se no naufrágio mais antigo de que havia conhecimento a nível mundial

Esse título foi posteriormente ultrapassado pela descoberta e escavação do naufrágio de Uluburun, no sul da Turquia, no início dos anos 1980. Com o apoio da National Geographic Society, a equipa de George Bass documentou e escavou um tesouro extraordinário de artefactos que datavam do século XIV a.C., incluindo objetos preciosos de todo o Oriente Próximo e da Europa que revelaram a complexidade do comércio no mundo da antiguidade.

George Bass (no submersível) monitoriza o trabalho de arqueólogos do INA durante uma escavação no Mar Egeu.

Fotografia de COURTNEY PLATT, NAT GEO IMAGE COLLECTION

Antes de partir para a sua primeira escavação de um naufrágio em 1960, a única experiência de mergulho de George Bass resumia-se a um mergulho numa piscina da YMCA. Contudo, ao longo da investigação de dezenas de naufrágios que datavam desde a Idade do Bronze à Idade Média, George Bass demonstrou que o rigor científico das técnicas arqueológicas usadas em terra podiam ser replicadas nos ambientes subaquáticos mais exigentes por arqueólogos com equipamento de mergulho.

“Não fomos mergulhar por desporto ou à procura de tesouros”, escreveu George Bass no primeiro de muitos dos seus artigos para a National Geographic em julho de 1963. “O nosso objetivo era fazer debaixo de água o que os arqueólogos fazem em terra: escavar camada por camada e registar cuidadosamente a posição de cada objeto, fosse na cabine ou no casco, antes de os mover ou içar para a superfície.”

Inspiração para gerações de arqueólogos

Nascido em Colúmbia, na Carolina do Sul, no dia 9 de dezembro de 1932, George Fletcher Bass era filho de um professor de inglês e escritor, cuja influência se pode ver nas centenas de artigos e livros que George Bass publicou ao longo da sua carreira. George Bass também escreveu para o público em geral, começando com os primeiros artigos para a National Geographic e o seu livro de 1966, Archaeology Under Water, que suscitou um enorme interesse pela arqueologia, uma disciplina em expansão.

“Ele era um comunicador público da ciência numa época em que isso era particularmente olhado de lado pela comunidade académica, e a comunicação das suas pesquisas inspirou a geração seguinte de arqueólogos subaquáticos”, diz o arqueólogo subaquático James Delgado, vice-presidente da SEARCH Inc. e ex-presidente do INA.

“George Bass não só abriu um novo mundo de maravilhas para arqueólogos e historiadores, mas também para o público em geral”, acrescenta Fredrik Hiebert, arqueólogo residente da National Geographic Society.

Com a orientação de George Bass, o INA expandiu o seu trabalho através de várias regiões geográficas e períodos históricos, desde navios da Guerra Revolucionária no lago Champlain às fragatas otomanas no Japão. Na década de 1990, o INA estabeleceu um centro de pesquisa em Bodrum, na Turquia, composto por arqueólogos e conservadores turcos.

“Onde quer que estivéssemos a escavar, [George Bass] fazia um esforço para trazer estudantes e arqueólogos locais para o projeto; e também ajudou muitos alunos a entrarem na Universidade Texas A&M para poderem assistir às aulas do programa de arqueologia náutica”, lembra Deborah Carlson, atual presidente do INA e antiga aluna de George Bass. “Sei que esse era um aspeto da sua carreira sobre o qual ele se orgulhava muito.”

Ao longo de 39 anos, George Bass recebeu 36 bolsas de investigação da National Geographic Society e recebeu a Medalha de Ouro La Gorce em 1979 e o Centennial Award em 1988. Recebeu também o prémio mais elevado dos EUA pela totalidade do seu trabalho de investigação científica, a Medalha Nacional de Ciência, em 2002.

George Bass deixa a sua esposa e parceira de expedição de longa data, Ann, e os seus dois filhos, Alan e Gordon.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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