Tratado de Fontainebleau, quando França quis dividir Portugal em três

Recuando a 1807, encontramos um momento histórico em que a Lusitânia ficaria dividida em três partes independentes, segundo acordado pelo tratado de Fontainebleau.

Cadetes de uma escola militar francesa reencenam uma batalha desta época.

Fotografia de Gordon Gahan/National Geographic Creative
Publicado 23/06/2021, 15:38 WEST

O tratado de Fontainebleau foi um acordo assinado em 1807, entre França e Espanha, aprovado por Napoleão Bonaparte, onde se estabelecia a divisão de Portugal no reino da Lusitânia (Entre-Douro-e-Minho), destinado à rainha da Etrúria e, no reino dos Algarves (Alentejo e Algarve), concedido a um ministro de Carlos IV.

Uma convenção militar da mesma data estabelecia a entrada em Espanha de 28 mil soldados franceses com o objetivo de seguirem até Lisboa. Contudo, este tratado não chegou a ser executado e tão pouco divulgado.

O objetivo de Napoleão com o tratado de Fontainebleau era o de ocupar Espanha e exercer represálias contra Portugal, pelo país não ter aderido ao bloqueio continental que pretendia fechar os portos europeus à Inglaterra. A recusa de Portugal, tradicional aliado inglês, terá então motivado a primeira invasão francesa.

O pretexto para invadir Portugal

Foi a 27 de dezembro de 1807, que Espanha e França se comprometeram a atacar e apoderar-se de Portugal que, por sua vez, seria dividido em três partes independentes, sem possibilidade de recair sobre a mesma pessoa, nem mesmo sobre o Rei da Espanha.

Como consequência do tratado de Fontainebleau, um exército francês, a mando do Duque e do General francês Junot, invadiu Espanha com o pretexto de participar na guerra por Portugal. Pouco tempo depois, os Pirenéus foram atravessados por cinco grupos do exército e outros tantos de reserva permaneceram junto à fronteira, ficando Espanha praticamente sob o domínio de Napoleão.

A ocupação de Espanha começou a ser uma realidade, quando, uma vez tomada Lisboa, outros exércitos se apoderaram das localidades espanholas que faziam fronteira com França.

O salto para a Guerra da Independência Espanhola

Com o levantamento espontâneo do povo de Madrid, iniciou-se a Guerra da Independência Espanhola ou Guerra dos Franceses, a 2 de maio de 1808, após o conflito armado com a França do Império Napoleónico, que não terminou até 1814.

Muitos historiadores defendem que o 2 de maio supõe, não só a oposição à usurpação do poder por parte de uma potência estrangeira, como também o início da assunção da soberania por parte do povo.

O conflito militar derivou da ocupação militar das principais cidades espanholas, acordada no tratado de Fontainebleau, entre Carlos IV de Bourbon e Napoleão Bonaparte. Com este acordo, na prática, deu-se a derrocada da monarquia absolutista espanhola e a união da Espanha com o Império Francês.

Esta foi considerada uma manobra de mestre de Napoleão Bonaparte, que pressionou e enganou Carlos IV e o seu herdeiro, Fernando VII, para que permitissem, não só ocupar militarmente Espanha para chegar à invasão de Portugal, como também para que cedessem o trono espanhol.

Tudo isso provocou a resistência armada do povo que, pela primeira vez, se coloca como único dono do seu destino. Assim, criaram os Conselhos de Defesa, bem como a Corte, reunidas em Cádiz em 1812, que supõem, de facto, uma autêntica revolução contra o Antigo Regime.

Além disso, ao formular a primeira constituição, ocorreu o processo de emancipação das colónias espanholas da América, que conquistaram a independência. Por outro lado, deu-se a reintegração da dinastia de Bourbon na pessoa de Fernando VII e o reforço da Igreja Católica, o que abriu espaço a que Espanha fosse palco de uma era de lutas civis, entre absolutistas e liberais, prolongando-se até à segunda metade do século XIX.

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