Acampamento romano em Melgaço classificado como um dos maiores e mais antigos do país

Investigador apresenta o acampamento romano de Melgaço como o maior e mais antigo do Norte de Portugal e da Galiza.

Publicado 21/07/2021, 14:12 WEST
Imagem aérea oblíqua realizada com recurso a um drone com detalhe das linhas de muralha do ...

Imagem aérea oblíqua realizada com recurso a um drone com detalhe das linhas de muralha do recinto da Lomba do Mouro.

Fotografia de Manuel Gago

O sítio da Lomba do Mouro, em Melgaço, foi indicado como o maior e mais antigo acampamento romano da Galiza e do Norte de Portugal. Trata-se de um acampamento militar romano, no planalto de Castro Laboreiro, alvo de intervenção arqueológica em setembro de 2020.

A datação da muralha do recinto aponta a sua fundação em torno ao século II a.C., que coincide também com a famosa expedição do Décimo Júnio Bruto, um general e político romano que passou o rio Lima e chegou até ao rio Minho.

Os resultados da intervenção arqueológica na Lomba do Mouro, indicam que o acampamento romano seria de caráter temporário, possivelmente vinculado com a penetração e saída do atual território português e galego de um importante contingente militar de mais de 10.000 soldados.

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Investigação procura vestígios do maior acampamento romano

A campanha arqueológica confirmou a existência de duas linhas de parede de pedra que puderam ser bem caracterizadas, incluindo elementos defensivos singulares, como pedras fincadas ou cavalos de frisa, um sistema para impedir o avanço da cavalaria ou das tropas do exército inimigo.

Esquerda: Superior:

Detalhe da sondagem aberta na linha de muralha interior.

Direita: Fundo:

Detalhe da sondagem aberta na linha de muralha exterior onde são visíveis as pedras fincadas.

Fotografia de Era-Arqueologia

A campanha foi liderada pelo arqueólogo da Universidade de Exeter João Fonte, no âmbito do projeto Finisterrae, financiado pela Comissão Europeia através de uma bolsa individual Marie Sklodowska-Curie.

Imagem LiDAR (IGN-PNOA) do recinto da Lomba do Mouro onde se pode apreciar a sua planta de tendência poligonal e as suas duas linhas de muralha, bem como a presença de alguns monumentos megalíticos.

Fotografia de João Fonte

Durante o decorrer da mesma, foram recolhidas amostras de sedimentos que foram analisadas através de luminescência, uma técnica que permite datar a última vez em que os cristais de quartzo foram expostos à luz do sol. Essas análises foram efetuadas por um grupo de investigação do C2TN – Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares, no laboratório de datação por luminescência do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

O acampamento romano de maiores dimensões do Noroeste Peninsular

Até à data, o acampamento romano mais antigo, escavado pelo grupo científico romanarmy.eu, foi o de Penedo dos Lobos, em Ourense (Espanha), onde foram encontradas moedas ligando o recinto às campanhas bélicas conhecidas como Guerras Cantábricas, com a qual o imperador Octávio Augusto encerrou o processo de conquista da Hispânia.

O acampamento de Lomba do Mouro situa-se numa zona de especial concentração de sepulturas megalíticas e foi descoberto através da tecnologia LiDAR, fornecida pelo projeto espanhol PNOA — Plan Nacional de Ortofotografia Aérea do Instituto Geográfico Nacional.

A área deste acampamento ocupa mais de vinte hectares de terreno, com duas linhas defensivas, sendo que a apenas oito quilómetros em linha reta o grupo científico romanarmy.eu localizou ainda outro sítio militar temporário de dimensões semelhantes, a Chaira da Maza, no concelho de Lobeira, em Ourense, o que leva à hipótese de se tratar de uma linha de avanço romana.

Um fim último deste trabalho seria poder criar uma rede transfronteiriça para dar a conhecer estes sítios temporários que se relacionam com o primeiro contacto do exército romano com as comunidades indígenas da região entre Lima e Minho. Neste sentido, existe uma real necessidade de continuar os estudos de investigação científica e arqueológica, para depois se apostar, de uma forma integrada na valorização destes sítios localizados no território da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés.

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Romanarmy.eu é um coletivo científico que investiga a presença militar romana no Noroeste da Península Ibérica, sendo formado por investigadores de distintas universidades e centros de investigação europeus, diferentes disciplinas e especialistas em várias épocas históricas.

O trabalho de campo, que durou cerca de duas semanas, foi realizado em colaboração com a empresa Era-Arqueologia. Os arqueólogos trabalharam exclusivamente na parte portuguesa do local, numa investigação financiada pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e Ação Climática, pela Câmara Municipal de Melgaço e pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), no âmbito da valorização da rede de trilhos do Planalto de Castro Laboreiro.

O coletivo romanarmy.eu produziu um documentário que explica as novas descobertas arqueológicas realizadas na zona do Gerês-Xurés e que pode ser visto no YouTube. O documentário foi filmado em inglês e conta com legendas em galego, português e espanhol.

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