Fundo de 50 milhões de dólares visa ajudar a destacar as contribuições dos negros na história americana

O Fundo de Ação do Património Cultural Afro-americano será usado para criar ‘um registo histórico duradouro’ sobre as contribuições dos negros para o passado e futuro dos Estados Unidos.

Publicado 19/07/2021, 11:09
Novo Auditório Granada

Esta estrutura de 1927 em Pittsburgh, na Pensilvânia, foi projetada pelo arquiteto Louis Arnett Stuart Bellinger e serviu originalmente como um Templo de Pítias, um ponto de encontro para os Cavaleiros de Pítias. O edifício foi convertido no Novo Auditório Granada durante a década de 1930.

Fotografia de Tango Images, Alamy Stock Photo

Os marcos históricos afro-americanos há muito que foram esquecidos, negligenciados e deixados na sombra. Os espaços que têm curadoria, ativismo e arte negra geralmente não têm o mesmo financiamento que outros marcos históricos. Agora, estes espaços vão receber apoio do Fundo Nacional para a Preservação Histórica dos EUA, que criou um fundo de 50 milhões de dólares para preservar os marcos culturais afro-americanos.

O Fundo de Ação do Património Cultural Afro-Americano, o maior esforço do género para preservar os sítios históricos afro-americanos, anunciou que vai investir em 40 projetos que destacam a história e a cultura negra. Criado em 2017, este fundo já ajudou mais de 105 locais no seu programa nacional de bolsas. Até ao momento, já foram investidos 7.3 milhões de dólares em projetos por todo o país.

“É particularmente importante que a experiência negra seja preservada e esteja visível na paisagem americana”, diz Brent Leggs, diretor executivo do fundo. “É importante contarmos estas histórias que passam despercebidas para compreendermos de forma justa o que significa ser americano. É importante investirmos nas comunidades negras históricas para estimular a revitalização e fomentar o interesse em lugares que hoje parecem existir sem história.”

“É extremamente importante preservarmos estes lugares para honrar todas as contribuições feitas pela América negra à nossa nação.”

por BRENT LEGGS, DIRETOR EXECUTIVO DO FUNDO DE AÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL AFRO-AMERICANO

As bolsas de 2021, concedidas a uma série de organizações, incluindo igrejas, bibliotecas, museus, universidades, centros de arte e teatros comunitários, representam a maior distribuição de bolsas desde a criação do fundo. Durante os primeiros três anos, o fundo angariou quase 30 milhões de dólares, maioritariamente devido a contribuições da Fundação Andrew W. Mellon e da Fundação Ford.

“Estamos satisfeitos porque o Fundo de Ação continua a afirmar a centralidade das vozes e experiências negras na preservação histórica dos Estados Unidos e a aumentar a consciência pública sobre a importância destes marcos”, diz Elizabeth Alexander, presidente da Fundação Andrew W. Mellon. “Os bolseiros de 2021 – que variam desde museus e bibliotecas públicas a teatros, igrejas e universidades – representam locais culturais vitais que enriquecem as nossas cidades, vilas e comunidades rurais e que servem como um testemunho para a coragem e engenhosidade dos afro-americanos que os criaram.”

O fundo é a salvação de muitos locais históricos que enfrentam dificuldades de sobrevivência. Na Sociedade e Museu Histórico de Robbins, em Robbins, no Illinois, o diretor e curador Tyrone Haymore diz que o fundo está a manter o museu vivo. A bolsa irá ajudar a restaurar o telhado do edifício, que corre o risco de desabar.

“Isto vai salvar-nos no sentido em que precisávamos de fundos para ter novas instalações”, diz Tyrone. “As nossas instalações atuais são demasiado pequenas. É um edifício de apenas 10 por 10 metros quadrados e costumava ser um supermercado. Nós transformámo-lo em museu, e a nossa coleção já excedeu em muito o espaço que o edifício consegue conter.”

Lonnie Bunch III, antigo chefe do Museu Nacional de História e Cultura Afro-americana do Instituto Smithsonian, durante uma visita em 2014 ao local de construção do museu em Washington D.C.

Fotografia de J.M. Eddins Jr., Alamy Stock Photo

Lonnie Bunch III, o primeiro afro-americano e primeiro historiador a servir como secretário do Instituto Smithsonian, acredita que estas bolsas vão proporcionar mais visibilidade aos marcos históricos que estão a ser preservados. O fundo está a garantir que as contribuições dos afro-americanos são destacadas, em vez de apagadas.

“Estas bolsas vão ter um impacto positivo em 40 comunidades de todo o país e resultar na criação de um legado visível das contribuições afro-americanas”, diz Lonnie. “O fundo está a criar um registo histórico duradouro, que demonstra que as narrativas afro-americanas são uma parte integrante da nossa nação e do nosso futuro partilhado.”

Brent Leggs diz que o fundo não vai apenas ajudar na preservação destes locais históricos. Brent tem esperança que também abra caminho para que estes locais sejam reconhecidos ao mesmo nível que outros locais culturais registados.

“Através da preservação dos marcos afro-americanos, estamos a iniciar o processo de centralização dos negros na nossa democracia”, diz Brent. “Muito do foco não está apenas na proteção, preservação e ativação destes espaços importantes. Isto também ajuda a equipar e a capacitar estas instituições culturais negras, que gerem e cuidam destes lugares, e ajuda-as a conseguir os recursos para as gerir ao mesmo nível que a propriedade Monticello de Thomas Jefferson e a propriedade Biltmore de George Washington.”

“É extremamente importante preservarmos estes lugares para honrar todas as contribuições feitas pela América negra à nossa nação”, acrescenta Brent.

Entre os projetos do fundo está a restauração da Companhia Negra de Ópera em Pittsburgh, na Pensilvânia, a primeira companhia de ópera negra dos Estados Unidos, que foi construída em 1908; a restauração da Igreja de Deus em Cristo do Templo Roberts em Chicago, construída em 1922, o local de visita e funeral de Emmet Till em 1955; e a substituição de 100 janelas no Antigo Edifício Administrativo da Universidade Huston Tillotson em Austin, no Texas.

A lista completa dos 2.021 beneficiários pode ser consultada no site do Fundo Nacional para a Preservação Histórica dos EUA.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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