Desvendado rosto de residente da Amadora durante o Império Romano

Equipa de investigadores chega ao resultado ilustrado do rosto de uma mulher do período do Império Romano, na Amadora. Este feito foi concretizável graças ao projeto PERA.

Publicado 17/08/2021, 10:28
Aproximação facial de uma mulher do Império Romano.

Aproximação facial de uma mulher do Império Romano.

Ilustração de Filipe Franco

O conhecimento acerca do povoamento romano no atual concelho da Amadora aumenta de ano para ano, especialmente graças ao trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal da Amadora e pelo Museu Municipal de Arqueologia.

Foram realizadas várias escavações desde meados dos anos 90, com o objetivo de se perceber e estruturar os moldes em que se realizou a ocupação e exploração do território, durante e depois do Império Romano.

A Villa Romana da Quinta da Bolacha, classificada como Imóvel de Interesse Público desde 2012, localizada na freguesia da Falagueira, em Venda Nova, foi descoberta em 1979, por António Gonzalez e João Cravo e, até à data, já suportou oito campanhas de escavação.

No âmbito da prospeção realizada no ano de 1979, em torno da Villa Romana da Quinta da Bolacha, foram recolhidos à superfície alguns fragmentos de cerâmica, como verniz negro. Desde essa altura, foram realizadas diversas prospeções a cargo da ARQA – Associação de Arqueologia da Amadora, recolhendo materiais raros do Império Romano.

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A descoberta do Império Romano na Amadora

O resultado do Império Romano na Amadora é bem maior do que a impressão digital do seu povo, há mais de 2000 anos. Atualmente, graças a um projeto de investigação municipal mais alargado, o PERA – Povoamento em Época Romana na Amadora, foi divulgada uma aproximação facial de uma cidadã da época.

Entre 2017 e 2020, com o decorrer do projeto, resultaram seis escavações no sítio arqueológico do Moinho do Castelinho, na Estrada da Falagueira, que continuaram a explorar a necrópole romana da Villa da Quinta da Bolacha.

Foi numa necrópole na Amadora que emergiu um dos projetos mais interessantes dos últimos anos, que passou pela reconstituição de um rosto com quase dois milénios. Este foi o ponto de partida para o projeto “Dar Rosto à Villa”, iniciado em 2019.

O desenvolvimento do PERA permitiu a realização de ações de escavação e prospeção, assim como a análise de espólios artefactuais e osteológicos, com a finalidade de se perceber a forma como se operou a chegada dos contingentes romanos ao concelho, bem como o modelo de povoamento e exploração de recursos existentes.

O rosto do Império Romano em 3D

A operação esteve a cargo do ilustrador científico Filipe Franco, Mestre em Anatomia Artística pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e, para chegar ao resultado final, contou com o apoio de investigadores da Universidade de Coimbra, da Universidade de Viena, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência e, da Universidade de Lisboa.

Assim, uniram-se especialistas das áreas de antropologia biológica, de análise de ADN e de digitalização do crânio e mandíbula. A coordenação esteve a cargo de Gisela Encarnação e Vanessa Dias, arqueólogas da Câmara Municipal da Amadora e do Museu Municipal de Arqueologia.

Falamos de um projeto plurianual, submetido à Direção Geral do Património Cultural, em 2016, pela necessidade de se saber mais sobre as formas de ocupação e exploração nesta área geográfica.

Graças a este trabalho de investigação, tornou-se então possível ter acesso a imagens impressionantes, da aproximação facial de uma mulher do Império Romano, a partir de um esqueleto com mais de dois mil anos.

Até à data, já foram descobertas mais de quarenta sepulturas nesta região, tendo sido uma delas a dar início ao projeto “Dar Rosto à Villa”, criado em 2019, para ser possível chegar ao rosto de um crânio encontrado nessas escavações.

A aproximação em 3D foi suportada por evidências antropológicas e genómicas

O rosto da mulher do Império Romano ganhou forma, em primeiro lugar no formato 2D e, mais tarde, na versão em 3D. A capacidade de digitalização pormenorizada do crânio e a identificação dos ossos fundamentais foram as razões para a escolha deste indivíduo, entre os 38 já escavados na necrópole do Moinho do Castelinho.

Liliana Matias de Carvalho conduziu a análise antropológica, medindo todas as facetas anatómicas e procurando patologias e anomalias. Yuliet Quintino Arias conduziu depois a digitalização do crânio em 3D. Por fim, foi sequenciado o genoma a partir do ADN antigo preservado nos ossos temporais, apurando traços essenciais da ascendência do indivíduo.

Todos estes dados foram fornecidos a Filipe Franco, que os cruzou com medições específicas que efetuou no crânio e com dados de referência já acumulados na Europa para indivíduos do mundo romano. O ilustrador levou-nos até à aproximação final daquele que terá sido o rosto de uma mulher do Império Romano.

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