Os tesouros arqueológicos que sobreviveram ao 11 de setembro

Quase um milhão de artefactos que abrangiam quatro séculos de história de Nova Iorque estavam armazenados no World Trade Center. Estas são as suas histórias.

Publicado 7/09/2021, 12:54 , Atualizado 10/09/2021, 12:16
Equipas de limpeza trabalham nos escombros do Ground Zero

Equipas de limpeza trabalham nos escombros do chamado Ground Zero em novembro de 2001. Quando as torres do World Trade Center colapsaram, não se sabia o que tinha acontecido aos milhares de artefactos que estavam armazenados na cave de um edifício nas proximidades.

Fotografia de Scott Kemper, Alamy Stock Photo

Em 1992, a arqueóloga urbana Sherrill Wilson estava à procura de um espaço para um laboratório e centro de investigação no World Trade Center (WTC). Um dos funcionários do WTC sugeriu a Sherril o 67º andar da Torre Norte. Sherril estremeceu, lembrando-se da memória assustadora que tinha acontecido alguns anos antes, quando viu pessoas a saltar de uma janela para escapar a um incêndio. Sherril também sabia que um grupo de escoteiros tinha ficado recentemente preso num elevador do WTC durante algumas horas. Enquanto diretora do departamento de informação do projeto African Burial Ground de Nova Iorque – um cemitério que tinha sido descoberto recentemente com os corpos de milhares de africanos escravizados e livres – Sherril recebia frequentemente crianças em idade escolar no seu escritório para aprender sobre a evolução da cidade de Nova Iorque.

Por estas e por outras razões, Sherril recusou-se a visitar o 67º andar. “Pensei para mim, sou uma mãe solteira, tenho três filhos e eles esperam que eu regresse a casa ao final do dia.” Em vez disso, o projeto African Burial Ground ocupou parte do andar térreo e da cave do Six World Trade, um edifício de oito andares ali ao lado que tinha vários escritórios federais. Um ano depois, em 1993, Sherril sentiu o chão do seu laboratório a tremer devido a um atentado bombista no World Trade Center. Oito anos depois, a fachada da Torre Norte colapsou sobre o Six World Trade e destruiu milhares de artefactos históricos.

Fumo emanado dos escombros da Torre Norte do World Trade Center cinco dias após os ataques terroristas. À esquerda vemos os restos do edifício Six World Trade, que foi destruído pelos destroços que caíram. O Six World Trade tinha um enorme laboratório de arqueologia que era usado para estudar os artefactos descobertos durante a construção da cidade.

Fotografia de Everett Collection Historical, Alamy Stock Photo

Quase 3.000 pessoas morreram na manhã do dia 11 de setembro de 2001, quando dois aviões atingiram as Torres Gémeas na baixa de Manhattan. Nas semanas e meses que se seguiram, os historiadores tentaram fazer um balanço sobre as centenas de milhares de itens históricos que também tinham desaparecido entre os destroços. Estes artefactos contavam a história de origem da cidade de Nova Iorque e a história dos homens e mulheres escravizados e trabalhadores imigrantes que transformaram a cidade numa potência global.

O desenterro de uma história angustiante

Pelos seus anos de experiência enquanto professora e guia turística, Sherril Wilson sabia que a maioria das pessoas acreditava que a presença dos negros em Nova Iorque só tinha começado com a migração pós-Guerra Civil. Porém, a descoberta de um cemitério africano em 1991, durante a construção de um edifício federal de escritórios perto da câmara municipal, provou o contrário. Juntamente com as evidências de uma enorme comunidade africana, esta descoberta revelou um cenário brutal de escravatura em que trabalhadores jovens e dispensáveis eram usados para construir uma cidade industrial.

No início do século XIX, um cruzamento conhecido por Five Points tornou-se famoso devido ao crime, prostituição e pobreza. Esta representação de 1827, da autoria de McSpedon & Baker, foi publicada no Manual Valentine, um diretório da cidade de Nova Iorque.

Fotografia de MUSEU DA CIDADE DE NOVA IORQUE, ART RESOURCE, NY
Esquerda: Superior:

Esta fotografia, tirada para o Conselho de Saúde em 1872, representa os “Covis da Morte” em Mulberry Bend, Five Points.

Direita: Fundo:

Outra fotografia de 1872, também captada para o Conselho de Saúde, mostra uma casa em Baxter Street, Five Points, que na época era um dos bairros mais sobrelotados do mundo.

Fotografia de MUSEU DA CIDADE DE NOVA IORQUE, ART RESOURCE, NY

No início do século XVII, os colonos holandeses doaram um terreno pantanoso de 2,5 hectares no extremo sul da ilha de Manhattan para os africanos libertados sepultarem os seus mortos, muitas vezes na calada da noite, já que por lei não se podiam reunir mais do que quatro escravos. Ao longo de 150 anos, cerca de 15.000 africanos livres e escravos foram enterrados numa área um pouco maior do que um quarteirão de tamanho médio da cidade. Hoje, esta zona está debaixo do distrito financeiro de Manhattan.

Os ossos deste cemitério contam uma história angustiante sobre as condições enfrentadas por homens e mulheres escravos. Os investigadores descobriram que, numa só geração, as tradições africanas distintas, como dentes raspados e joias ornamentadas, praticamente desapareceram. Os ossos apresentam evidências físicas de trabalhos árduos e perigosos, incluindo fraturas cranianas devido a cargas pesadas que eram lançadas sobre as cabeças dos estivadores escravos. A esperança média de vida rondava os 24 e os 26 anos.

Ao longo de uma década de estudo, os achados vindos do cemitério africano foram processados no laboratório de Sherril Wilson na cave do Six World Trade. Após documentação e análise, os artefactos, amostras de solo e fragmentos de caixões foram embalados e armazenados na cave do edifício. Os restos mortais foram enviados para a Universidade Howard em Washington D.C. para análises posteriores.

Redenção de um ‘ninho de víboras’

Em 1991, no mesmo ano em que o cemitério africano foi descoberto nas obras de construção, outra descoberta arqueológica estava a ser feita nas proximidades de um local programado para a construção de um tribunal federal. Por baixo de um parque de estacionamento, os investigadores encontraram os restos de Five Points, outrora um dos bairros mais densamente povoados do mundo e o bairro de lata mais infame de Manhattan no século XIX.

Esquerda: Superior:

Uma chávena de chá para crianças descoberta por arqueólogos num terreno privado cheio de lixo pertencente a inquilinos irlandeses em 474 Pearl Street. Muitos dos artefactos descobertos na escavação de Five Points contradiziam a visão popular do bairro enquanto “covil de ladrões”.

Direita: Fundo:

Um cachimbo de argila encontrado em 474 Pearl Street.

Fotografia de MUSEU DA CIDADE DE NOVA IORQUE
Esquerda: Superior:

A ponta de um cachimbo de argila escavado em Five Points retrata uma figura da mitologia clássica, possivelmente um deus grego ou romano.

Direita: Fundo:

Os berlindes de crianças encontrados em Five Points indicam a presença de famílias trabalhadoras com salários para comprar pequenos artigos de luxo.

Fotografia de MUSEU DA CIDADE DE NOVA IORQUE

Na crença popular, Five Points já era famoso muito antes do filme de Martin Scorsese, Gangues de Nova Iorque, de 2002. Os jornais de meados do século XIX  apelidavam este bairro de “ninho de víboras”. Visitantes como Charles Dickens descreviam esta zona de imigrantes alemães e irlandeses como um foco de crime, violência e prostituição. Para os nova-iorquinos mais abastados, o bairro era um conto de advertência sobre o urbanismo e uma justificação para o desdém que sentiam pelos imigrantes e a classe operária.

Os ricos preenchem muitas vezes o registo histórico com os seus próprios artefactos e perspetivas, enquanto que o legado da classe operária raramente fica preservado. Mas o sítio arqueológico de Five Points – que incluía os restos de 14 propriedades diferentes, desde a casa de um rabino a uma casa de prostituição – tinha mais de 850.000 artefactos da classe operária. Para os arqueólogos, esta impressionante coleção de itens do quotidiano, como garrafas de refrigerantes, conjuntos de chá, dedais e tinteiros, era um achado quase milagroso numa cidade que está constantemente a ser destruída e reconstruída.

Os artefactos descobertos em Five Points juntaram-se ao projeto African Burial Ground no laboratório subterrâneo do Six World Trade, onde a cidade forneceu espaço e financiamento para análises. Num ginásio aberto dividido por cubículos e mesas compridas, o estereótipo sombrio de Five Points foi colocado à prova. Os objetos catalogados pelos arqueólogos pintavam uma imagem muito diferente da apresentada pelos jornais sensacionalistas do século XIX. Entre os milhares de artefactos recuperados – retalhos de tecidos de negócios domésticos, pentes ornamentais, chávenas de chá com mensagens a pedir às crianças para se portarem bem – emergiu a imagem de famílias recém-chegadas a tentar sair da pobreza.

“Será que isto significa que estas pessoas, que supostamente eram criminosos desprezíveis, estavam a pôr a mesa com pratos iguais e a oferecer brinquedos às crianças tal como fazia a classe média?”, pergunta a arqueóloga Rebecca Yamin, que dirigiu o projeto de Five Points. “As pessoas que viviam em Five Points foram mal interpretadas pelos observadores da classe média e exploradas pelo interesse que representavam.”

Esquerda: Superior:

Homens à porta de um albergue. Em meados do século XIX, os habitantes de Five Points eram maioritariamente irlandeses e alemães. Os visitantes e a imprensa usaram a reputação decadente do bairro como um alerta contra o aumento da imigração.

Direita: Fundo:

Crianças sentadas numa sala de aula sobrelotada na Missão de Five Points. A descoberta de brinquedos infantis e porcelana fina durante as escavações feitas em Five Points foi um sinal para os arqueólogos de que nem todas as famílias deste bairro eram criminosas.

Fotografia de MUSEU DA CIDADE DE NOVA IORQUE, ART RESOURCE, NY

Depois de cinco anos a limpar, analisar e documentar, os arqueólogos armazenaram as centenas de milhares de artefactos de Five Points na cave do edifício Six World Trade para aguardar uma futura exposição permanente no Museu Seaport, na orla marítima de Manhattan.

História desaparecida

Na manhã do dia 11 de setembro de 2001, Sherrill Wilson estava num comboio em direção à cidade quando o condutor anunciou que dois aviões tinham colidido contra o World Trade Center. Em poucas horas, milhares de nova-iorquinos morreram e pedaços incontáveis de história desapareceram, incluindo os arquivos de Helen Keller, os registos da Autoridade Portuária de Nova Iorque e Nova Jersey e obras de arte, desde Picasso a Rodin, que enfeitavam as paredes das empresas financeiras mais poderosas da cidade.

(Relembrar o 11 de setembro em imagens.)

Em 1991, centenas de túmulos de africanos livres e escravizados foram desenterrados durante a construção de um edifício comercial no distrito financeiro de Nova Iorque. Hoje, um monumento assinala o local onde os restos mortais de 419 homens, mulheres e crianças foram novamente enterrados.

Fotografia de BIBLIOTECA DO CONGRESSO
Esquerda: Superior:

Os símbolos nas paredes do Monumento Nacional do Cemitério Africano refletem as identidades variadas dos africanos escravizados que ajudaram a construir a cidade de Nova Iorque. Este cemitério é o maior e o mais antigo escavado de africanos livres e escravizados na América do Norte.

Direita: Fundo:

Imagens da escavação do cemitério africano mostram a idade e o sexo estimados das pessoas ali sepultadas entre os anos 1630 e 1795. Os cientistas encontraram evidências de fraturas cranianas entre os restos mortais que indicam a queda de cargas pesadas sobre a cabeça dos trabalhadores escravos nas docas da cidade.

Fotografia de Sherab, Alamy Stock Photo(Esquerda)(Superior)
Fotografia de Patti McConville, Alamy Stock Photo(Direita)(Fundo)

Sherril regressou a casa e descobriu que, quando a Torre Norte caiu, os destroços tinham atingido o Six World Trade, abrindo uma cratera fumegante no edifício de oito andares. Enquanto Sherril via o seu escritório a arder na CNN, ficou tranquila porque sabia que os restos mortais do cemitério africano estavam seguros na Universidade Howard em Washington D.C. Mas desconhecia o destino de tudo o que estava armazenado no Six World Trade – os artefactos do cemitério e a biblioteca de investigação, bem como a coleção de artefactos de Five Points.

Um mês depois, no início de novembro, os funcionários da cidade chegaram finalmente às ruínas do Six World Trade para salvar o que conseguiam. Entre os itens extraídos dos destroços estava a coleção quase completa de artefactos do cemitério africano, armazenada em cerca de cem caixas. Outras 200 caixas foram recuperadas da coleção de Five Points, mas continham apenas registos em papel sobre cada artefacto. Os objetos tinham ficado destruídos.

Rebecca Yamin não ficou surpreendida e nem se preocupou com o facto de 850.000 fragmentos, que ela e outros tinham desenterrado com tanto cuidado, terem desaparecido para sempre, considerando o custo humano.

“Temos de ter em consideração que o 11 de setembro eclipsou verdadeiramente o registo histórico daquela parte da cidade”, diz Rebecca. “Perder o registo do passado é sempre uma tragédia. Mas não é o mesmo que a tragédia de perder vidas humanas. É uma perda de compreensão sobre nós próprios e de onde viemos.”

“Não podemos assumir que numa cidade como Nova Iorque as coisas ficam enterradas sem qualquer tipo de perturbação”, acrescenta a arqueóloga. “As coisas podem ficar preservadas no solo durante muito tempo, mas depois, em menos de nada, podem desaparecer.”

Destroços fumegantes do World Trade Center no dia 25 de setembro de 2001. O ataque terrorista matou milhares de nova-iorquinos e destruiu centenas de milhares de itens de valor cultural e histórico, incluindo toda a coleção arqueológica de Five Points.

Fotografia de Eric Feferberg, AFP/Getty Images

Um local de descanso final

Na parte baixa de Manhattan, um monumento de granito está à sombra de altos arranha-céus. De um lado, sete túmulos erguem-se de um campo relvado. Por baixo estão os restos mortais do cemitério africano.

Os ossos foram novamente enterrados no seu local de descanso original em Manhattan em 2003, após as análises feitas na Universidade Howard. O conteúdo das cerca de 100 caixas recuperadas no edifício Six World Trade após os ataques – amostras de solo, pedaços de caixão e outros artefactos – também foram eventualmente levados para o Laboratório de Pesquisa W. Montague Cobb da Universidade Howard, onde continuam a ser estudados até hoje, 30 anos após a sua descoberta e 20 anos depois de resistirem à destruição do World Trade Center.

Carter Clinton, Explorador da National Geographic, está atualmente a examinar as amostras de solo do cemitério para reconstruir a bactéria intestinal, ou microbioma humano, das pessoas que ali foram enterradas há cerca de 400 anos.

Para além dos restos esqueléticos – que podem revelar a idade, o sexo e doenças físicas como ossos fraturados – o microbioma humano consegue revelar uma imagem diferenciada de quem foi enterrado naquele local, incluindo a sua dieta (principalmente vegetais), meio ambiente (lixo tóxico vindo das fábricas de cerâmica nas proximidades) e saúde (gastroenterites, salmonela e doenças respiratórias).

“Quando esgotarmos todos estes restos mortais e amostras, não temos mais nada”, diz Carter. “É a nossa última esperança para descobrir o que estava a acontecer em Nova Iorque com aquelas pessoas naquele momento. Não temos nomes para estas pessoas, mas ainda podemos dar-lhes alguma forma de identidade.”

Carter, que é afro-americano e cresceu na cidade de Nova Iorque, sente que é seu dever extrair esta informação das evidências que restam. “Gostava que o conhecimento sobre o cemitério africano fosse tão vasto como o do 11 de setembro. A razão pela qual o 11 de setembro é tão importante é por causa das pessoas que construíram esta cidade. Quando penso no World Trade Center e na Bolsa de Valores de Nova Iorque, penso na forma como começaram.”

A escravatura em Nova Iorque terminou em 1827, mas antes disso, os escravos africanos tinham expandido um pequeno caminho usado pelos nativos americanos até à Broadway e construíram paredes perto daquela que viria a ficar conhecida por Wall Street. Na época, o valor do seu trabalho estava estimado em mais do que todas as ferrovias e fábricas do país juntas. Foi neste valor estimado que as instituições financeiras americanas basearam a sua Bolsa de Valores.

“Foram os africanos que transformaram Nova Iorque em Nova Iorque”, diz Fatimah Jackson, que dirige o Laboratório Cobb. “Se tivéssemos perdido este material, a tragédia do 11 de setembro seria ainda maior.”

Fatimah refere que, apesar das análises genéticas, não foram identificadas comunidades descendentes a partir dos restos mortais dos 419 homens, mulheres e crianças recuperados no cemitério africano. “Parecia que os indivíduos no cemitério, devido à sua tenra idade e número, eram parentes de quase todos os afro-americanos”, diz Fatimah. “Se o 11 de setembro também tivesse destruído isso, 40 milhões de pessoas teriam sentido outra perda irrecuperável.”

“Sobreviventes triplos” de Nova Iorque

Poucos meses depois do 11 de setembro, Rebecca Yamin percebeu que nem todos os artefactos de Five Points se tinham perdido naquele dia terrível. Por um golpe de sorte, a arquidiocese de Nova Iorque tinha pedido em 2000 o empréstimo de algumas peças para uma exposição sobre a história da Irlanda em Nova Iorque. O laboratório de Rebecca emprestou-lhes 18 dos seus artefactos mais preciosos: berlindes de crianças, cachimbos de tabaco com desenhos finamente entalhados e o mais valioso de todos – uma delicada chávena de chá pintada com a imagem do padre Matthew, um padre irlandês que pregava a moderação. Numa época em que os habitantes de Five Points eram considerados alcoólicos e criminosos, alguém exibia cuidadosamente aquela chávena em casa.

A arquidiocese devolveu os 18 artefactos em agosto de 2001, mas Rebecca decidiu inadvertidamente enviá-los diretamente para o Museu Seaport, em vez de os devolver ao armazém do Six World Trade. Hoje, os objetos residem no Museu da Cidade de Nova Iorque, a 100 quarteirões do seu lar original. Uma seleção de artigos está em exposição permanente no museu – exposição sobre a diversidade da cidade de Nova Iorque num momento em que a imigração alemã, irlandesa e judaica estava a alterar a configuração da cidade. A valiosa chávena de chá com a imagem de padre Matthew está em destaque numa redoma de vidro junto à parede do museu.

Sarah Henry, curadora do museu, diz que os artefactos de Five Points são “sobreviventes triplos”. Sobreviveram ao infame bairro, foram descartados, enterrados e escaparam por pouco à destruição do dia 11 de setembro.

Sarah estava numa reunião do conselho do museu no Tribunal de Tweed, a nordeste do World Trade Center, na manhã do dia 11 de setembro de 2001. Um som estrondoso reverberou pelo prédio quando o primeiro avião atingiu a Torre Norte.

“Acho que todos os historiadores sentem aquela sensação angustiante, sobretudo depois de todos aqueles anos de trabalho, escavações e revelação de um conhecimento que estava oculto, quando veem tudo a desaparecer uma década depois”, diz Sarah. “Não quero fazer qualquer tipo de comparação, mas fiquei muito comovida. Foi outro golpe.”

Algumas semanas depois, os curadores dos museus da cidade reuniram-se para debater os seus papéis enquanto instituições, ou debater o que recolhiam após um desastre destes e quando. Rapidamente receberam inúmeros artefactos – cartazes de pessoas desaparecidas, cartas, velas memoriais. E perceberam que os nova-iorquinos estavam desesperados para que as suas experiências ficassem documentadas e preservadas. Sarah acompanhou um grupo nomeado pela Autoridade Portuária que determinava quais eram os objetos físicos que deviam ser resgatados dos destroços do World Trade Center para as gerações futuras estudarem, aprenderem e reavaliarem.

A cidade de Nova Iorque gerou assim uma nova coleção de artefactos, itens que, todos juntos, podem contar a história de uma época de crise e falar sobre os indivíduos que morreram e os que sobreviveram. Hoje, artefactos novos e antigos estão separados por um corredor no Museu da Cidade de Nova Iorque. Numa das salas, peças de Five Points ilustram o início da cidade e as pessoas que a construíram. Noutra, vestígios do 11 de setembro transportam a história de Nova Iorque para o século XXI, uma história de constante construção e destruição que está repleta de repetidos traumas e feitos heroicos.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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