O memorial épico da COVID-19 em Washington, numa fotografia deslumbrante

Foram tiradas 4.882 fotografias em 30 horas. Mais de 670 mil bandeiras representam as vidas americanas perdidas. Uma dor incalculável.

Publicado 4/10/2021, 12:13
Esta montagem fotográfica capta a passagem do dia até à noite na instalação de arte In ...

Esta montagem fotográfica capta a passagem do dia até à noite na instalação de arte In America: Remember, no National Mall em Washington. Cada bandeira representa uma vida americana perdida para a COVID-19.

Fotografia de Stephen Wilkes

Durante mais de 30 horas, o fotógrafo e Explorador da National Geographic Stephen Wilkes observou as pessoas a andarem pelo mar de bandeiras brancas no National Mall em Washington. Stephen observou crianças a curvarem-se com curiosidade para examinarem as pequenas bandeiras, ciclistas a deixarem as suas bicicletas de lado para observarem uma extensão de nove hectares, skaters a passar, pessoas que tiravam selfies – e transeuntes que se apercebiam lentamente que cada bandeira representava uma vida perdida para a COVID-19.

Nos dias 18 e 19 de setembro, começando antes do sol raiar e terminando após o pôr-do-sol, Stephen Wilkes tirou 4.882 fotografias da instalação de arte In America: Rememberuma exposição que visa transmitir a magnitude das vidas perdidas devido à pandemia nos EUA. Stephen e a sua equipa juntaram as fotografias numa só imagem integrada na sua série Day to Night.

“Uma das coisas que tentei captar foi a escala épica”, diz Stephen. “É quase impossível absorver tudo de uma só vez.”

Uma imagem mais aproximada da fotografia oferece um vislumbre de Suzanne Firstenberg, a artista que criou a instalação, enquanto esta se aproxima de um cruzamento com um chapéu azul e uma mochila.

Fotografia de Stephen Wilkes

Para captar a escala épica do memorial, Stephen passou dois dias elevado a quase 15 metros do solo num elevador – altura suficiente para ter uma visão aérea, mas baixa o suficiente para perceber os gestos e a linguagem corporal das pessoas. Stephen colocou o elevador propositadamente num determinado local porque queria que o Museu Nacional de História e Cultura Afro-americana (que se pode ver à esquerda da imagem com o sol a nascer por cima) fosse um ponto focal porque “muitos afro-americanos foram dramaticamente afetados por este vírus”.

A zona de passagem foi outro ponto focal que Stephen usou para atrair as pessoas para a imagem. Num acaso feliz, que Stephen atribui “à magia que às vezes acontece quando fotografo”, uma nuvem formou-se perto do Monumento de Washington. “O caminho transporta-nos pela imagem e as nuvens envolvem-nos.”

O ângulo da câmara foi fixo para que todas as fotografias fossem captadas de uma só perspetiva. Quando Stephen se apercebia de “pequenos momentos”, tirava uma fotografia.

Ao longo dos 13 anos em que embarcou no seu projeto Day to Night, Stephen fotografou muitos eventos significativos (posses presidenciais, a Marcha do Compromisso de 2020, a Volta à França) e lugares icónicos (Yosemite, Coney Island, o Muro das Lamentações em Jerusalém). Mas esta imagem foi diferente, diz Stephen, “porque se tratava de uma perda de vidas sem precedentes na história americana”.

Suzanne Firstenberg, a artista que criou a exposição, projetou a instalação para ajudar as pessoas a assimilarem os números devastadores. As pessoas que perderam um ente querido para a COVID-19 podem personalizar uma bandeira com o seu nome e uma mensagem, ou fazer uma solicitação através do site da exposição para um voluntário personalizar uma bandeira.

Quando os visitantes olham para estas bandeiras, Suzanne quer que pensem que aquela pessoa era um pai, uma mãe, um tio. A dor das famílias deve ser imensa, disse Suzanne dois dias antes de a exibição ser inaugurada no dia 17 de setembro. “Quer sejam colegas de trabalho, comunidades religiosas, vizinhos, todos estes círculos de tristeza rodeiam uma bandeira – e depois levantamos o olhar e vemos mais 670.000 bandeiras. Isto é algo que capta a essência da dor de uma família e expande isso para abranger toda a nação.

Quando estava a planear a exposição, Suzanne encomendou 630.000 bandeiras – preparando-se para aquele que pensava ser o pior cenário possível. Mas rapidamente percebeu que tinha de encomendar muitas mais. No dia da inauguração, o número de mortos nos EUA já ultrapassava os 670.000. Três dias antes da cerimónia de encerramento da exposição, que foi transmitida ao vivo no dia 3 de outubro, o número já era 693.000.

Teria sido fácil, diz Stephen Wilkes, criar uma imagem que mergulhasse na escuridão de tanta morte. Mas Suzanne Firstenberg criou a exposição para apelar à nossa humanidade comum. “Portanto, eu queria que a imagem refletisse o sentimento de esperança que queremos retirar disto”, diz Stephen. “É um momento de reflexão. E talvez um momento em que precisamos de estar unidos.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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