Os problemas e triunfos que moldaram 2021

Os fotógrafos da National Geographic documentaram o desenrolar de momentos cruciais, desde o assalto ao Capitólio dos EUA ao regresso dos talibã.

A polícia monta guarda no exterior do Capitólio dos EUA em Washington D.C., durante o comício “Stop the Steal” no dia 6 de janeiro. Os apoiantes do então presidente Donald Trump reuniram-se na capital do país para protestar contra a vitória do presidente eleito Joe Biden nas eleições de novembro de 2020.

Fotografia de Adam Ferguson
Publicado 14/12/2021, 11:56

Para muitas pessoas, 2021 foi melhor que o ano anterior. Os principais avanços feitos na luta contra a COVID-19 permitiram que milhões de pessoas saíssem do confinamento e regressassem a uma vida aparentemente normal. Muitos adultos regressaram ao trabalho, os alunos voltaram à escola e famílias e amigos reencontraram-se com abraços cautelosos e menos receio de propagar uma infeção.

A pandemia, como é óbvio, está longe de terminar e, devido a outras circunstâncias, 2021 também foi um ano repleto de traumas. Nos Estados Unidos, o caos começou a instalar-se na primeira semana do ano. No dia 6 de janeiro, milhares de pessoas invadiram o Capitólio dos EUA na tentativa de impedir a contagem dos votos eleitorais da eleição presidencial de 2020. Um polícia morreu devido a ferimentos provocados pelos agressores e cerca de 140 membros das forças da autoridade ficaram gravemente feridos durante a confusão, incluindo esfaqueamentos e  costelas partidas.

Nuvens de gás lacrimogéneo, gás pimenta e dos extintores usados como armas contra a polícia envolvem os apoiantes de Donald Trump durante o caos no Capitólio no dia 6 de janeiro.

Fotografia de Louie Palu

No dia 19 de janeiro, polícias de todos os Estados Unidos reuniram-se no centro de convenções em Washington para prestar juramento durante a tomada de posse presidencial que iria acontecer no dia seguinte. Milhares de polícias e militares estiveram no local para garantir uma transição pacífica de poder.

Fotografia de Nina Berman

Uma série de desastres naturais – muitos deles alimentados pelas alterações climáticas – atormentaram países pelo mundo inteiro. Os incêndios florestais atingiram partes da Europa, Sibéria, Canadá e oeste dos EUA. Durante uma vaga de calor histórica em agosto, os incêndios florestais na ilha grega de Evia destruíram habitações e forçaram os habitantes e turistas a fugir. No oeste dos EUA, os incêndios florestais na bacia do Lago Tahoe dizimaram 100.000 hectares e destruíram mais de 900 estruturas comerciais e residenciais. Enquanto isso, as chuvas que bateram recordes na Alemanha provocaram inundações por toda a região. No Haiti, um sismo de magnitude 7.2 matou mais de 2.200 pessoas.

Membros da fraternidade Phi Beta Sigma da Universidade Howard, em Washington D.C., participam numa longa tradição de formatura: um passeio coreografado ao longo da Sixth Street N.W. “É um rito de passagem”, diz Travis Xavier Brown (à direita), que se formou em teatro em 2021. A pandemia forçou a Universidade Howard a mudar para as aulas online, mas como os casos de COVID-19 começaram a descer, a escola optou por realizar uma apresentação presencial para as turmas de 2020 e 2021.

Fotografia de Jared Soares

Os alunos em Jacarta, na Indonésia, regressaram à escola em setembro com equipamento de proteção individual e obedecendo a protocolos rígidos de saúde. Esta mudança foi provocada por um “declínio no aproveitamento escolar” durante a pandemia, disse Nadiem Makarim, ex-Ministro da Educação da Indonésia. “Muitas crianças abandonaram a escola, sobretudo raparigas.”

Fotografia de Muhammad Fadli

Na frente geopolítica, as esperanças de um futuro democrático para o Afeganistão desapareceram repentinamente quando os talibã retomaram o país num ápice. Na Etiópia, a guerra civil e a seca geraram uma crise humanitária que ainda continua.

Hafiza, de 70 anos, olha pela janela de uma pequena casa perto de Faizabad, onde se refugiou depois de os talibã terem tomado a sua aldeia em 2019. Quando um dos seus quatro filhos se juntou aos talibã, Hafiza implorou ao seu comandante para o deixar regressar para casa. “Você deu dois filhos ao governo e um à milícia (anti-talibã). Este vai ser nosso”, respondeu o comandante a Hafiza.

Fotografia de Kiana Hayeri

Porém, apesar de tantas tragédias, houve um vislumbre de esperança. O Papa Francisco, num gesto histórico de reconciliação, fez a primeira visita papal ao Iraque, procurando “consolar os corações e curar as feridas” num país profundamente marcado por anos de conflito.

Nos EUA, os afro-americanos celebraram três marcos na sua luta pela justiça racial. Em Minneapolis, um júri considerou o ex-polícia Derek Chauvin culpado de todas as acusações pela morte de George Floyd. Em Richmond, na Virgínia, uma estátua do general confederado Robert E. Lee – que para muitos é um símbolo do passado racista da cidade – foi retirada após meses de protestos e batalhas legais. Em Tulsa, no Oklahoma, multidões reuniram-se no dia 31 de maio para comemorar o 100º aniversário do Massacre Racial de Tulsa, um evento que foi praticamente apagado da história durante décadas.

Uma multidão na George Floyd Square, em Minneapolis, comemora depois de ouvir o veredicto de culpado de Derek Chauvin no dia 20 de abril. O veredicto, que surgiu quase um ano depois da morte de George Floyd, gerou protestos internacionais contra a brutalidade policial.

Fotografia de David Guttenfelder

Da mesma forma, os nativos americanos fizeram progressos nos seus esforços para expor a história brutal dos internatos criados para assimilar à força as crianças indígenas. Após seis anos de pressão, os restos mortais de nove crianças Lakota que morreram na Pensilvânia há mais de um século foram devolvidos ao estado de Dakota do Sul e ficaram finalmente a descansar no seu solo ancestral.

Enquanto estes e outros momentos cruciais se desenrolavam pelo mundo inteiro, os fotógrafos da National Geographic estavam no local para documentar os eventos que moldaram as nossas vidas.

Depois de passarem um ano a ensaiar virtualmente, os membros da banda mariachi da Escola Secundária de Sharyland em Mission, no Texas, apresentam-se presencialmente pela primeira vez no dia 16 de setembro – o Dia da Independência do México. Esta maratona de um dia inteiro de espetáculos em várias escolas foi cansativa, mas os membros da banda estavam entusiasmados por finalmente tocarem juntos para um público real.

Fotografia de Christopher Lee
Esquerda: Superior:

Crianças em Tulsa levantam os punhos durante uma marcha de celebração do 100º aniversário do Massacre Racial de Tulsa. Em 1921, durante este motim que durou dois dias, manifestantes brancos mataram cerca de 300 negros e destruíram uma comunidade empresarial conhecida por Black Wall Street.

Direita: Fundo:

No campus da Universidade de Oklahoma, um mural que recorda o Massacre Racial de Tulsa é um lembrete visível de uma história que foi sonegada e contestada durante grande parte do século passado.

Fotografia de Bethany Mollenkof

Os restos mortais de seis crianças indígenas, que foram desenterrados no cemitério de um antigo colégio interno na Pensilvânia, foram enterrados na reserva Rosebud Sioux em Dakota do Sul. Uma guarda de honra vigia a cerimónia no dia 17 de julho. Os restos mortais de três outras crianças foram devolvidos aos seus familiares para um funeral privado.

Fotografia de Daniella Zalcman

Um membro dos jurados inspeciona os trajes coloridos das cavaleiras conhecidas por escaramuzas num rodeo mexicano, ou charreada, em Snelling, na Califórnia. As equipas de cavaleiras realizam complexas coreografias sincronizadas a cavalo enquanto montam de lado as selas em trajes ornamentados que pretendem imitar os trajes das mulheres que lutaram na Revolução Mexicana. Os trajes são avaliados tão criteriosamente quanto as suas capacidades de equitação, e qualquer desvio dos padrões estabelecidos pode resultar numa perda de pontos.

Fotografia de Natalie Keyssar
Esquerda: Superior:

O sismo de magnitude 7.2 que atingiu o Haiti no dia 14 de agosto provocou uma destruição generalizada e matou mais de 2.200 pessoas. Esta criança foi transportada de avião desde a cidade haitiana de Jeremie pela Guarda Costeira dos EUA e levada para um hospital em Port-au-Prince, a capital do país.

Direita: Fundo:

Na cidade de Jeremie, muitos edifícios coloniais desabaram durante o terramoto. Esta nação das Caraíbas, com uma longa história de instabilidade política, tem sofrido desastres naturais sucessivos, incluindo um sismo em 2010 que matou mais de 300.000 pessoas e quase destruiu Port-au-Prince.

Fotografia de Andrea Bruce

Na cidade etíope de Agula-e, as mulheres aguardam a distribuição de alimentos. Um conflito político entre o primeiro-ministro Abiy Ahmed e a Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) acabou por resultar numa guerra que provocou uma crise humanitária. Cerca de dois milhões de pessoas foram deslocadas e milhares acabaram por perder a vida. “Não temos comida, não temos medicamentos, todos os nossos bens foram saqueados”, diz Salam Abraha (ao meio). “Temos pessoas a morrer todos os dias.”

Fotografia de Lynsey Addario

O Papa Francisco é recebido no palácio presidencial em Bagdad pouco depois de ter chegado ao Iraque no dia 5 de março. Francisco foi o primeiro papa a visitar o Iraque. “Venho como peregrino, como peregrino penitente, para implorar ao Senhor  por perdão e reconciliação após anos de guerra e terrorismo, para implorar a Deus a consolação dos corações e a cura das suas feridas”, disse Francisco numa saudação ao povo iraquiano antes da sua visita.

Fotografia de Moises Saman

Cristãos iraquianos reúnem-se para orar nos arredores de Qaraqosh, em preparação para a chegada do papa. O pontífice pediu às pessoas para perdoarem os extremistas do ISIS que destruíram as suas igrejas e grande parte desta cidade que é tradicionalmente cristã.

Fotografia de Moises Saman

A Igreja Batista de New Shiloh em Mobile, no Alabama, realizou a sua primeira missa presencial desde o início da pandemia no domingo de Páscoa. O pastor Clinton Johnson começou e terminou a missa a incentivar a sua congregação a vacinar-se. “O vírus mata; a vacina não”, disse o pastor.

Fotografia de Natalie Keyssar
Esquerda: Superior:

Os marinheiros fenícios outrora governaram a antiga Sidon, agora a terceira maior cidade do Líbano. Este pequeno país mediterrânico foi uma história de sucesso económico na década de 1990, mas agora enfrenta uma das piores crises financeiras em séculos, de acordo com o Banco Mundial.

Direita: Fundo:

Mais de um ano depois da horrível explosão no porto de Beirute, as famílias libanesas continuam a lamentar a perda dos seus entes queridos. Hamze Eskandar, de 25 anos, era um dos soldados estacionados no porto quando toneladas de nitrato de amónio explodiram no dia 4 de agosto de 2020, matando Hamze Eskandar e mais de 200 pessoas. As três irmãs de Hamze Eskandar mostram o seu retrato e usam medalhões ao pescoço com a sua imagem.

Fotografia de Rena Effendi

Uma estátua do general confederado Robert E. Lee é removida do seu pedestal em Richmond, na Virgínia, no dia 8 de setembro. Desde 1890 que esta estátua de 12 toneladas se erguia sobre a Monument Avenue. A sua remoção, após uma decisão do Supremo Tribunal estadual, foi um motivo de alegria para as pessoas que se reuniram para testemunhar este acontecimento importante.

Fotografia de Amr Alfiky

A comunidade piscatória de Leeville, no Louisiana, foi fortemente atingida pelo furacão Ida, que chegou ao continente já em tempestade de categoria 4 no dia 29 de agosto.

Fotografia de Ben Depp

Uma habitante idosa de Evia, a segunda maior ilha grega, lamenta quando um incêndio se aproxima da sua casa no dia 8 de agosto. Os incêndios fustigaram tanto esta ilha que milhares de habitantes foram evacuados de barco.

Fotografia de Konstantinos Tsakalidis, Bloomberg via Getty Images

No dia 30 de agosto, bombeiros da unidade de Santa Clara tentavam proteger a região de Echo Summit, uma parte montanhosa da Califórnia a leste de Sacramento. O calor intenso e a vegetação seca rasteira criam condições para haver incêndios florestais de maiores dimensões e com maior frequência.

Fotografia de Lynsey Addario, NATIONAL GEOGRAPHIC

Pessoas dançam entre o fumo e as luzes numa festa de música eletrónica ao ar livre em Berlim, na Alemanha, em agosto. Até setembro, era necessário um teste COVID-19 negativo no mesmo dia para entrar em locais de espetáculos e noutros espaços públicos. A cidade ofereceu testes gratuitos a todos os cidadãos, e foram montados centros móveis de testagem junto aos espaços que exigiam testes. Com um aumento nos casos de COVID-19, as restrições estão novamente a surgir, incluindo regras que reduzem a lotação das discotecas e a apresentação de um teste negativo para permitir a entrada.

Fotografia de Ruben Salgado Escudero

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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