Estes artistas estão a reinventar a máscara facial

Com muita excentricidade e um foco na cultura global, uma exposição virtual reinventa o ícone sombrio da pandemia sob a forma de tela artística.

Por Cathy Newman
Publicado 9/03/2022, 11:20
 “Butterfly People”, do designer indiano Rahul Mishra

Uma exposição virtual com mais de 100 máscaras faciais inclui a “Butterfly People”, do designer indiano Rahul Mishra. As borboletas, diz Rahul Mishra, simbolizam os artesãos que transformam os seus gestos criativos em arte que se pode usar.

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A virulência da COVID-19 tornou a máscara literalmente no rosto da pandemia. Em resposta, museus de todo o mundo recolheram máscaras e outras roupas relacionadas com a pandemia, exibindo-as em exposições virtuais e reais.

A exposição global online Clothing the Pandemic, produzida pelo Comité de Figurinos do Conselho Internacional de Museus (ICOM), talvez seja a mais ambiciosa. Este comité inclui profissionais de museus associados às artes da moda.

As curadoras principais da exposição, Fahmida Suleman, Sarah Fee e Alexandra Palmer, do Museu Real de Ontário, entraram em contacto com 15 instituições para pedirem “emprestadas virtualmente” e exibir máscaras de todo o mundo. “São apenas máscaras, um objeto singular e pequeno que antes da pandemia fazia parte da indumentária usada pelos profissionais de saúde”, diz Alexandra Palmer. “Agora, as máscaras fazem parte do vestuário do nosso dia a dia.”

Uma máscara intitulada “Breath” torna visível o invisível: os “tentáculos” prateados ondulam em sincronia com a respiração do utilizador.

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A exposição Clothing the Pandemic incorpora as diversas facetas das máscaras faciais na “Era do Corona”, incluindo máscaras que passam mensagens políticas – como as máscaras do movimento Black Lives Matter e uma máscara anti-autoridade estampada com um dedo médio levantado, feita pelo artista-ativista chinês Ai Weiwei.

As declarações mais fortes talvez sejam as que refletem a herança cultural, incluindo uma máscara de tecido kente feita no Gana, máscaras de dança Chhau do leste da Índia e uma máscara de pele de salmão da artista indígena Crystal Worl, de Juneau, no Alasca. Tal como Crystal Worl escreve no seu blog, “os povos indígenas... são fabricantes de máscaras há séculos. As máscaras no Alasca foram e ainda são criadas como um meio de transferir valores culturais e o conhecimento de uma geração para a outra.”

Ainda assim, também há espaço para a criação irónica da designer de Toronto Helene Clarkson: uma máscara happy hour com uma abertura oculta para uma palhinha. Depois, ousamos dizer, há objetos lindos e de tirar o fôlego, como a máscara “Butterfly People” do designer indiano Rahul Mishra e a máscara de contas da artista Métis Lisa Shepherd.

A máscara "Happy Hour", da designer de Toronto Helene Clarkson, inclui uma abertura oculta para uma palhinha.

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“Fiquei muito feliz quando descobri que um objeto tão banal e ignorado pode trazer alegria e esperança”, diz Corinne Thépaut-Cabasset, presidente do comité de figurinos do ICOM e investigadora adjunta em Versalhes, que concebeu a ideia da exposição conjunta entre vários museus.

Algumas máscaras ressoaram profundamente com as próprias curadoras.

“Nasci com asma e nos primeiros anos da minha vida tive de usar um respirador, um objeto enorme de plástico colado ao meu rosto”, diz Sarah Rothwell, curadora de design moderno e contemporâneo dos Museus Nacionais da Escócia. “A ideia de que uma máscara se tornaria parte do meu vestuário diário trouxe de regresso memórias traumáticas da infância. Lembrei-me de como aquilo me fazia sentir claustrofóbica.”

A aquisição de Sarah Rothwell para o museu, também na exposição do ICOM, é de uma artista visual irlandesa que tem o apelido threadstories. “Tornei visível o invisível”, diz a artista sobre a sua máscara, intitulada “Breath”, uma balaclava de croché preta que faz lembrar o capuz de um carrasco. No seu vídeo de apresentação, os tentáculos prateados ondulam estranhamente quando são afetados pela respiração. E também percebemos a apreensão nos olhos da artista.

Esta máscara de pele de salmão foi criada por Crystal Worl, uma artista indígena sediada no Alasca. Crystal Worl apanhou o salmão, curtiu a pele e usou a carne para fazer uma refeição para a família, garantindo que nada era desperdiçado.

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“Respire profundamente”, diz um médico enquanto pressiona um estetoscópio no nosso peito. “Para e respira”, dizemos a um amigo sufocado pela ansiedade. Porém, barricados atrás de uma máscara N95, ansiamos por uma “lufada de ar fresco” e “espaço para respirar”.

O que não conseguimos ver pode magoar-nos. Quando a respiração, a essência da própria vida, se torna portadora de morte, uma máscara torna-se na fina margem que separa ambas – mas também na face da esperança.

Cathy Newman, ex-editora geral da National Geographic, é autora de Fashion e Women Photographers. Siga-a no Twitter.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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