Thomas Edison não inventou a lâmpada – mas eis o que fez

Com mais de mil patentes registadas em seu nome, as inovações deste lendário inventor ajudaram a definir o mundo moderno.

Publicado 21/04/2022, 16:13
Thomas Edison

Thomas Edison desempenhou um papel na criação de dispositivos revolucionários, como a câmara de filme, o microfone e o fonógrafo. Mas nenhum dos seus trabalhos é mais famoso do que as melhorias que fez à lâmpada, levando iluminação aos lares das pessoas pelo mundo inteiro.

Fotografia por George Pickow, Three Lions/Getty Images

Um contentor de produtos químicos a escoar. Um incêndio num vagão de comboio. Quando era jovem, a lista de razões pelas quais Thomas Alva Edison tinha sido demitido dos seus vários empregos parecia tão longa quanto a eventual lista de patentes que iria possuir.

Embora o futuro inventor tivesse ideias revolucionárias que mudariam o curso das indústrias que o contrataram e demitiram, este jovem tinha, nas palavras do seu obituário de 1931 no New York Times, “conquistado a reputação de operador [de telégrafo] que não conseguia manter um emprego.”

Contudo, Thomas Edison tornar-se-ia ainda mais famoso pela capacidade incansável de se aplicar com determinação – e o seu lema frequentemente repetido era o de que “o génio é 1% de inspiração e 99% de transpiração”. Thomas Edison iria inventar dispositivos que moldariam o mundo moderno – e aperfeiçoaria outras inovações revolucionárias. As suas melhorias na lâmpada, por exemplo, possibilitaram finalmente a iluminação de lares pelo mundo inteiro.

Descubra como é que o chamado “Feiticeiro de Menlo Park” alcançou uma reputação tão grande – e porque é que ainda é conhecido como um dos maiores inventores de todos os tempos.

Um jovem curioso

Nascido em Ohio em 1847, Thomas Alva Edison passou a infância em Port Huron, no Michigan, onde teve apenas uma breve educação formal. A sua mãe, ex-professora, ensinou-o em casa desde os sete anos de idade, e Thomas passava muito tempo a ler. As suas aventuras de infância incluíam experiências químicas ambiciosas na cave dos pais, eventos marcados por algo que o seu biógrafo caracterizou como “quase explosões e quase desastres”.

Aqui retratado por volta dos 14 anos, o jovem Thomas Alva Edison tinha ideias revolucionárias – que muitas vezes o distraíam das tarefas mundanas dos seus trabalhos diários.

Fotografia por SERVIÇO NACIONAL DE PARQUES

A curiosidade e o espírito empreendedor de Thomas Edison levaram-no a um emprego aos 12 anos de idade como “ardina vendedor” – um estafeta empregado pelas companhias ferroviárias para vender jornais, petiscos e outros produtos aos passageiros nos comboios. Mas Thomas Edison não se queria limitar a vender notícias, também as queria imprimir, e fundou e publicou o primeiro jornal alguma vez produzido e impresso num comboio em movimento, o Grand Trunk Herald. Thomas Edison também realizou experiências de química a bordo do comboio.

Quando tinha 15 anos, devido à sua capacidade única de ser demitido por arquitetar experiências e invenções na sua cabeça enquanto estava no emprego, Thomas Edison tornou-se telegrafista itinerante da Western Union, antes de se mudar para Nova Iorque, onde criou o seu próprio laboratório. O telégrafo acabaria por inspirar muitas das suas primeiras invenções patenteadas. Em 1874, aos 27 anos, Thomas Edison inventou o Telégrafo Quadriplex, que permitia aos telégrafos enviar quatro mensagens simultaneamente, aumentando a eficiência da indústria sem exigir a construção de novas linhas telegráficas.

Um esboço inicial de uma lâmpada feito por Thomas Edison no dia 13 de fevereiro de 1880. No ano anterior, este inventor tinha demonstrado a sua lâmpada de longa duração perante uma multidão de centenas de pessoas no seu laboratório em Menlo Park.

Fotografia por Fotosearch/Getty Images

A transformação em Feiticeiro de Menlo Park

Entretanto, Thomas Edison já se tinha casado com uma das suas funcionárias, Mary Stilwell, e juntos mudaram-se para Menlo Park, em Nova Jersey, em 1876. Esta área rural era o local perfeito para um novo tipo de laboratório que refletia o espírito inventivo e empreendedor do seu proprietário: uma instalação de pesquisa e desenvolvimento onde Edison e os seus “muckers”, como lhes chamava, podiam construir qualquer coisa que a sua imaginação evocasse.

Thomas Edison continuou a melhorar o telégrafo e, enquanto trabalhava numa máquina que conseguia gravar mensagens telegráficas, começou a pensar se este dispositivo também conseguiria gravar som. E também criou uma máquina que traduzia as vibrações produzidas pela fala em recortes num papel.

Em 1877, já com 30 anos, Thomas Edison ditou os primeiros versos de “Mary had a little lamb” para o dispositivo e tocou-as com uma manivela. Tinha acabado de inventar o que chamou de Fonógrafo Falante Edison. Nesse mesmo ano, Edison desenvolveu um transmissor de microfone melhorado, ajudando a refinar o telefone.

Esquerda: Superior:

Esta réplica com cerca de quatro metros de uma lâmpada incandescente está no topo da Thomas Edison Memorial Tower em Menlo Park, Nova Jersey. Esta lâmpada exigiu 2700 quilos de vidro, incluindo um esqueleto de aço de três toneladas, e demorou oito meses a ficar concluída.

Direita: Fundo:

Thomas Edison patenteou mais de mil invenções durante a sua carreira, incluindo o fonógrafo, a lâmpada elétrica e o microfone.

fotografias de Popperfoto / Getty Images

A lâmpada incandescente

O fonógrafo de Thomas Edison foi inovador, mas foi encarado principalmente como uma novidade. Contudo, Edison já tinha passado para outro conceito que iria mudar o mundo: a lâmpada incandescente.

As lâmpadas elétricas já existiam desde o início do século XIX, mas eram delicadas e de curta duração devido aos seus filamentos – a parte que produz a luz. Eram uma forma primitiva de luz elétrica, ou luz de arco de carbono, que dependia do vapor de hastes de carbono aquecidas a bateria para produzir luz. Mas tinham de ser ligadas à mão, e as lâmpadas eram intermitentes, emitiam ruídos e fundiam-se com facilidade. Havia outros projetos em desenvolvimento, mas eram muito dispendiosos e impraticáveis para serem implementados em grande escala.

Os projetos de Edison, por outro lado, eram baratos, práticos e duradouros. Em 1879, após passar anos a tentar melhorar obsessivamente o conceito das lâmpadas, Thomas Edison demonstrou uma lâmpada que conseguia durar um tempo recorde de 14 horas e meia.

“A minha luz está finalmente perfeita”, gabou-se Edison a um repórter do New York Times naquele ano. Quando as pessoas ouviram falar sobre a lâmpada, deslocaram-se até Menlo Park, e centenas viram o laboratório – agora inundado de luz elétrica – numa demonstração pública feita no dia 31 de dezembro de 1879.

A opinião [dos cientistas], bem como a opinião unanimemente expressa pelos que não eram cientistas, era a que Edison havia, na realidade, produzido a luz do futuro”, segundo o New York Herald.

Por sua vez, Lewis Latimer, um inventor negro, refinou a melhoria de Edison, tornando os filamentos das lâmpadas mais duradouros e trabalhando numa forma de fabrico mais eficiente. Enquanto isso, Thomas Edison estabeleceu uma concessionária de energia elétrica e trabalhou em inovações que tornariam a luz elétrica ainda mais acessível.

Esquerda: Superior:

Lewis Latimer, um dos primeiros inventores afro-americanos de que há conhecimento, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de muitas inovações modernas, incluindo a lâmpada. Lewis Latimer tornou o filamento de carbono da lâmpada de Edison ainda mais duradouro, envolvendo-o em papelão.

Direita: Fundo:

Um esboço de Lewis Latimer a trabalhar como consultor do engenheiro Edwin Hammer em 1912. Lewis Latimer trabalhou com as grandes mentes do seu tempo, incluindo Thomas Edison, Alexander Graham Bell e Hiram Maxim.

fotografias de CENTRO SCHOMBURG DE PESQUISA EM CULTURA NEGRA

Travar a ‘guerra’

As invenções de Thomas Edison tornaram-no mundialmente famoso – e deram origem a uma competição acérrima pelos sistemas de correntes elétricas. Os sistemas de Edison dependiam de corrente contínua (DC) – que só conseguia fornecer eletricidade a um enorme número de edifícios numa área densamente povoada. No entanto, os concorrentes de Edison – incluindo o inventor sérvio-americano Nikola Tesla e o empresário George Westinghouse – usavam sistemas de corrente alternada (AC), que eram mais baratos e conseguiam cobrir distâncias maiores no fornecimento de eletricidade aos clientes.

À medida que os sistemas de AC se espalhavam, Thomas Edison usou a imprensa para travar uma guerra contra George Westinghouse e Nikola Tesla, atribuindo mortes relacionadas à eletricidade AC e participando numa campanha publicitária que mostrava o potencial mortal da corrente alternada. A competição subiu de tom quando Thomas Edison financiou experiências públicas que envolviam matar animais com corrente AC. Mas o seu momento mais baixo aconteceu quando Edison, desesperado para garantir que a sua tecnologia prevalecia, financiou secretamente a invenção e a construção da primeira cadeira elétrica – assegurando-se de que funcionava com o sistema AC.

Apesar da sua campanha chocante contra a corrente alternada, Edison acabou por perder a guerra devido à realidade dos preços e à sua influência cada vez mais insignificante na concessionária de energia elétrica que ele próprio tinha fundado.

Os últimos anos de Edison

Em 1884, Mary morreu tragicamente de uma possível overdose de morfina. Dois anos depois, Thomas Edison, com 39 anos, casou-se com Mina Miller, de 20 anos. Enquanto passava o inverno em Fort Myers, na Flórida, o casal conheceu um homem que mais tarde se viria a tornar num dos colaboradores científicos de Edison – o pioneiro da indústria automóvel e fundador da Ford Motor Company, Henry Ford.

Durante a Primeira Guerra Mundial, tanto Henry Ford como Thomas Edison estavam preocupados com a forma como os Estados Unidos dependiam do Reino Unido para obter borracha, que era fundamental para os esforços de guerra. Edison, juntamente com Henry Firestone, que enriqueceu a vender pneus de borracha, fundaram uma corporação de pesquisa e um laboratório para investigar possíveis fontes nos EUA que pudessem produzir borracha. Apesar de Thomas Edison pensar que a região de Goldenrod na Flórida podia ser um bom substituto, o projeto nunca revelou uma fonte viável para produzir borracha nos EUA.

Thomas Edison continuou a ficar famoso através da sua energia aparentemente infinita para inovar e experimentar, algo que se estendeu desde o cinema – Edison abriu o primeiro estúdio de produção do mundo, conhecido por Black Maria, em 1893 – até à criação das estranhas bonecas falantes. Thomas Edison alegava que dormia apenas quatro horas por noite, não acreditava em exercícios físicos e supostamente subsistiu com uma dieta à base de leite e charutos durante anos. Eventualmente, Thomas Edison sucumbiu devido a complicações de diabetes em 1931, aos 84 anos.

A lâmpada incandescente de Thomas Edison – e as contribuições que Lewis Latimer fez no seu aperfeiçoamento – ajudaram a tornar a iluminação acessível no mundo inteiro, como acontece na oficina deste sapateiro em Agra, na Índia.

Fotografia por Amy Toensing, Nat Geo Image Collection

O legado de Thomas Edison

Recordado como o “Feiticeiro de Menlo Park”, a influência Thomas Edison pode ser vista atualmente na miríade de campos que influenciou. Desde o cinema à fluoroscopia e baterias, aparentemente não existe um recanto de inovação tecnológica que Edison não tenha tocado – e durante a vida registou 1093 patentes em seu nome só nos EUA.

Thomas Edison foi criticado em vida por algo que alguns consideravam ser uma abordagem negligente à inovação. Mas a energia interminável do próprio Edison para a invenção e a sua disposição para tentar seguir em frente a qualquer custo granjearam-lhe a reputação de uma das maiores mentes americanas.

“Cada lâmpada incandescente é uma lembrança sua”, escreveu o New York Times após a morte de Thomas Edison. “Cada central elétrica é um monumento seu. Onde quer que exista um fonógrafo ou rádio, onde quer que exista uma imagem em movimento, um filme mudo ou com som, EDISON vive.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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