Naufrágio de galeão espanhol lendário encontrado na costa de Oregon

Em 1693, um navio que transportava seda e cera de abelha das Filipinas para o México desapareceu misteriosamente. Agora, uma operação arriscada recuperou a madeira deste galeão – decifrando um enigma com mais de 300 anos.

Por Kristin Romey
Publicado 23/06/2022, 10:50
 equipas de busca e resgate

Arqueólogos, forças da autoridade e equipas de busca e resgate realizam a arriscada operação de recuperação de emergência de madeira de um naufrágio do século XVII na costa de Oregon. Acredita-se que esta madeira pertence ao Santo Cristo de Burgos, um galeão espanhol que desapareceu depois de zarpar das Filipinas em direção ao México em 1693.

Fotografia por Balazs Gardi, National Geographic

ASTORIA, OREGON – No dia 16 de junho, as autoridades estaduais confirmaram a descoberta de madeira do naufrágio de um galeão espanhol do século XVII na costa norte do estado de Oregon.

Os restos extraordinariamente raros do casco do navio foram removidos de cavernas marinhas perto de Manzanita no início deste mês, numa operação arriscada de recuperação de emergência que envolveu arqueólogos, agentes da autoridade e equipas de busca e resgate de várias agências locais e estaduais.

“Estou impressionado e aliviado”, diz Scott Williams, arqueólogo do Departamento de Transportes do Estado de Washington e presidente da Sociedade de Arqueologia Marítima (MAS), o grupo de voluntários que há 15 anos lidera uma busca por este naufrágio.

Acredita-se que os pedaços de madeira encontrados pertencem ao Santo Cristo de Burgos, um galeão espanhol que em 1693 navegava das Filipinas em direção ao México quando se desviou do rumo e desapareceu, provavelmente naufragando onde atualmente fica a costa do Oregon. A carga incluía produtos valiosos como seda, porcelana e blocos de cera de abelha para fazer velas.

A costa norte do Oregon é muito acidentada e, juntamente com a forte ondulação e as tempestades traiçoeiras, cria há séculos uma paisagem hostil para os marinheiros.

Esquerda: Superior:

Um bloco de cera de abelha do galeão Santo Cristo de Burgos apresenta uma marca distinta do seu proprietário.

Direita: Inferior:

Os pedaços de porcelana chinesa do período Kangxi (1661-1722) que chegaram à costa perto de Manzanita provavelmente são remanescentes da carga do galeão.

O Santo Cristo de Burgos era um galeão de Manila, uma espécie de embarcação robusta de madeira que percorria anualmente uma rota comercial entre as colónias espanholas nas Filipinas e no México, entre 1565 a 1815, período que assinalou a primeira era de um comércio verdadeiramente global. Estes navios europeus eram construídos em portos asiáticos por artesãos asiáticos com materiais asiáticos.

Curiosamente, apesar de uma longa atividade de 250 anos – sem esquecer a inevitável perda de navios de madeira que cruzavam os perigos do Pacífico – são poucos os naufrágios de galeões de Manila encontrados até agora. Os registos referem apenas três galeões encontrados na costa oeste das Américas – um em Oregon, outro na Califórnia e o terceiro em Baja México – mas ainda não tinham sido encontrados os restos de um casco.

O capitão Frankie Knight, da brigada de incêndios e resgate de Nehalem Bay, conduz uma mota de água enquanto o bombeiro Levi Hill (à esquerda) e o chefe da divisão, Jesse Walsh, protegem a madeira de um navio na costa norte do Oregon, perto de Manzanita, em junho de 2022.

Indícios de um navio afundado

Na costa do Oregon, o Santo Cristo é mais conhecido pelo nome “Naufrágio do Cera de Abelha” – um apelido que se deve aos distintos blocos de cera de abelha que continuam a dar à costa há séculos e foram comercializados pelas tribos nativo-americanas e depois pelos colonos anglo-europeus. Como as abelhas não são nativas das Américas – foram importadas da Europa no século XVII – a cera de abelha asiática era uma importação muito importante para as colónias espanholas, onde as velas de cera de abelha eram necessárias para realizar as missas católicas.

Mas também havia outros indícios de que um naufrágio estava escondido algures na costa, desde pequenos pedaços azuis e brancos de porcelana a pedaços enormes de madeira atirados contra as rochas ou enterrados na areia movediça. Até à década de 1920, era possível ver a secção do convés superior de um navio de madeira na foz de um rio perto de Manzanita. As histórias orais das tribos indígenas da região falam sobre um navio estrangeiro que naufragou há muito tempo, com uma tripulação que desembarcou e teve vários destinos.

Steve Jenevein, arqueólogo dos Estados Montanhosos, juntamente com Chris Parkins, diretor do programa de recursos do Departamento de Parques e Recreação do Oregon, e Scott Williams, presidente da Sociedade Arqueológica Marítima, envolvem madeira em dispositivos de flutuação antes de esta ser levada para a costa.

Esquerda: Superior:

A ponta de um barrote desgastado pela água emerge durante a maré baixa na costa do Oregon. Esta madeira foi recuperada e levada para o Museu Marítimo do Rio Colúmbia em Astoria, onde vai ser documentada e conservada.

Direita: Inferior:

Kyle Lent, arqueólogo da SEARCH Inc., uma empresa de gestão de recursos culturais, descansa durante a difícil travessia ao longo da costa durante a maré baixa. Os esforços de recuperação tiveram de ficar concluídos em 90 minutos, antes de a maré subir demasiado, podendo assim prender a equipa nas perigosas cavernas marinhas.

A montanha Neahkahnie, perto de Manzanita, ficou conhecida por “montanha dos mil buracos” depois de mais de um século de escavações por parte de caçadores de tesouros que tentaram sem sucesso encontrar as riquezas escondidas nas suas encostas. As histórias sobre naufrágios e tesouros têm desempenhado um papel proeminente na tradição costeira do Oregon.

“A descoberta dos restos do galeão confirma que os nossos antepassados sabiam do que estavam a falar”, diz Robert Kentta, diretor do departamento de recursos culturais das Tribos Confederadas do Siletz e membro do Conselho Tribal de Siletz. “As histórias orais eram contadas de uma forma que só podia representar a verdade.”

À medida que os colonos brancos iam chegando a esta costa dramática e escarpada, os relatos dos nativos americanos iam sendo tecidos com histórias cada vez mais fantásticas sobre riquezas escondidas. No final do século XX, as lendas locais sobre tesouros e galeões – e a caça pelos mesmos – apareciam regularmente nas páginas dos jornais do estado de Oregon. Estes relatos chamaram a atenção do cineasta Steven Spielberg e provavelmente inspiraram a sua ideia para o filme de 1985 Os Goonies, um filme de culto onde um grupo de crianças procura os tesouros de um galeão misterioso algures nesta costa inóspita do Pacífico.

Contudo, apesar de tanta conversa sobre tesouros, havia uma questão pertinente: saber exatamente onde – e como – ocorreu o Naufrágio do Cera de Abelha?

Uma gravura alemã de 1620 mostra galeões espanhóis no porto de Acapulco, no Pacífico. De 1565 até 1815, o comércio anual dos galeões de Manila entre as Filipinas e o México marcou a primeira era de um comércio verdadeiramente global.

Fotografia por Granger

Segredos de um tsunami

Em meados da década de 2000, um grupo de investigadores e membros da comunidade, incluindo Scott Williams, decidiu responder a esta questão, formando a Sociedade de Arqueologia Marítima (MAS). Os investigadores estudaram milhares de peças de porcelana chinesa recolhidas ao longo dos anos e determinaram que eram do período Kangxi (1661-1722).

A cerâmica chinesa e os blocos de cera de abelha asiática com marcações espanholas levaram a equipa a concluir que o Naufrágio do Cera de Abelha devia ser um dos dois galeões de Manila que desapareceram entre 1650 e 1750: o Santo Cristo de Burgos, desaparecido em 1693, ou o São Francisco Xavier, que desapareceu em 1705.

Ao início, os arqueólogos acreditavam que o naufrágio era o galeão São Francisco Xavier, desaparecido em 1705 – e tinham bons motivos para isso. Em 1700, um terramoto de magnitude 9.0 atingiu a Costa Oeste dos EUA, provocando um enorme tsunami. Se o Santo Cristo tivesse naufragado na região, o tsunami que varreu a costa poucos anos depois teria destruído tudo o que restava.

O pescador comercial e explorador local Craig Andes procura fragmentos de porcelana chinesa ao longo da costa do Oregon em maio de 2021.

Esquerda: Superior:

Uma secção que se acredita pertencer ao navio é tratada com uma solução para estabilizar a madeira encharcada no Museu Marítimo do Rio Colúmbia em Astoria.

Direita: Inferior:

Stacy Scott, arqueóloga do Departamento de Parques e Recreação do Oregon, segura em pedaços de porcelana que provavelmente foi transportada pelo galeão. “Temos a tarefa de proteger estes recursos. E chegamo-nos à frente para fazer o trabalho.”

Mais tarde, um estudo geológico revelou uma coisa surpreendente: a área perto do rio Nehalem, onde cera de abelha, porcelana e pedaços de um navio de madeira tinham sido encontrados, estava sob e dentro – e não acima – da camada de sedimentos deixada pela onda que se estimava ter quase oito metros de altura e que atingiu a costa. Isto significava que o misterioso naufrágio já devia estar no local quando o tsunami atingiu a região em 1700. Mas seria o Santo Cristo de Burgos?

Um catálogo sobre navios espanhóis publicado na década de 1930 – fonte que atualmente ainda é muito consultada por arqueólogos – afirmava que, segundo os registos espanhóis, o Santo Cristo ardeu algures no meio do Pacífico. Porém, o referido grupo de voluntários angariou dinheiro para financiar investigações nos exaustivos arquivos navais de Espanha, processo que acabou por contar uma história diferente. Apesar de a coroa espanhola ter procurado o galeão durante vários anos, o Santo Cristo de Burgos simplesmente desapareceu.

Os investigadores da Sociedade de Arqueologia Marítima ficaram assim bastante confiantes de que o Naufrágio do Cera de Abelha e o Santo Cristo de Burgos eram a mesma embarcação. Porém, conseguir identificar o paradeiro do naufrágio era ainda mais complicado. Para a Sociedade de Arqueologia Marítima, composta inteiramente por voluntários, isto significava mergulhar e pesquisar nos tempos livres em condições difíceis que podiam mudar num instante.

Madeira de um galeão permanece encravada entre as rochas na costa do Oregon. Os galeões de Manila eram enormes navios de carga — com cerca de 45 metros de comprimento e 15 de largura — ideais para maximizar a quantidade de mercadoria que podia ser transportada para vender ao longo do Pacífico.

Em 2019, as ferramentas de sensoriamento remoto desta sociedade detetaram alguns objetos na costa perto de Manzanita, que podiam ser os restos de um navio de madeira – ou simplesmente uma pedra estranha no fundo do mar. Embora não existissem evidências conclusivas, os investigadores concluíram que os destroços do Santo Cristo deviam estar algures no mar, dado que enviam um fluxo constante de cera de abelha e porcelana até à praia para gerações de exploradores descobrirem e ponderarem sobre o seu significado.

Crescer com os Goonies

Craig Andes é um destes exploradores, um pescador comercial que pertenceu a um “grupo de Goonies” – rapazes que cresceram a explorar a costa, inspirados pelas histórias de tesouros. Craig Andes começou a partilhar o seu conhecimento sobre os artefactos da região com a Sociedade de Arqueologia Marítima depois de ler sobre a caça dos voluntários ao Naufrágio do Cera de Abelha.

Craig tinha conhecimento da presença de pedaços de madeira nas cavernas marinhas, pedaços que ele tinha avistado pela primeira vez em 2013. Craig tinha observado atentamente a madeira e acreditava piamente que pertencia a galeões. E também ficou preocupado porque os pedaços mais pequenos corriam o risco de serem levados pela maré. Depois, em 2020, Craig Andes entrou em contacto com a Sociedade de Arqueologia Marítima e pediu à equipa para testar uma amostra da madeira.

“Eu estava convencido de que era madeira à deriva”, diz Scott Williams, o presidente da Sociedade de Arqueologia Marítima. “Pensar que madeira de navios com 300 anos conseguia sobreviver na costa do Oregon era uma loucura.”

A análise laboratorial revelou que a madeira tinha sido cortada de uma Anacardiaceae, uma espécie de madeira tropical encontrada na Ásia. A datação por radiocarbono indicou que a árvore foi derrubada por volta de 1650. Ambos os factos estavam alinhados com a composição e idade do Santo Cristo.

Esquerda: Superior:

A operação de recuperação teve restrições devido ao tempo limitado e dependeu dos olhos experientes dos arqueólogos regionais – para discernir a madeira das algas e dos detritos que enchem as cavernas marinhas.

Direita: Inferior:

Brodie (à esquerda) e Bill Cloud, pai e filho, membros da equipa de resgate do Gabinete do Xerife do Condado de Tillamook, fazem uma pausa durante breves momentos na costa do Oregon.

Durante o verão de 2020, os arqueólogos da Sociedade de Arqueologia Marítima investigaram as cavernas – acessíveis apenas pelo mar ou através de uma perigosa escalada sobre as rochas em marés extremamente baixas – e determinaram que a madeira era um “depósito secundário”, o que significa que não fazia parte do local de um naufrágio, tinha sido levada para a caverna possivelmente pelo tsunami de 1700.

Os arqueólogos também concordaram que a madeira corria o risco de ser arrastada para o mar, mas a sua extração da caverna marinha seria complicada e perigosa. A equipa teria apenas cerca de 90 minutos para documentar e remover a madeira antes de a maré subir e prender os arqueólogos na caverna. Como a operação de recuperação só podia ser efetuada em segurança por uma equipa de especialistas durante uma maré particularmente baixa, a equipa recrutou a SEARCH Inc., uma empresa de gestão de recursos culturais, para coordenar a missão. O projeto foi financiado em parte através de uma doação da National Geographic Society.

Um resgate perigoso

Depois de um ano de atrasos provocados pela pandemia de COVID-19 e devido ao clima imprevisível, algumas dezenas de pessoas reuniram-se ao nascer do sol no início da semana passada numa praia deserta para recuperar os restos do Santo Cristo de Burgos. Os agentes dos departamentos dos xerifes dos condados de Tillamook e Clatsop juntaram-se aos arqueólogos do Departamento de Parques e Recreação do Oregon, à Sociedade de Arqueologia Marítima e à SEARCH Inc., na arriscada corrida contra o tempo no interior de uma caverna marinha. Nadadores do Corpo de Bombeiros de Nehalem Valley circularam o local em motas de água, enquanto equipas com cordas monitorizaram a operação a partir dos penhascos mais acima.

O sol nasce numa manhã de junho, na costa do Pacífico do estado de Oregon. Embora a descoberta da madeira tenha confirmado que se trata provavelmente dos restos do Santo Cristo de Burgos, os arqueólogos vão continuar a procurar outras partes do naufrágio que ainda podem estar no mar.

A madeira foi recuperada em segurança e intacta, e a equipa sentiu uma sensação palpável de alívio. “Foi incrível realizar uma operação tão complexa, que só foi possível devido ao trabalho em equipa, à cooperação e ao profissionalismo excecional de todos os envolvidos”, diz Jim Delgado, investigador e arqueológo principal do projeto e vice-presidente da SEARCH Inc.

Craig Andes observou toda esta atividade a partir da praia, maravilhado com a coreografia complexa da operação. Tinha passado quase uma década desde que Craig avistou a madeira – e quando o primeiro e maior pedaço foi levado para terra, ele passou a mão carinhosamente pela sua superfície brilhante, apontando logo para o enorme buraco de um espigão. “Parece que ainda tem metal”, diz Craig.

Os pedaços de madeira estão agora no Museu Marítimo do Rio Colúmbia, em Astoria, onde serão cuidadosamente documentados e conservados. Cada pedaço de madeira vai ser digitalizado ao pormenor, e as digitalizações vão ser partilhadas com os especialistas em galeões de Manila pelo mundo inteiro para se compreender melhor como é que estes navios extraordinários eram construídos.

Ainda assim, esta despretensiosa coleção de pedaços madeira não se trata apenas de uma fonte de informação sobre os galeões de Manila, diz Jim Delgado. “Esta madeira também é a evidência física de histórias conhecidas e transmitidas há gerações.”

Chris Havel, porta-voz do Departamento de Parques e Recreação do Oregon, diz que a sua agência está ansiosa para saber o que os investigadores vão conseguir descobrir sobre a madeira recuperada, “para podermos partilhar estas notícias com as pessoas que visitam os nossos parques”. Porém, Chris Havel também alerta as pessoas para não arriscarem as suas vidas a tentar visitar as cavernas marinhas, que agora estão vazias.

“Os visitantes devem respeitar quaisquer sinais ou avisos, e abster-se de procurar artefactos ou levar qualquer coisa dos nossos parques para além das recordações de uma visita divertida e segura.”

A fonte da cera de abelha e porcelana que continua a aparecer ao longo da costa permanece algures no mar, e a Sociedade de Arqueologia Marítima vai continuar a sua caça submarina para encontrar mais vestígios do Santo Cristo de Burgos.

Enquanto isso, Scott Williams pede aos membros da comunidade local para ficarem atentos a qualquer “prova inegável” que consiga confirmar a identidade do lendário galeão, como por exemplo uma moeda ou qualquer item que tenha uma data ou um nome.

“Alguém pode ter estas coisas no sótão ou na cave”, diz Scott. Ou um explorador sortudo pode encontrar uma evidência decisiva após uma grande tempestade – “basta alguém olhar para baixo no momento certo”.

Balazs Gardi é um fotógrafo húngaro cujo trabalho explora as condições criadas pelo homem que ameaçam a existência da humanidade. Balazs tem acompanhado a guerra no Afeganistão e o longo alcance das consequências da crise global de água. O seu trabalho foi homenageado com o Prémio Bayeux-Calvados para Correspondentes de Guerra e o Prémio Visão Global da Pictures of the Year International. Para conhecer mais sobre o seu trabalho, pode encontrá-lo no Instagram.

Kristin Romey é redatora e editora sénior de arqueologia da National Geographic. Pode encontrá-la no Twitter.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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