O que é o Ano Novo Islâmico – e como é celebrado?

A chegada de uma nova lua crescente anuncia o início de um mês sagrado – e um período de luto e reflexão para muitos muçulmanos.

Por Erin Blakemore
Publicado 28/07/2022, 11:38
celebrações do Ano Novo Islâmico

Muçulmanos na Indonésia participam num desfile de tochas elétricas durante as celebrações do Ano Novo Islâmico, no dia 31 de agosto de 2019. O calendário lunar muçulmano, usado para calcular as datas das festas religiosas, é cerca de 11 dias mais curto do que o calendário gregoriano civil.

Fotografia por Eko Siswono Toyudho, Anadolu Agency, Getty Images)

Com a nova lua crescente a surgir hoje, dia 28 de julho de 2022, os muçulmanos de todo o mundo celebram o início do Ano Novo Islâmico, também chamado Ano Novo Árabe ou Hijrī. Para muitos muçulmanos, o Muharram, o mês sagrado que começa cada novo ano, é um momento de luto e reflexão.

Eis o que precisa de saber sobre as origens deste feriado, como é celebrado no mundo inteiro e porque é que acontece em meados de julho.

Origens do calendário lunar

O Ano Novo Islâmico acontece durante o primeiro mês do Hijrī, ou calendário lunar muçulmano. Embora os países de maioria islâmica sejam governados pelo calendário solar gregoriano, o calendário lunar é usado para calcular as datas das festas religiosas e observâncias importantes, como a peregrinação Hajj. Dado que o Hijrī depende dos movimentos da lua, o calendário muçulmano tem apenas 354 ou 355 dias, tornando-o cerca de 11 dias mais curto do que o calendário solar gregoriano, que tem 365 dias (ou 366 nos anos bissextos).

Umar I, o segundo califa muçulmano, instituiu este calendário em 639 d.C. em parte como uma tentativa mais ampla para padronizar e organizar a vida e as tradições islâmicas – e possivelmente para o calendário se diferenciar dos usados por outras religiões.

No Irão de finais do século XIX e início do século XX, os muçulmanos xiitas lamentavam a morte de Husayn ibn Ali, o neto do profeta Maomé que foi morto na Batalha de Karbala em 680 a.C.

Fotografia por Purchase gift of Leona Soudavar in memory of Ahmad Soudavar, Bridgeman Images

Umar definiu o início do calendário num aniversário importante: o verão de 622 a.C., durante o qual o profeta Maomé e os seus seguidores terão migrado em segredo de Meca, a cidade na Arábia Saudita onde o profeta nasceu, para Medina. Esta migração, também conhecida por Hégira, foi uma tentativa de escapar à perseguição religiosa, e esta data é amplamente considerada o início do Islão, tanto como religião organizada como instituição política.

Embora o calendário Hijrī tenha um ponto de partida distinto, os dias e horários em que os seus meses começam podem variar de acordo com a região, porque depende do primeiro avistamento da nova lua crescente.

Celebrar o Muharram

Em árabe, a palavra muharram significa proibido – uma alusão ao significado do mês. O Alcorão proíbe a guerra ou lutas durante o Muharram e durante outros três meses sagrados; os muçulmanos pelo mundo inteiro celebram o mês inteiro do Muharram com orações e tempo dedicado à família.

No entanto, as duas principais seitas religiosas do Islão celebram este primeiro mês do ano de maneira diferente. Estas diferenças podem ser rastreadas até à morte do neto de Maomé, Husayn Ibn Ali al-Hussein, em 680 a.C., durante uma batalha que preparou o terreno para um cisma entre muçulmanos xiitas e sunitas.

Atores participam na encenação da Batalha de Karbala do século VII, em Teerão, no Irão, no dia 19 de agosto de 2021. Conhecido por Ta'ziyeh, este espetáculo teatral tradicional celebra os eventos de Ashura, o 10º dia do Muharram.

Fotografia por Morteza Nikoubazl, NurPhoto, Getty Images

Conforme o mês começa, os muçulmanos xiitas fazem 10 dias de luto, culminando no Ashura, o 10º dia para lamentar a morte de Husayn al-Hussein. Alguns muçulmanos xiitas participam em marchas de luto neste dia; outros autoflagelam-se com as mãos, correntes ou até lâminas como uma forma de relembrar o sofrimento passado por Husayn al-Hussein. Apesar de alguns estudiosos muçulmanos acreditarem que esta prática dramática é permissível, outros dentro do Islão opõem-se à mesma e dizem que esta afeta as relações entre as duas seitas.

Enquanto isso, outros muçulmanos sunitas também celebram o Ashura com jejum e orações, mas fazem-no em homenagem a um jejum realizado por Maomé em Medina depois de este ter emigrado para o local. No entanto, não há consenso entre os estudiosos sunitas sobre se o jejum no Ashura é permitido ou não.

Para muitos, o mês do Muharram também é um momento para desfrutar de comida comemorativa. Os muçulmanos partilham arroz de açafrão especial com os enlutados em Garmsar, no Irão, e doodh ka sharbat, uma bebida láctea consumida em Hyderabad, na Índia, em memória da sede sofrida por Husayn al-Hussein e os seus seguidores durante a fatídica batalha.

Ao contrário do ano novo secular, o Muharram não é um momento para celebrações efusivas (ou fogo de artifício). Para as pessoas que o celebram, o ano novo Hijrī é um lembrete anual da passagem do tempo, da longa história do Islão – e da resiliência do povo muçulmano.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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