Quem eram os adoradores de Thor? É complicado.

Thor, um deus pagão dos elementos, tem uma identidade agora icónica. Mas quanto dessa identidade é uma invenção moderna – e quanto vem da antiguidade?

Thor Persegue os Anões, de Richard Doyle, 1878. As representações deste deus escandinavo têm variado ao longo dos séculos – mas alguns temas permanecem consistentes.

Por Simon Ingram
Publicado 13/07/2022, 12:51

De martelo na mão e relâmpagos ao seu dispor, Thor está classicamente associado às sagas escandinavas, a Asgard, Valhalla e aos vikings. O seu pai é Ódin, o seu lar celestial tem vistas sobre fiordes gelados e atualmente Thor é parecido com Chris Hemsworth. Contudo, independentemente da representação popular deste deus todo poderoso – que agora agita o seu martelo nos cinemas em Thor: Amor e Trovão – a sua representação histórica é complexa, misteriosa e até controversa. (A The Walt Disney Company é proprietária maioritária da National Geographic Partners.)

Nome do trovão

Etimologicamente, os académicos encaram Thor como um desenvolvimento de thunraz, uma antiga palavra proto-germânica para ‘trovão’, e foi nestas eras sombrias que a popularidade desta divindade se espalhou. Acredita-se que a adoração a Thor, ou algo semelhante, foi feita por tribos e culturas que se deslocaram pela Europa durante o Período de Migração – um período turbulento de mudança de poder e movimento maciço de pessoas entre o ano 100 d.C. e 500 d.C. que precipitou o colapso do Império Romano.

A capa de Edda em Prosa, um influente texto do século XIII de Snorri Sturluson, que juntamente com Edda em Verso captou muitas das mitologias orais dos séculos anteriores e contém os contos e personagens aos quais Thor está atualmente associado. O seu martelo Mjöllnir está retratado à esquerda, o segundo a partir de cima.

FOTOGRAFIA POR Alamy

Os romanos, como é óbvio, tinham a sua própria divindade dos elementos (Júpiter), assim como os gregos (Zeus) e os hindus védicos (Indra), entre muitos outros. Ainda assim, apesar de alguns aspetos deste personagem se terem afastado muito da origem – desde a sua primeira aparição no registo arqueológico – Thor tinha o seu próprio carisma distinto. Comparado com os deuses mais clássicos, Thor era pagão, adorado por grupos diferentes de pessoas fora das crenças predominantes e políticas da época.

Sabemos que a crença em Thor surgiu em Inglaterra após o século V, provavelmente levada pelos colonos germânicos. “Thunor ou Thonar foi levado pelos anglos e saxões”, diz a Dra. Carolyne Larrington, professora de literatura medieval europeia no St John's College da Universidade de Oxford e autora de The Norse Myths: A Guide to their Gods and Heroes. “Não sabemos exatamente como o veneravam – mas o seu nome aparece nos nomes de lugares no sudeste de Inglaterra.”

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No entanto, foi na Escandinávia, provavelmente no final do século VIII, que a adoração por Thor atingiu realmente o seu culminar – uma época que coincidiu com a ascensão dos vikings. Entre as várias divindades, Thor tornou-se numa espécie de super-herói – mas é difícil determinar quando é que o deus que conhecemos hoje como Thor deu a sua primeira martelada na consciência pública. Não há muitos registos escritos, e a cultura da escrita na Escandinávia só floresceu com a chegada do cristianismo. Outras fontes, porém, têm revelado vislumbres interessantes sobre o deus do trovão.

Uma das primeiras representações recuperadas de Thor é esta escultura que se presume representar o deus do trovão a pescar a ‘Serpente do Mundo’ – uma placa de bronze encontrada em Ostergotland, na Suécia. Estima-se que seja do século VIII.

“Temos uma imagem esculpida de Thor do século VIII em Gotland”, diz Caroline Larrington. “Obviamente não tem o nome ‘Thor’, mas é uma imagem que o ilustra a pescar a ‘Serpente do Mundo’, e sabemos através de uma história que sobreviveu [a Húsdrápa] que esta imagem deve retratar Thor”

Um culto muito prático

Porque é que os escandinavos consideravam Thor uma divindade tão fascinante – mais adorado do que Ódin – será que esta adoração se devia à influência que Thor alegadamente teria sobre vários aspetos importantes da sua cultura? “Ele era importante na era viking porque era o deus do clima, da navegação e dos agricultores”, diz Caroline Larrington. “Sobretudo para os noruegueses e islandeses, que é onde, a partir de evidências de topónimos, o seu culto parece ter sido mais pronunciado.”

Não se sabe exatamente qual foi a direção que a adoração por Thor tomou, o que temos é uma mitologia resplandecente em torno desta divindade, da sua personalidade e dos seus efeitos. Grande parte deste conhecimento está contido na saga Edda em Verso do século XIII – uma espécie de compêndio das mitologias nórdicas verbais e escritas dos séculos anteriores – e na Edda em Prosa, que não está relacionada, mas é igualmente venerável – esta última provavelmente foi compilada pelo estudioso Snorri Sturlson.

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Em Edda em Verso, Thor é retratado como um membro das divindades Æsir, filho de Ódin e marido da deusa Sif. A sua casa ficava nos campos de Þrúðvangr, a partir de onde defendia o reino dos deuses de Asgard. Quase sempre retratado como um homem forte e pronto para combater, com cabelo e barba ruivos, as histórias narram as aventuras muitas vezes heroicas e ocasionalmente cómicas de Thor – por vezes na companhia do deus travesso Loki – e fornecem um registo muito rico sobre o seu contexto mitológico.

A placa da vila de Thursley – a ‘lee’ de Thor, ou clareira – em Surrey, é mais uma das várias formas pelas quais o nome de Thor ficou associado à nomenclatura da vila, um sinal inconfundível de adoração ou reconhecimento.

FOTOGRAFIA POR Paul Doyle, Alamy

“Entre todos os deuses nórdicos, Thor parece ser o mais interessado nos humanos”, diz Caroline Larrington. “Ele tem alguns servos humanos e é frequentemente chamado ‘protetor da humanidade’ – isto tem que ver com as suas qualidades enquanto assassino de gigantes. Thor patrulha as terras a leste de Asgard, certificando-se de que os gigantes não invadem o mundo divino – ou o mundo humano.”

De acordo com as profecias, Thor iria morrer a lutar contra Jörmungandr, a ‘Serpente do Mundo’, um enorme monstro que rodeava a terra e mordia a própria cauda. Segundo a lenda, contada em Edda em Prosa, quando a serpente saísse desta posição, o reino dos deuses seria assolado por um cataclismo chamado Ragnarok. Nas histórias, Thor matou o monstro, mas sucumbiu ao veneno da serpente momentos depois.

Apesar de os registos sobre as façanhas de Thor serem escassos, o deus do trovão parece ter sido mais estimado pelos escandinavos do que todas as outras divindades que o seguiram – com um grau de profundidade que vai para além de uma mera divindade com traços cómicos. Tudo isto significa que há mais para descobrir.

“Muitos escandinavos incorporaram o nome de Thor no seu próprio nome – coisas como Thorbjörn, Thordis ou Thorbecke – ou seja, era obviamente mais importante a um nível bastante pessoal do que algumas histórias deixam transparecer”, diz Carolyne Larrington. “Os mitos atuais fazem-no parecer um pouco idiota, ou uma espécie de encarnação machista e violenta da masculinidade cuja única função era matar gigantes. Mas está bem patente, levando em consideração as evidências em torno dos nomes, que as pessoas tinham uma associação muito mais pessoal com Thor.”

Um martelo especial

Uma das coisas que se manteve consistente desde a primeira representação é a arma de eleição de Thor, que foi referida em tudo, desde amuletos viking a músicas dos Led Zeppelin – o Mjöllnir, ou ‘martelo dos deuses’ original.

Esquerda: Superior:

Outra representação de Thor a lutar contra a Serpente do Mundo – narrada na Húsdrápa de Edda em Prosa – uma gravura em pedra encontrada em Altuna, Uppland, na Suécia.

FOTOGRAFIA POR Interfoto, Alamy
Direita: Inferior:

A Pedra de Pesca de Gosforth, nome pelo qual é conhecida, é uma gravura do século X que está na Igreja de Santa Maria, na vila de Gosforth, em Cúmbria, e retrata Thor e Hymir a pescar a Serpente do Mundo. Esculpida na época dos vikings, esta imagem da mitologia nórdica demonstra a força da influência nórdica na Grã-Bretanha naquela época.

FOTOGRAFIA POR Stan Pritchard, Alamy

“Muitos escandinavos incorporaram o nome de Thor no seu próprio nome, ou seja, era obviamente mais importante a um nível bastante pessoal do que algumas histórias deixam transparecer.”

por CAROLYNE LARRINGTON

Na descrição apresentada em Edda em Prosa, o martelo Mjöllnir foi forjado por anões nas cavernas de Svartalfheim. O martelo era de ferro com uma haste inadvertidamente curta – porque o deus travesso Loki, disfarçado de inseto alado, picou o olho do anão que trabalhava no martelo, criando intencionalmente um erro que o iria fazer ganhar uma aposta. O martelo resultante continuava a ser uma boa arma, e Loki apresentou-o a Thor como um presente para ajudar a defender Asgard.

Os poderes do martelo eram variados: de acordo com as sagas, o martelo podia matar gigantes, abençoar terrenos agrícolas, realizar casamentos e ressuscitar os mortos. Quando era arremessado, dizia-se que regressava para as mãos de Thor, como se fosse um bumerangue.

O poder do Mjöllnir era tão colossal que, para os comuns mortais, as trovoadas eram consideradas os golpes do martelo a atingir os inimigos nos céus. A antiga palavra nórdica mjollnir pode realmente significar “relâmpago”, embora a fonte de origem desta palavra permaneça algo obscura – e ecoa em termos russos como molnija ou no eslavo antigo mlunuji, sugerindo uma fonte pré-germânica comum.

O martelo também parece ter servido um papel na sua adoração – mas este é outro aspeto sobre o qual sabemos muito pouco.

Thor representado pelo escultor Hermann Freund no ano de 1828. A popularidade de Thor nas histórias da Edda em Prosa cresceu no século XIX e levou a uma série de representações na arte e poesia.

FOTOGRAFIA POR Statens Museum For Kunst, Creative Commons

Este molde do século X, da coleção do Museu de Copenhaga, pertencia a um artesão que o usou para fundir crucifixos cristãos e pingentes do martelo de Thor, como nos dois exemplos à esquerda.

Acredita-se que os pingentes usados pelos vikings serviam de bênção durante as batalhas e possivelmente eram um ato subtil de provocação pagã contra o cristianismo, que estava em rápida expansão, e os seus crucifixos eram igualmente detalhados. “Temos um molde do século X na Dinamarca que permitia ao artesão usar uma extremidade para moldar os martelos de Thor e a outra para moldar crucifixos”, diz Caroline Larrington. “Era muito versátil. Tratava-se claramente de alguém que conhecia a sua clientela.”

Segundo Caroline, a partir das evidências islandesas, quando os missionários cristãos tentaram converter os escandinavos afastando-os dos seus deuses, “foi sempre Thor contra Cristo, nunca Ódin contra Cristo, ou Frejya contra Cristo. Thor era aquele que tinha de ser vencido pelas virtudes superiores de Jesus”.

Legado duradouro

A popularidade de Thor teve um ressurgimento no final do século XVIII, quando poemas épicos em alemão e escandinavo, bem como uma arte opulenta, retratavam cenas importantes da mitologia do deus do trovão.

“Thor regressou novamente no século XIX para satisfazer os discursos nacionalistas, quando os poemas e mitos sobre ele foram reeditados à medida que as pessoas os redescobriam”, diz Carolyne Larrington. “Foi estilizado como o protetor dos humanos contra as forças inimigas, e foi muito fácil fazer de Thor o protetor da Dinamarca, ou o protetor dos alemães, ou contra quem quer que fossem os inimigos políticos do momento.”

Para além do martelo, outro símbolo que se tornou dubiamente associado a Thor é a suástica. Muito antes de ser apropriada pelos nazis, a suástica representava boa sorte, ou força, e era amplamente utilizada pelas culturas indo-europeias muito antes da época de Cristo. A suástica também foi inscrita pelo aviador americano Charles Lindbergh no nariz do famoso avião Spirit of St. Louis, para lhe dar sorte durante a sua travessia histórica do Atlântico em 1927.

De martelo erguido a bordo da sua carruagem de cabras, a famosa pintura de 1872 A Luta de Tor Com os Gigantes, do pintor sueco Mårten Winge, retrata a divindade como um ser forte, viril e heroico, e esta obra foi criada num momento em que os deuses nórdicos estavam a desfrutar de uma nova popularidade. Apesar de inicialmente representar a vitória sobre o inimigo, a pintura foi vista mais tarde como um eufemismo para o nacionalismo, ou qualquer tipo de batalha ideológica. A aparência ariana de Thor e as suásticas no seu cinto – embora em 1872 não fossem um símbolo de ódio, mas sim do sol, fortuna e robustez – esta obra famosa seria mais tarde popular entre os extremistas que se apropriaram das imagens como uma forma de propaganda ideológica.

FOTOGRAFIA POR National Museum Sweden, Public Domain

A associação explícita da suástica a Thor é provavelmente uma criação do século XIX; uma pintura famosa que retrata a suástica no seu cinto mágico.

Esta representação ganha contornos desconfortáveis dada a infâmia moderna da suástica enquanto símbolo do nazismo – particularmente porque este e outros símbolos relacionados com a mitologia germânica, como o símbolo do triângulo Valknot de Ódin e a infame ‘runa’ das SS, foram apropriados pela extrema direita e grupos supremacistas brancos como símbolos ideológicos ou de ódio.

Em alguns casos, os próprios personagens e a sua efemeridade são usados como figuras simbólicas do ‘poder branco’ e para fazer propaganda, talvez para forçar uma associação com o misticismo – “para fazer uma ligação entre o passado mitológico e o presente nazi”, diz Caroline Larrington.

Um encontro da extrema-direita alemã em Schmidt-Knobeldorfer, no exterior da Prisão de Spandau, para assinalar o 31º aniversário da morte do braço-direito de Hitler, Rudolf Hess. As imagens que evocam a ética de batalha viking e personagens da mitologia nórdica – como esta imagem de uma figura parecida com Thor na t-shirt por baixo do lema ‘Tempo Trovejante’ – têm sido apropriadas por supremacistas brancos e pela extrema direita nos últimos anos. O ‘xamã’ da teoria da conspiração QAnon, Jack Angeli, que foi uma figura muito fotografada nos distúrbios do Capitólio dos EUA no início de 2021, exibia várias tatuagens – incluindo o martelo de Thor – que remontam à mitologia nórdica.

FOTOGRAFIA POR Craig Stennett, Alamy

Contudo, a trajetória de Thor iria sofrer uma reviravolta em 1962, quando os artistas Jack Kirby e Larry Lieber, sob a direção de Stan Lee da editora Atlas (mais tarde Marvel), reinventaram Thor como um super-herói de banda-desenhada – que fez a sua estreia na edição de agosto Journey into Mystery. Um ano depois, Thor tornou-se num dos membros fundadores do grupo de super-heróis os Vingadores – e desde 2011 já apareceu em dez filmes integrados no Universo Cinematográfico da Marvel.

“Tirando as coisas da Marvel, Thor ou é um tipo muito violento ou um deus um tanto ou quanto obscuro”, diz Carolyne Larrington, cujo próximo livro, intitulado Norse Myths that Shape the Way We Think, apresenta um capítulo sobre Thor. “A Marvel popularizou-o novamente, e transformou-o em alguém que pertence a uma família disfuncional, que está a lutar com a sua identidade e a tentar descobrir como se tornar responsável e sensato… creio que é um personagem com quem nos identificamos facilmente.”

Caroline acrescenta que este enredo, que se baseia fortemente em mitos, dá-nos a sensação de que Thor é bastante humano, mesmo que tenha poderes divinos. “É realmente interessante pensar na relação entre este jovem bem-intencionado, muito forte, poderoso e bastante atencioso com o tipo de forças políticas e fatais que giram em torno de si.”

O ator australiano Chris Hemsworth interpreta o papel de Thor e já apareceu em dez filmes da Marvel a encarnar este personagem mitológico. A reinvenção moderna de Thor começou em 1962, com a sua aparição na edição Journey into Mystery da Marvel.

FOTOGRAFIA POR Marvel, The Walt Disney Company

Herói por um dia

Para além da sua mitologia obscura e solicitação por parte da cultura popular, o nome de Thor também vive num metal raro (thorium), num roedor extremamente forte (Scutisorex thori, ou musaranho herói de Thor), em pelo menos duas aldeias inglesas (Thursley, em Surrey; e Thundersley, em Essex) e num míssil da era da guerra fria que formou a base para a dissuasão nuclear (o PGM-17 Thor) – e em muitos dos nomes próprios escandinavos modernos.

Mas talvez a presença mais difundida de Thor esteja na nossa vida quotidiana.

Quando os romanos estavam a nomear os dias da semana, associaram os corpos celestes aos dias – sendo que atualmente os mais reconhecíveis em inglês são Saturno (Saturday), a lua (Monday) e o sol (Sunday). A associação a quinta-feira (Thursday) foi feita com o planeta Júpiter e recebeu o nome latino Iovis.

Este planeta gigante também deve o seu nome ao deus romano do céu e do trovão. Após a queda do Império Romano, como os atributos e deveres de ambas as divindades eram semelhantes, as culturas germânicas que adotaram este calendário colocaram naturalmente o seu próprio deus do trovão, Thor, no lugar de Júpiter – tornando assim a quinta-feira, ou Thursday, no ‘Dia de Thor’.

Thor: Amor e Trovão está em exibição nos cinemas

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.co.uk

 

 

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