Reino da Pedra: aprender sobre o Jurássico em Portugal

Bem-vindo ao Reino da Pedra: as Serras de Aire e Candeeiro, onde existe o maior trilho de pegadas de dinossauro no mundo.

Por Catarina Fernandes
Publicado 20/07/2022, 16:32
Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém-Torres Novas

O Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém-Torres Novas, com pegadas que datam do Jurássico Médio.

Fotografia por Pedro Ferreira

Imagine um ser vivo com a altura de um prédio de seis andares a caminhar pelas serras de Portugal. Parece impossível? Atualmente, sim. Mas tal já aconteceu no Jurássico, quando dinossauros saurópodes caminhavam pelo que hoje conhecemos como as Serras de Aire e Candeeiros. Serras que muitos apelidam por “Reino da Pedra” e que recordam a presença destes gigantes dinossauros através das suas pegadas fossilizadas.

Viaje pela história geológica do nosso país e saiba o que este Reino da Pedra tem a contar sobre o Jurássico em Portugal. 

Onde é o Reino da Pedra e o porquê dessa adjetivação? 

O Reino da Pedra refere-se ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, uma área de 39 mil hectares que se situa entre os distritos de Leiria e Santarém, cerca de 100 quilómetros a norte de Lisboa. 

Reconhecido como área protegida desde 1979, o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros integra o sistema montanhoso Montejunto-Estrela, o mesmo onde se insere o ponto mais alto de Portugal continental, a Serra da Estrela.

Mas porque é que o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros é conhecido como o Reino da Pedra? Há mais do que um motivo para esta adjetivação. 

O Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém-Torres Novas localiza-se na povoação do Bairro, no extremo oriental da Serra de Aire. Contém um importante registo fóssil do período Jurássico, o qual inclui pegadas de alguns dos maiores seres que alguma vez habitaram o planeta - os dinossáurios saurópodes.

Fotografia por Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém-Torres Novas

A primeira prende-se com o maciço calcário que domina a paisagem. Olhando para áreas como o anfiteatro natural da Fórnea, podemos facilmente imaginar que aquela encosta ali mais parece uma longa escadaria natural.

A segunda razão relaciona-se com a falta de correntes de água à superfície, o que aumenta o domínio paisagístico da pedra. Mas engane-se quem pensa que o Reino da Pedra não tem água. Ela corre abundantemente pelo interior da serra. E isso leva-nos a mais um motivo que faz desta serra o Reino da Pedra: as suas grutas. 

As Serras de Aire e Candeeiros têm pelo menos 130 grutas identificadas onde dominam as estalactites e estalagmites. É nestas grutas, também elas um reino de pedra calcária, onde se abrigam os morcegos que tanto caracterizam as Serras de Aire e Candeeiros.

Por fim, é aqui, no Reino da Pedra, que se encontram alguns dos registos mais interessantes do período do Jurássico em Portugal: o maior trilho de pegadas de dinossauros saurópodes do mundo e vários fósseis de animais marinhos.

O Jurássico em Portugal: a história contada através dos fósseis do Reino da Pedra

Poderá ser difícil de imaginar, mas ali no alto da Serras de Aires e Candeeiros já houve um mar, conhecido como Bacia Lusitânica. Um mar que ia do Porto à zona da Arrábida em Setúbal. Os fósseis de amonites e pectinídeos que hoje encontramos no Reino da Pedra relembram-nos exatamente essa realidade. Tratam-se de dois moluscos marinhos que comprovam a existência de um ambiente marinho onde hoje são as Serras de Aire e Candeeiros.

Estes moluscos com casas às costas viveram durante o período Jurássico, um período que facilmente associamos aos dinossauros. E quanto a dinossauros, o Reino da Pedra continua a entusiasmar e a convidar à viagem pela história geológica do nosso país.

No flanco oriental da Serra de Aire, a 10 quilómetros de Fátima, há uma grande laje calcária plena de pegadas fossilizadas de dinossauros saurópodes com mais de 175 milhões de anos. Estas pegadas chegam a ter cerca de 1 metro de comprimento e 70 centímetros de largura, fazendo adivinhar o tamanho quase sobrenatural destes gigantes que chegavam a ter 20 metros de altura. Em comparação, a girafa que é o animal mais alto da nossa era atinge cerca de 5,5 metros. 

O que é que o Reino da Pedra nos ensina sobre o Jurássico em Portugal? 

A imponência das Serras de Aire e Candeeiros leva-nos a pensar que esta paisagem foi sempre assim. Mas o que a história geológica do Reino da Pedra nos ensina, principalmente com os fósseis do Jurássico, é que ali, onde hoje há serra, houve um dia um mar.

A paisagem portuguesa neste período era completamente diferente daquela que conhecemos hoje. Aliás, foi durante o Jurássico que o mega continente Pangeia finalizou o seu processo de separação, dando origem a outros dois mega continentes mais pequenos: a Laurásia (a norte) e o Gondwana (a sul). Toda esta história geológica está hoje presente na Serra de Aires e Candeeiros.

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