10 Coisas a saber sobre a descoberta do túmulo do rei Tut

Poucas pessoas acreditavam que o túmulo pudesse ser encontrado. Eis como a descoberta histórica do túmulo de Tutankhamon mudou a arqueologia e a nossa compreensão sobre o antigo Egito.

Por Brad Scriber
Publicado 25/10/2022, 12:30
Howard Carter

O túmulo do faraó Tutankhamon é conhecido pelas valiosas antiguidades que continha. Em 1922, Howard Carter e uma equipa que incluía muitos trabalhadores egípcios descobriram o túmulo no Vale dos Reis, perto de Tebas, no Egito. 

Fotografia por Universal History Archive, Universal Images Group, Getty Images

O túmulo de Tutankhamon, descoberto em 1922, continua a ser o túmulo de faraó mais imaculado encontrado até agora. Naquela época, os artefactos requintados do rei Tut e o seu elaborado santuário fúnebre cativaram o mundo e revelaram novas informações sobre o antigo Egito. Passado um século, esta descoberta continua a fascinar e a sua influência no campo da arqueologia é duradoura, bem como na identidade nacional egípcia. 

Porque é que a descoberta do túmulo deste jovem rei, que governou ao longo de menos de uma década, há cerca de 3.000 anos, teve um impacto tão duradouro? A resposta não se centra tanto em quem foi Tut em vida, mas sim no que aconteceu após a sua morte. O mais importante é perceber quando e como é que o seu túmulo foi encontrado. Eis dez coisas a saber sobre esta descoberta, porque foi tão importante naquela época e porque continua a ser relevante atualmente. 

1. O túmulo de Tut estava incrivelmente bem escondido. 

Os subúrbios iluminados de Luxor estendem-se em direção ao Vale dos Reis. 

O túmulo de Tutankhamon estava perto do centro do lotado cemitério de faraós chamado Vale dos Reis, a oeste da cidade de Tebas. Ao contrário dos sepultamentos nas pirâmides, que indiciavam a presença de grandes tesouros, estes túmulos eram frequentemente cobertos para os proteger de saqueadores. O túmulo de Tut acabou por ser encontrado debaixo de mais de 150.000 toneladas de rocha, incluindo os detritos de um túmulo escavado na encosta por cima desse. 

2. Poucas pessoas acreditavam que o túmulo pudesse ser encontrado.  

A busca por Tutankhamon era a busca de um verdadeiro crente. Os especialistas daquela época afirmavam que todos os túmulos do vale já haviam sido saqueados na antiguidade ou descobertos mais recentemente por arqueólogos. Um local de pouca relevância identificado erradamente como o túmulo de Tut estava entre os locais escavados. Tut também parecia ter sido um faraó de menor importância, com apenas alguns artefactos com o seu nome nos registos sobreviventes. 

3. Howard Carter recusou desistir. 

Imperturbado por aqueles que acreditavam que o túmulo não podia ser encontrado, Howard Carter (à direita) descobriu o túmulo de Tutankhamon em novembro de 1922. Nesta imagem, Howard Carter conversa com o seu financiador, Lorde Carnarvon, enquanto ambos caminham pelo Vale dos Reis. 

Fotografia por Press Portrait Service, David Cole, Alamy Stock Photo

O arqueólogo Howard Carter recusou a opinião predominante e continuou a sua busca. Howard liderou escavações durante anos, inclusive durante a Primeira Guerra Mundial, perdendo quase a fé e o financiamento do seu benfeitor inglês, o Lorde Carnarvon. Depois, em novembro de 1922, poucos dias depois de iniciar aquele que seria o último ano de escavações, a equipa encontrou o degrau mais alto de uma escada que levava ao túmulo. 

4. O túmulo de Tut já tinha sido arrombado. 

A porta escavada pela equipa na base da escada estava selada, mas o túmulo já tido sido assaltado duas vezes. Os roubos ocorreram logo após o sepultamento, cerca de 3.000 anos antes da descoberta feita por Howard Carter, com os ladrões a roubarem maioritariamente alguns objetos menores, como contas de pedras preciosas. As autoridades da antiguidade remendaram as aberturas na porta exterior com gesso e gravaram a porta com novos selos após o último assalto. A porta interior de um corredor inclinado também tinha sido partida e novamente selada. 

5. O túmulo real foi encontrado um tanto ou quanto desorganizado. 

Na primeira sala aberta por Howard Carter, a chamada antecâmara, muitos dos itens preciosos estavam desorganizados, provavelmente tinham sido empilhados à pressa pelos trabalhadores que restauraram o túmulo após o último assalto. A grandiosidade dos seus conteúdos, porém, ia muito para além das expetativas de Howard Carter. Ao olhar pela primeira vez para a sala, Howard disse que era “maravilhosa”. Assim que a poeira dissipou, Howard conseguiu ver com a luz de uma lanterna os diversos “animais estranhos, estátuas e ouro – o brilho de ouro por toda a parte”. 

6. A descoberta criou novos padrões para a arqueologia. 

Em 1922, trabalhadores removiam uma caixa com peças de uma carruagem do túmulo de Tutankhamon. O fotógrafo Harry Burton documentou a escavação do túmulo, estabelecendo novos padrões arqueológicos e permitindo ao mundo vislumbrar os vários tesouros de Tut. 

Howard Carter desenvolveu as técnicas que já tinha aprendido nos trabalhos anteriores e estabeleceu um novo padrão de meticulosidade e abrangência. O túmulo recebeu iluminação elétrica, que naquela época era uma ferramenta inovadora, antes de Harry Burton, o fotógrafo arqueológico de maior renome do mundo, registar todos os materiais. E antes de qualquer objeto ser movido, foram colocados cartões numerados individualmente por artefacto para fotografar e Howard Carter fez anotações detalhadas e esboços antes de embrulhar os tesouros já inventariados. 

7. Moldou a nossa compreensão sobre a história egípcia. 

Quase intacto, o túmulo ofereceu uma visão incomparável sobre este momento da história egípcia. Carruagens, armas, roupas e obras de arte refletiam os métodos de guerra e revelavam quem o Egito considerava inimigo. Os murais ilustravam crenças religiosas, incluindo o restabelecimento da reverência por Amon, que o antecessor de Tut havia desvalorizado. Os caixões imaculados ajudaram os arqueólogos a compreender melhor estas elaboradas práticas fúnebres. 

8. A “Tutmania” espalhou-se pelo mundo.  

Graças às fotografias detalhadas de Harry Burton dos artefactos e a uma imprensa mais global do que nunca, as notícias sobre esta descoberta incomparável chegaram ao público mundial. Até o rei e a rainha de Inglaterra estavam impacientes por atualizações. Os temas egípcios e relativos a Tutankhamon começaram a surgir na música, moda, arquitetura e decoração, e até mesmo em marcas de fruta. 

9. O Egito manteve o controlo sobre as antiguidades de Tut. 

Ao contrário de muitas outras descobertas feitas no Egito, os tesouros de Tut não saíram do país. O Lorde Carnarvon esperava conseguir reivindicar uma grande parte dos tesouros, como era habitual na maioria das escavações. Mas devido em parte à personalidade irascível de Howard Carter, mas sobretudo porque o Egito estava a defender a sua independência de Inglaterra no momento da descoberta, o governo egípcio insistiu para que todos os artefactos permanecessem no país. 

10. Tut continua a inspirar uma nova geração de arqueólogos. 

Howard Carter (agachado) a abrir o santuário interior do túmulo do rei Tutankhamon em 1922.

Fotografia por The New York Times Photo Archives, Redux

Na altura da descoberta, Tut tornou-se rapidamente um símbolo da identidade egípcia. Agora, os mais de 5.000 tesouros do túmulo de Tut vão ser a peça central do novo Grande Museu Egípcio, e cada vez há mais e mais egípcios a dirigir os trabalhos arqueológicos que estão a ser realizados no país. 

Tutankhamon foi um faraó influente, restaurando a importância dos deuses que o seu antecessor havia descartado, mas teve um reinado demasiado curto e não aparece de forma proeminente no registo histórico. Tut é mundialmente famoso passados 3.000 anos após a sua morte por o seu túmulo ser tão fascinante e estar tão preservado. 

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com 

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