De onde vem o amor e ódio por Cristóvão Colombo?

O “descobridor” da América passou de herói a vilão em poucos anos e a sua figura é um bom exemplo do debate sobre a forma como interpretamos o passado.

Cristóvão Colombo ajoelhado a segurar uma bandeira e uma espada ao desembarcar na ilha que rebatizaria de São Salvador em outubro de 1492. A Era dos Descobrimentos foi impulsionada pela doutrina religiosa que apresentava o cristianismo como uma força “civilizadora”.

Fotografia por Library of Congress
Por Anthony Coyle
Publicado 18/10/2022, 11:37

Em 2020, um ano depois de o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador ter exigido que Espanha pedisse desculpa pelos abusos cometidos durante a Conquista da América, o desmantelamento da estátua de Cristóvão Colombo no Paseo de la Reforma, na capital mexicana, foi uma espécie de colofão para uma vaga de remoções de monumentos que homenageiam o navegador italiano e que explodiu com o movimento Black Lives Matter. Este ano, Espanha celebrou novamente o Dia Nacional de Colombo a 12 de outubro, numa atmosfera inédita de tranquilidade mediática. No centro desta polémica e alvo de muitas das reações está a figura do navegador italiano, que liderou a primeira grande expedição europeia para pisar solo americano pela primeira vez a 12 de outubro de 1492.

Na última década, capitais como Bogotá, La Paz e Buenos Aires livraram-se das suas efígies de Colombo; muitos destes países celebram o dia 12 de outubro como o Dia de Colombo; nos Estados Unidos (com mais de 40 estátuas removidas desde 2018) este dia passou a chamar-se Dia de Solidariedade dos Povos Indígenas e, em muitos estados, esta efeméride já não é considerada feriado; em Caracas, uma estátua de Colombo foi condenada por genocídio em 2004. Atualmente, obter qualquer tipo de certezas sobre a figura do explorador que alegadamente descobriu o Novo Mundo tornou-se uma odisseia, e termos como presentismo, cultura de cancelamento e a chamada geração woke estão a fazer do revisionismo histórico um conceito líquido, difuso e complicado. Que certezas nos restam?

“O presentismo tem existido desde sempre”

Presentismo é o fenómeno que explica a estátua vandalizada do lorde de escravos Edward Colston em Bristol (no Reino Unido) ou o desmantelamento do monumento dedicado ao secessionista General Lee em Richmond, na Virgínia (EUA), para citar apenas dois exemplos. O presentismo, ou análise de eventos passados a partir das regras morais do presente, “não é uma novidade”, segundo Richard Kagan, professor emérito de história da Universidade John Hopkins (EUA), dado que há séculos que os historiadores selecionam os seus temas de acordo com as questões e preocupações contemporâneas – “e considerando a importância que o atual ciclo de notícias atribui às questões relacionadas com raça, clima, género, desigualdades sociais e económicas à escala global, muitos dos historiadores da atualidade também procuram oferecer novas perspetivas sobre estas questões do passado, quer seja mais recente ou distante”.

Isabel de Castela e Fernando II de Aragão, que foram casados durante 35 anos, uniram forças e fundaram a Monarquia Hispânica, o poder dominante nos séculos XV e XVI. Durante o seu reinado derrotaram o último reduto muçulmano na Europa Ocidental, culminando com a unificação religiosa da Península e lançando as bases para o que séculos mais tarde se viria a tornar Espanha, e iniciaram a era da exploração com o apoio dado a Cristóvão Colombo, lançando as bases para o que ficou conhecido na história por Império Espanhol.

Fotografia por Science History Images , Alamy

É um facto que, fora de Espanha, a imagem pública de Colombo tem sido degradada ao longo dos anos. E também no sistema de educação espanhol, onde suscitou recentemente alguma controvérsia porque um livro de filosofia do ensino secundário perguntava aos alunos se “o estado espanhol devia assumir responsabilidade pelo colonialismo”. Podemos até perguntar: Será que Colombo foi sempre estudado como um herói conquistador?

Precisamos de regressar à biografia de Cristóvão Colombo publicada em 1828 por Washington Irving para encontrar os primeiros fundamentos que moldaram a aura de heroísmo em torno de Colombo, diz Richard Kagan. “Colombo foi apresentado como um indivíduo progressista que estava determinado a superar o obscurantismo e a mentalidade retrógrada representada pelos professores de Salamanca que questionavam (com razão) que os cálculos de Colombo sobre o tamanho do globo eram muito superiores aos que ele imaginava.” Só na segunda metade do século XX é que os historiadores começaram a usar uma variedade de novas fontes de arquivo para prestar atenção a estas facetas no trajeto de Colombo, “desbastando assim a imagem heroica que Washington Irving tanto se esforçou para criar.”

Richard Kagan acredita que a preservação das estátuas ensina aos alunos as razões pelas quais foram erguidas (“é impossível apagar o passado, é melhor aprender com ele”) e salienta que, na Califórnia, os ataques e atos de vandalismo contra às estátuas de Juan de Oñate, em Albuquerque, e de São Junípero Serra, na Califórnia, “foram longe demais”. “É melhor usar estas estátuas como ferramentas de ensino para aprender sobre o passado e sobretudo sobre sociedades cujos valores, ideias sobre raça e religião, e também sobre as mulheres, eram vincadamente diferentes dos da atualidade.”

Algures entre estes dois pontos de vista extremos, Israel Alvarez Moctezuma, professor de estudos medievais da Faculdade de Filosofia e Letras UNAM (México) acredita que “anular o passado é um exercício de amnésia coletiva onde ainda não conhecemos as consequências; as estátuas de Colombo e dos esclavagistas ingleses não deviam estar no espaço público, mas sim num museu, porque fazem inegavelmente parte da nossa história, por muito dolorosa que esta seja”. Para Fernando Cervantes, historiador mexicano e professor de estudos da idade moderna na Universidade de Bristol, “rotular Colombo como um herói significa aceitar sem discernimento os postulados da teoria do progresso, segundo os quais Colombo fazia parte da trajetória racionalista e empírica que lançou os fundamentos da revolução científica e do Iluminismo”. Fernando Cervantes diz que a ideia de que Colombo era um personagem à frente do seu tempo, que lutava contra as visões obscurantistas e supersticiosas do mundo é um “mito flagrante”, bem como a ideia (“ainda amplamente aceite”) de que os contemporâneos de Colombo se opunham aos seus planos porque acreditavam que o mundo era plano.

Apesar de Colombo nunca ter colocado os pés na América do Norte, em julho de 2020, o presidente da Assembleia da Califórnia ordenou a remoção de um monumento erguido em 1883 a Cristóvão Colombo e Isabel, a Católica, argumentando que era “uma figura histórica profundamente polarizadora, dado o impacto mortal que a sua chegada a este hemisfério [o Oeste americano] teve sobre as populações indígenas”. Será que o revisionismo histórico está mais atual do que nunca, ou será que esteve sempre presente de uma forma ou de outra? Para Matthew Restall, historiador etnográfico e professor de história e antropologia latino-americana na Universidade da Pensilvânia (EUA), as nuances são muito subtis. “A escrita histórica tem sido sempre revisionista, sobretudo na história mais erudita. No entanto, a consciência sobre a natureza revisionista da história aumenta e diminui, e concordo que atualmente há mais consciência sobre este tópico. A chave para compreender o verdadeiro Colombo passa pela sua separação dos diversos Colombos que foram inventados após a sua morte, e que continuam a ser inventados. Herói e vilão são apenas duas dessas invenções”, diz Matthew Restall por email.

“Quanto mais Colombo se tornar num símbolo de eventos históricos importantes, mais irá atrair defensores e detratores apaixonados. Desta forma, as batalhas em torno de estátuas, monumentos e nomes de dias (Colombo contra os Povos Indígenas) não são realmente sobre Colombo, mas sobre uma miríade de outras questões.”

por MATTHEW RESTALL, HISTORIADOR ETNOGRÁFICO E PROFESSOR DE HISTÓRIA E ANTROPOLOGIA, UNIVERSIDADE DA PENSILVÂNIA

No final da década de 1990, devido aos inúmeros mal-entendidos que encontrava nas crenças dos seus alunos, Matthew Restall começou a escrever o livro Sete Mitos da Conquista Espanhola: “Percebi que a maioria dos alunos estava equivocada em relação ao tema mais importante (desde Colombo aos astecas e conquistadores à história mais ampla do imperialismo europeu nas Américas) e que estes equívocos (ou mitos, como os passei a chamar) estavam enraizados naquilo que os historiadores escreveram durante o século anterior, que por sua vez estava enraizado no que os espanhóis e outros europeus escreveram durante os séculos imperiais (XVI a XIX).” Na sua obra, Matthew Restall elabora a ideia de que o vilão não é a pessoa, mas o conceito – “a ideia, abraçada por milhões de pessoas, de que é justificável um grupo de pessoas invadir, massacrar, explorar e escravizar outro grupo”. Matthew também expõe a então inexistente nacionalidade espanhola, a crença de que a conquista foi executada sob as ordens de Fernando II de Aragão, a ajuda fundamental dada pelos aliados indígenas na expansão do império e o facto de alguns territórios nunca terem sido conquistados, entre outros temas. “Quanto mais Colombo se tornar num símbolo de eventos históricos importantes, mais irá atrair defensores e detratores apaixonados. Desta forma, as batalhas em torno de estátuas, monumentos e nomes de dias (Colombo contra os Povos Indígenas) não são realmente sobre Colombo, mas sobre uma miríade de outras questões.”

A instrumentalização da história como arma

Mathew Restall destaca a linha ténue que, uma vez ultrapassada, transforma o revisionismo histórico (“que segue estritamente as regras da evidência”) numa manipulação distorcida do método histórico ao serviço de objetivos políticos presentistas: “Embora existam muitos outros exemplos, o mais flagrante é a negação do Holocausto.”

O revisionismo histórico “não é apenas positivo, também é necessário”, diz Emilio Redondo, professor de história americana na Universidade Complutense de Madrid, “não há uma verdade histórica definitiva, é sempre provisória”, destacando também a importância das nuances: “Não deve ser censurado ou desqualificado como um mero presentismo o facto de agora haver uma maior sensibilidade a comportamentos pouco edificantes, comportamentos que há um século eram negligenciados nas grandes figuras históricas, assim como estas não devem ser expostas ao desprezo público ou cair no esquecimento”.

Cristóvão Colombo zarpou em 1492 do porto de Palos de la Frontera (em Huelva) com uma frota de três caravelas: Pinta, Niña e Santa Maria. Apesar de procurar uma passagem ocidental para a Ásia, Colombo desembarcou nas Américas, iniciando uma era de exploração e colonização europeia.

Fotografia por Color lithograph via Bridgean Images

Emilio Redondo destaca o facto de em Espanha o conceito de revisionismo histórico ter sido contaminado por determinadas conotações pejorativas, sobretudo no estudo tendencioso da Segunda República, da Guerra Civil e do franquismo. Neste sentido, Emilio considera o descobrimento da América (e o “boom editorial relacionado com o passado imperial hispânico”) mais um exemplo das narrativas instrumentalizadas. “É muito relevante que aqui o fenómeno revisionista tenha sido produzido com uma faceta dupla – por um lado, a glorificação acrítica deste passado imperial; por outro, a sua condenação incontestável a partir de uma perspetiva presentista. É neste esquema que se enquadra o atual jogo entre imperiophilias e imperiophobias, e que geralmente não parte da vontade honesta em compreender o passado, mas sim para justificar posições ideológicas no presente”. Prova disto, por exemplo, é a existência de simpósios organizados por dezenas de investigadores que alegam que Colombo era de facto catalão, ou que pelo menos falava a língua (segundo Estelle Irizarry, investigadora da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos).

“Quanto mais Colombo se tornar um símbolo de eventos históricos importantes, mais irá atrair defensores e detratores apaixonados. Desta forma, as batalhas em torno de estátuas, monumentos e nomes de dias (Colombo contra os Povos Indígenas) não são realmente sobre Colombo, mas sobre uma miríade de outras questões.”

por OLIVIA MUÑOZ-ROJAS, DOUTORADA EM SOCIOLOGIA, FACULDADE DE ECONOMIA DE LONDRES

Apesar de o papel da internet e das redes sociais na procura da liberdade de expressão ser inquestionável, Emilio Redondo sublinha o seu paradoxo, “porque estas mesmas redes sociais, que têm suscitado o debate público, são as mesmas que provocam a censura ou, no mínimo, a vociferação de opiniões diferentes sob a proteção do anonimato e do gregarismo que caracterizam estes meios digitais de comunicação em massa”.

Cultura do cancelamento e a geração woke

Segundo o dicionário de Oxford (que adicionou o termo Woke na sua edição de 2017), o adjetivo woke faz alusão a uma pessoa que está “alerta à discriminação e injustiças raciais ou sociais”. Esta palavra, paradoxalmente, vem com a inclusão de outro termo igualmente sensível: pós-verdade. A palavra woke, usada de forma pejorativa por, entre outros, o ex-presidente dos EUA Donald Trump (para ridicularizar a capitã da seleção de futebol feminino dos EUA), tornou-se na arma de eleição para o conservadorismo nos EUA, ou num título que emana orgulho. Este termo foi cunhado pelo The New York Times em 1962, e recentemente tem sido associado à eclosão de movimentos sociais relacionados com raça, género e orientação sexual, entre outras questões.

Pilar García Jordán, professora de história moderna e contemporânea da Universidade de Barcelona, acredita que o revisionismo histórico está mais presente na sociedade atual “devido à propagação da cultura woke na Europa e, com esta, a imposição progressiva de um pensamento cuja matriz se encontra na sociedade norte-americana; uma cultura que construiu uma estrutura teórica, alheia à cultura europeia, e que foi importada por alguns setores de uma determinada esquerda”. Pilar García Jordán acredita que, ao atribuir uma designação política que se baseia nas identidades das pessoas, “a luta de classes está a tornar-se numa luta de identidades”.

Pilar Jordán alega que a cultura woke tem alimentado a chamada cultura do cancelamento, “que se baseia no pressuposto de um bem comum, mas promove não apenas a supressão do indivíduo e alimenta a necessidade de atores individuais e representantes de instituições privadas terem de pedir perdão por eventos e processos ocorridos há centenas de anos, como também, em nome do chamado politicamente correto, pretende anular vozes dissidentes que ficam sujeitas a insultos e assédios, diz Pilar, dando como exemplo o que aconteceu em 2021 no Reino Unido com a filósofa Kathleen Stock que, após ter sido acusada de transfobia, abandonou o ensino na Universidade de Sussex.

Para a Dra. Kelly Elizabeth Wright, especialista em sociolinguística experimental no departamento de Ciências da Linguagem da Universidade da Virgínia (EUA), mudar é inato às pessoas, à linguagem e à vida (“nunca irá existir um mundo de certezas”) e a única coisa que podemos fazer é “agir de formas que se inclinem para a bondade” e, de seguida, passar de forma clara a mensagem “de que deixar erguidas as estátuas de indivíduos conhecidos por terem provocado danos distintos a comunidades que procuram um alívio desses danos não é algo que se incline para a bondade”. Kelly Wright está convencida de que nada é imutável e traça um paralelo entre a evolução da linguagem e a sua utilização para explicar realidades.

Kelly salienta que todos os indivíduos não normativos, quer sejam LGBTQ, deficientes ou sem-abrigo, foram mantidos afastados de todos os processos oficiais de criação de significado durante toda a história da impressão, até há cerca de 200 anos: “Foram os brancos que deram nomes aos céus. Designaram todas as partes do corpo. Deram nome a todos os lugares e a todas as coisas à sua própria imagem e não à das vidas que estavam a usurpar, cujas terras saquearam. O revisionismo histórico é praticamente tudo o que alguma vez existiu. Se me perguntar se é coerente estarmos a ver pessoas a derrubar estátuas e a recusarem-se a celebrar aqueles que matam, respondo com outra pergunta: O que devemos fazer quando descobrimos que fomos enganados?”.

Uma criança sentada num monumento dedicado a Cristóvão Colombo. Esta estrutura celebra o desembarque do navegador na cidade costeira de Aquadilla, em Porto Rico.

 

Fotografia por Charles Martin, National Geographic Creative

Resumindo, será que estamos condenados a viver numa revisão perpétua de eventos passados para nos ajudar a compreender melhor o presente? Será que entrámos numa espiral revisionista que se irá retroalimentar até ao final dos tempos? Alejandro de la Fuente, professor de economia e história da América Latina na Universidade de Harvard (EUA), acredita que esta espiral existiu desde sempre, e que na situação atual, tanto ao nível académico como nos media, estas realidades “têm de competir com outras narrativas que também circulam no espaço público; há mais oportunidades para pensar a história a partir de outras experiências e de outros projetos políticos”.

Na opinião de Olivia Muñoz-Rojas, doutorada em Sociologia na Faculdade de Economia de Londres, “um revisionismo histórico responsável seria aquele que procurasse contar a história e a experiência do maior número possível de pessoas, grupos e coletivos, oferecendo uma pluralidade de perspetivas sobre um determinado momento do nosso passado, sem priorizar nenhuma delas”. De acordo com a investigadora, os humanos têm tendência para desenvolver “uma sensação de excecionalidade” segundo a qual cada geração tende a sobrevalorizar a importância do seu momento histórico e a vê-lo, de certa forma, como um culminar do passado.

As viagens de Colombo e a subsequente conquista e colonização europeia da América é um dos processos históricos que mais mudou a história da humanidade. “O processo que Colombo iniciou na América foi atormentado por uma violência que se perpetuou ao longo do tempo, chegando aos nossos dias na forma de racismo estrutural e na desigualdade sofrida por milhões de pessoas nos países americanos”, explica Olivia Muñoz-Rojas. O que estamos a testemunhar “é uma reivindicação dos derrotados, dos oprimidos, dos silenciados”. Porém, Olivia sublinha que nem todas as conquistas do passado têm estas consequências no presente: “Não vejo muitos grupos a exigir o reconhecimento pelos crimes cometidos pelo Egito faraónico, por exemplo, ou pelo Império Romano, porque as suas consequências são menos palpáveis no presente.”


Este artigo foi publicado originalmente em espanhol no site nationalgeographic.es

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