História

ADN Revela Primo Humano Misterioso Com Dentes Enormes

Uma nova análise genética sugere que os hominídeos de Denisovan recentemente descobertos viveram na Eurásia durante milénios.

Por Michael Greshko

16 Novembro 2015

A análise de um dente de um fóssil da Sibéria revela que um povo misterioso, conhecidos como Denisovans, descobertos apenas há cinco anos, persistiram por dezenas de milhares de anos ao lado dos humanos modernos e do povo de Neandertal.

A descoberta sublinha que os nossos ancestrais Homo sapiens partilharam o continente Eurasiático com outras populações semelhantes às humanas. Durante centenas de milhares de anos, os humanos modernos viveram ao lado do povo de Neandertal, uma espécie irmã de hominídeos que se expandiu há cerca de 40,000 anos atrás. Os Denisovans aparentam ter partilhado esse território com eles também.

O novo estudo, publicado na segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, marca um passo importante para os cientistas, em perceber onde se encaixam os Denisovans na árvore genealógica humana.

Em 2010, equipas de geneticistas e antropologistas liderados por Svante Pääbo do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology anunciou estranhas sequências de ADN recuperadas de um osso de um dedo e de um molar encontrados na cave remota de Denisova, nas Montanhas Altai, na Sibéria.

“ É um local maravilhoso,” diz Pääbo, “por ser atualmente o único local no mundo onde sabemos que existem três grupos diferentes de humanos com histórias de vida muito diferentes.”O ADN previamente analisado do osso do dedo e do dente mostraram que os Denisovans deixaram a sua marca nos humanos modernos, contribuindo com cerca de cinco por ente dos genomas dos Melanesianos modernos, que vivem em Papua, na Nova Guiné, e noutras partes do Pacífico.

Primo Desaparecido

Mas os investigadores ainda quase nada sabiam sobre os hominídeos, a não ser que tinham existido e que tinham deixado uma sombra genética no presente. Quem eram os Denisovans? Durante quanto tempo estiveram nas Montanhas Altai? E teriam eles realmente tais dentes maciços ou os teriam os investigadores encontrado uma estranheza biológica?

Felizmente, a cave Denisova tinha mais para revelar sobre o assunto. Em 2010, os investigadores encontraram um segundo dente sábio, enterrado bem no fundo da caverna. A análise do dente calhou a Bence Viola, um antropólogo da Universidade de Toronto que tinha examinado o primeiro dente sábio Denisovan que inicialmente confundiu com o dente de um urso das cavernas, dadas as suas raízes espalmadas de grande dimensão.

Viola descobriu que os dois dentes eram compatíveis um com o outro e diferentes desses dos humanos modernos e do povo de Neandertal. —sugerindo fortemente pela primeira vez que os dentes largos eram parte do pacote Denisovan.

Embora seja difícil de dizer com que se pareceriam os Denisovans de dentes largos —os dentes sábios tiveram variadas formas —e há menos dúvidas que “os dentes largos com raízes grandes irão provavelmente requerer mandíbulas maciças,” diz Viola.

O Mistério do ADN

Os resultados também ressaltam a genética inovadora que os antropólogos estão a usar cada vez mais para puxar para trás o véu do tempo.“Este é um papel ótimo para representar a nova ciência de ponta da paleoantropologia,” diz Pontus Skoglund, um pesquisador de pós-doutoramento da Harvard University que não estava envolvido no estudo.Susanna Sawyer do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology lidera o esforço genético para descrever e datar a dente recentemente encontrado.

A sua equipa deteve-se sobre o ADN mitocondrial do dente, uma parte do material genético que se mantém melhor em fósseis ao longo do tempo.

Mas encontrar uma peça limpa de ADN Denisovan não era nada fácil. Sawyer e Pääbo tiveram de identificar e excluir a contaminação dos humanos modernos, bactérias modernas e antigas, e hienas antigas, que aparentavam ter rule out contamination from modern humans, modern and ancient bacteria, and ancient hyenas, which seem to have rondado durante algum tempo a caverna.

Uma vez que Sawyer tinha o ADN mitocondrial do novo dente em mãos, estava apta para verificar que este era realmente Denisovan. O novo ADN também permitiu a Sawyer reconstruir o genoma mitocondrial de antepassados comuns dos três indivíduos encontrados na caverna.

O ADN do antepassado comum forneceu à equipa uma base importante, calibrar um cronómetro genético que acumula mutações a cada tiquetaque. Os Denisovans que morreram mais ou menos na mesma altura que os antepassados comuns terão menos mutações nos seus genomas que os Denisovans atuais. Sawyer constatou que o dente recentemente descoberto tinha metade do número de mutações dos outros restos, sugerindo que era bem mais antigo.

Aa discrepância sugere que o Denisovan a quem pertencia o dente viveu cerca de 60,000 anos antes dos indivíduos que deixaram para trás o osso de um dedo e o outro dente. No mínimo, esta árvore genealógica miniatura, mostra que os Denisovans eram um único grupo biológico que esporadicamente habitava a região há tantos anos quantos têm os humanos modernos, no mínimo.

“O mundo nessa altura deve ter sido bem mais complexo do que se imaginava, ” diz Sawyer. “Quem saberá quantos hominídeos viveram e que efeitos tiveram em nós?”

Mas Com o Que é Que Eles se Pareceriam?

Os cientistas, no entanto, têm muito mais para aprender.

Para começar, os pesquisadores não sabem a idade exata dos fragmentos Denisovans, exceto que eles têm mais de 50,000 anos, as datas mais longínquas que a datação por radiocarbono pode fornecer de forma fiável.

E no que toca às ramificações atuais da árvore genealógica humana, as descobertas recentes parecem entrar em conflito com os estudos de 2010, que analisaram ADN encontrado em células ’ ADN do núcleo em vez de mitocondrial. O novo estudo sugere que os Denisovans não estão tão relacionados com os Neandertals como as descobertas anteriores indicavam.O facto dos cientistas não saberem quase nada sobre os Denisovans não ajuda em nada: com que se pareciam, como se moviam e comportavam. “Paradoxalmente, nós sabemos muitos sobre eles de um ponto de vista genético,” diz María Martinón-Torres, um antropólogo na University of College London que não estava envolvido no estudo.

Felizmente, devem haver mais Denisovans escondidos e espalhados pela Ásia, acidentalmente rotulados em museus como humanos ou Homo erectus, um antigo ancestral dos hominídeos. Em particular, os autores do estudo apontam descobertas recentes no Sul da China, onde os antropologistas descobriram dentes humanos que poderão ter, entre 80,000 e 120,000 anos de idade e que partilham caraterísticas modernas e antigas, tal como os dentes Denisovan.

“Eu não me surpreenderia se estes fossem Denisovans afinal, ” diz Martinón-Torres, que analisou os dentes Chineses.

Mas os pesquisadores não saberão ao certo se os Denisovans estão escondidos à vista de todos, até que se realizem outros testes genéticos.

“Parece um pouco surreal,” diz Sawyer. “Às vezes quando estou sentado na sala limpa, paro para pensar quão louco parece que eu esteja a segurar um dos únicos restos de um novo e misterioso grupo de hominídeos.”

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