História

Aqui Estão os Locais Antigos que o Estado Islâmico Destruiu

A destruição chocante na cidade Palmyra, na Síria faz parte da campanha em curso do grupo militante contra a arqueologia.

Por Andrew Curry

1 Setembro 2015

Os militantes Islamistas no Iraque e na Síria continuam a sua guerra na herança cultural da região da Síria, atacando lugares arqueológicos com escavadoras e explosivos.

O tão apelidado Estado Islâmico (ISIS) produziu um vídeo que chocou o mundo no mês passado, mostrando a destruição ardente do Templo de Baalshamin, uma das ruínas mais bem preservadas da cidade Síria de Palmyra. No último fim de semana, as explosões foram direcionadas a outro tempo em Palmyra, dedicado ao Deus antigo Baal; a agência United Nation diz que as imagens satélite mostram que o templo maior ficou bem mais destruído.

A destruição é parte de uma campanha publicitária que inclui vídeos de militantes escalando o Museu Iraquiano Mossul, com picaretas e marretas, dinamitando os santuários centenários Cristãos e Muçulmanos.

O ISIS controla grandes trechos da Síria, e do Norte e do Oeste do Iraque. Há pouco para impedir os seus militantes de pilhar e destruir locais que estão sob seu controlo numa região conhecida como o berço da civilização.

O grupo militante é apenas uma das fações lutando para controlar a Síria, onde uma guerra civil já originou 230,000 mortos e mais uns milhões de desalojados.

O grupo declara que a destruição de lugares antigos é motivada pela religião; Os seus militantes terão marcado célebres lugares antigos, sepulturas e santuários modernos pertencentes a outras seitas Muçulmanas, citando a adoração de ídolos para justificar as suas ações. Ao mesmo tempo, o ISIS usou a pilhagem como empreendimento para fazer dinheiro e financiar as operações militares.

“ É propagandista e sincero.” diz o historiador da Universidade de Colombia, Christopher Jones, tendo escrito uma crónica sobre os estragos no seu blogue. “Eles pensam que estão a recapitular a história antiga do Islão. u201d

Um guia para os lugares culturais que o ISIS estragou ou destruiu até então:

NA SÍRIA

PALMYRA

Palmyra prosperou durante séculos no Leste deserto de Damasco, como um oásis e paragem para as caravanas na Silk Road. Parte do Império Romano, era uma metrópole próspera e abastada. A cidade-estado atingiu o seu máximo nos finais do 3º século, quando era reinada pela rainha Zenobia e se rebelou contra Roma.

Zenobia fracassou e Palmyra foi reconquistada e destruída pelos exércitos Romanos em 273 d.C. As suas avenidas colunatas e os seus templos impressionantes, foram preservados pelo clima desértico e, no século 20 a cidade tornou-se num dos maiores destinos turísticos.
O ISIS apreendeu a cidade moderna de Palmyra e as ruínas antigas próximas foram apreendidas em Maio. Os militantes inicialmente prometeram deixar as colunas e os templos deste lugar intactos. Estas promessas estavam vazias: em Agosto, executaram publicamente Khaled al-Asaad, um arqueólogo sírio que supervisionou as escavações no lugar durante décadas, e penduraram o seu corpo sem cabeça numa coluna.

E o grupo divulgou no mês passado, fotos dos militantes manipulando o Templo de Baalshamin, com 1900 anos, com explosivos e fazendo-o desaparecer. Foi um dos edifícios mais bem preservados de Palmyra, originalmente dedicado ao Deus da tempestade Fenício. Agora não é nada mais que entulho.

Alguns dias mais tarde as explosões do Templo de Baal foram relatadas, uma estrutura próxima de ser uma das maiores daquele lugar e que uma agência das Nações Unidas diz ter sido arrasada.

O MOSTEIRO DO MAR ELIAN

O mosteiro cristão foi capturado em Agosto, quando os militantes do ISIS militants capturaram a cidade síria de al-Qaryatain próximo de Palmyra. Dedicada a um santo do século IV, foi um importante lugar de peregrinação e abrigou centenas de Cristãos Sírios. Escavadoras foram usadas para derrubar as suas paredes e o ISIS postou imagens da destruição no Twitter.

APAMEA

Uma cidade de comércio da Era Romana, Apamea, foi seriamente roupada desde o início da Guerra Civil da Síria, antes do aparecimento do ISIS. Imagens satélite mostram dezenas de minas escavadas ao longo da cidade; desconhecendo-se previamente que os mosaicos Romanos tinham sido escavados e removidos para venda. O ISIS diz que as vendas de artefactos antigos, originariam dezenas de milhões de dólares para financiar as suas operações.

DURA-EUROPOS

Uma povoação Grega no Euphrates, não muito longe da fronteira da Síria com o Iraque, de nome Dura-Europos, tornou-se mais tarde um dos postos avançados mais a leste de Roma. Hospedou a igreja cristã mais antiga do mundo alguma vez descoberta, uma sinagoga lindamente decorada e muitos outros templos e edifícios da Era Romana. Imagens satélite mostram uma paisagem cheia de crateras, dentro das muralhas de tijolos de barro da cidade prova da destruição alargada dos saqueadores.

MARI

Mari floresceu na Idade do Bronze, entre 3000 e 1600 d.C. Os arqueólogos descobriram palácios, templos e arquivos extensivos escritos em tábuas de argila que derramavam luz nos primeiros dias da civilização na região. De acordo com os relatórios dos habitantes e imagens de satélite, o lugar, especialmente o palácio real, está a ser roubada sistematicamente.

NO IRAQUE

HATRA

Construída no século III a.C, Hatra era a capital do reino independente nos arredores do Império Romano. A sua combinação de influências Gregas e Romanas na arquitetura com caraterísticas Orientais, testemunham a sua relevância como centro de comércio em Silk Road. Hatra foi nomeada Património Mundial da UNESCO em 1985.

Em 2014, Hatra foi dominada pelo ISIS e supostamente usada como um depósito de munições e campo de treinamento. Um vídeo lançado pelo ISIS em Abril de 2015 mostrou lutadores usando marretas e armas automáticas para destruir esculturas em vários dos maiores edifícios da cidade."A destruição de Hatra marca um ponto de viragem na terrível estratégia de limpeza cultural em curso no Iraque," a chefe da UNESCO Irina Bokova disse na altura.

NINEVEHA antiga Assíria foi um dos primeiros impérios, expandindo-se agressivamente ao longo do Médio Oriente e controlando um vasto trecho do mundo antigo entre 900 e 600 a.C. Os reis assírios governaram o seu reino a partir de uma série de capitais no que é hoje o Norte do Iraque. Nineveh era uma delas, florescendo dentro do Império assírio de Sennacherib por volta de 700 a.C. A determinada altura, Nineveh era a maior cidade do mundo.

A sua localização nos arredores de Mosul—parte de uma cidade moderna construída ao longo das ruínas Nineveh's ruins— colocaram-na na mira do ISIS quando o grupo assumiu a cidade em 2014. Muitas das esculturas desse lugar foram instaladas no Museu Mosul (ver entrada abaixo), e algumas delas foram danificadas durante a fúria pelo museu documentada neste vídeo. Os homens também foram mostrados a esmagar as estátuas, metade animal metade humanas, chamados lamassus no antigo Portão Nirgal em Nineveh. “Não temos a certeza que restou muita coisa para destruir em Mosul, diz Jones da Colômbia.

MUSEU MOSSUL E BIBLIOTECAS

Os relatórios da pilhagem nas bibliotecas e universidades de Mosul começaram a surgir quase tão rapidamente como o ISIS ocupou a cidade no verão passado. Manuscritos com cem anos foram roubados e milhares de livros desapareceram no mercado de arte internacional sombrio. A biblioteca da Universidade de Mosul foi incendiada em Dezembro. Nos finais de Fevereiro, a campanha do ISIS cresceu: a biblioteca pública central de Mosul, um marco histórico construído em 1921, foi cheia de explosivos e foi destruída, juntamente com milhares de manuscritos e instrumentos utilizados pelos cientistas árabes.

A queima de livros coincidiu com o lançamento do vídeo que mostrava lutadores ISIS furiosos pelo Museu Mosul, derrubando estátuas e esmagando os outros com martelos. O museu era o segundo maior do Iraque, depois do Museu do Iraque em Bagdad. Estátuas incluem obras-primas de Hatra e Nineveh.

Margarete van Ess, chefe do escritório iraquiano do Instituto Arqueológico Germânico, diz que um olho treinado pode detetar que cerca de metade dos artefactos destruídos no vídeo são cópias; a maioria dos originais estão no Museu do Iraque.

NIMRUD

Nimrud foi a primeira capital assíria, encontrada há 3200 anos atrás. A sua decoração rica refletiu o poder e a riqueza do Império. O lugar foi escavado inicialmente em 1840 por arqueólogos britânicos, que enviaram dezenas das suas massivas esculturas de pedra para os museus de todo o mundo, incluindo o Museu de Arte Metropolitana de Nova Iorque e o Museu Britânico em Londres. Muitos dos originais permaneceram no Iraque.

O lugar por si só é massivo: Uma parede de terra envolve 890 acres. O Ministério do Turismo e das Antiguidades iraquiano diz que o ISIS demoliu partes do lugar, mas a extensão dos danos ainda não é clara. Parte da cidade nunca foi descoberta e permanece protegida no subterrâneo protegida, espera-se.

KHORSABAD

Khorsabad é outra capital antiga assíria, a algumas milhas de Mosul. O palácio que lá existe foi construído entre 717 e 706 a.C. rei Sargon de Assíria. Os seus relevos e estátuas foram muito bem preservados, com vestígios da pintura original ainda a decorar representações de vitórias assírias e procissões reais.

A maioria dos relevos e das estátuas foram removidos durante as escavações Francesas em meados de 1800s e por equipas do Instituto Oriental de Chicago na década de 1920 e 1930 e estão agora no Museu Iraquiado em Bagdade tal como em Chicago e no Louvre em Paris. Não é claro qual era o algo do ISIS nesse lugar.

"Não temos fotografias que mostrem quão longe os estragos terão ido," diz Van Ess "A única informação até agora é de cidadãos locais e do Ministério das antiguidades Iraquianas."

MOSTEIRO MAR BEHNAM

Estabelecido no século IV, o mosteiro foi dedicado a um santo cristão antigo. O local sagrado, mantido desde os finais de 1800 por monges católicos sírios, sobreviveu às multidões Mongol em 1200 mas perdeu-se para os ISIS em Março. Os extremistas usaram explosivos para destruir o túmulo do santo e as suas esculturas e decorações elaboradas.

MESQUITA DO PROFETA YUNUS

A mesquita Mossul de Prophet Yunus foi dedicada à figura bíblica de Jonah, considerado um profeta por muitos Muçulmanos. Mas o ISIS aderiu a uma interpretação extrema do Islão que vê a veneração de profetas como Jonah como proibida. A 24 de Julho, os lutadores do ISIS evacuaram a mesquita e demoliram-na com explosivos.

Tal como muitos dos lugares iraquianos, a mesquita era uma camada da história, construída no topo de uma igreja cristã que, por sua vez, tinha sido construída num dos dois montes que compunham a cidade assíria de Nineveh.

IMAM DUR MAUSOLEUM

O Imam Dur Mausoleum, não muito longe da cidade de Samarra, era um espécime magnifico da arquitetura medieval e decoração Islâmicas. Desapareceu em outubro do ano passado.

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