História

Descoberta de Escola de Gladiadores Revela Vidas Duras dos Antigos Guerreiros

Os arqueólogos mapearam uma antiga escola de gladiadores, onde os famosos guerreiros viviam, treinavam e lutavam. Por Dan Vergano, National Geographic

Por Dan Vergano

25 fevereiro 2014

Os gladiadores da Antiga Roma viviam e treinavam em prisões fortificadas, de acordo com uma equipa internacional de arqueólogos que mapearam uma escola para os lutadores famosos.

Descoberta num campo arqueológico no exterior de Viena, na Áustria, a escola de gladiadores, ou ludus gladiatorius, é a primeira descoberta fora da cidade de Roma. Agora coberta sob um pasto, a escola de gladiadores foi inteiramente mapeada com tecnologias não invasivas de sensores.

A descoberta, relatada na tarde de terça-feira pela publicação Antiquity, clarifica o tipo de vida que estes antigos guerreiros famosos levavam durante o século II no Império Romano.

"Era uma prisão; eles eram prisioneiros”, afirma Wolfgang Neubauer, um arqueólogo no Instituto Ludwig Boltzmann para Prospeção Arqueóloga e Arqueologia Virtual que liderou a equipa do estudo. “Viviam em celas, numa fortaleza com apenas um portão de saída”.

A descoberta revela que até os gladiadores fora de Roma eram “bastante importantes”, afirma Neubauer. Pelo menos 80 gladiadores, provavelmente mais, viviam nas instalações de dois andares equipadas com uma arena de treino no pátio central. O local incluía piso aquecido para treinos de inverno, banhos, enfermarias, canalização e um cemitério adjacente.

Prisioneiros de Roma

Os gladiadores eram claramente escravos valiosos, afirma Neubauer, mantidos à parte e separados da cidade de Carnuntum, fundada no Rio Danúbio pelo Imperador Hadrian em 124 D.C. e, mais tarde, tornou-se num reduto romano.

"A descoberta feita em Carnuntum dá-nos uma impressão vivida como era viver e treinar como um gladiador na fronteira mais a norte de todo o Império Romano”, explica o especialista em gladiadores, Kathleen Coleman de Harvard, que não fez parte da equipa do estudo.

Apesar de mais de 100 escolas de gladiadores terem sido construídas ao longo do Imperio Romano, os únicos vestígios encontram-se em Roma, Carnuntum e Pompeia (que tinha pequenos terrenos privados para gladiadores). Dentro do complexo fortificado de 11.000 metros quadrados na Áustria, os gladiadores treinavam durante todo o ano para combater num anfiteatro circundante.

"Não eram mortos com frequência, eram valiosos demais”, afirma Neubauer. “Muitas outras pessoas eram provavelmente mortas no anfiteatro, pessoas que não estavam treinadas para lutar. E havia muito derramamento de sangue. No entanto, o objetivo do combate entre gladiadores era atuarem, não era matarem-se”.

Aposentos Apertados

Os gladiadores dormiam em celas de 3 metros quadrados, habitação para uma ou duas pessoas. Essas celas eram mantidas em separado da ala que continha as divisões maiores para os seus treinadores, conhecidos como magistri, sendo eles próprios sobreviventes de combates de gladiadores, especializados em ensinar estilos de armamento e luta.

"As semelhanças demonstram que os gladiadores eram alojados e treinados nas províncias da mesma forma que eram na metrópole [de Roma]”, afirma Coleman. O único portão de saída do complexo ia até ao anfiteatro público da cidade, considerado o quarto maior do império.

A prisão fortificada revela a imagem dos gladiadores a viajar de cidade em cidade num cenário semelhante a um circo, como é apresentado no filme “Gladiador”, estreado em 2000.

"Não eram uma equipa” diz Neubauer. "Cada um deles estava por conta própria, treinando para lutar e aprendendo sobre quem iriam enfrentar num local central que podemos ver nos destroços na nossa pesquisa”.

Neubauer espera continuar com iniciativas de mapeamento à superfície em Carnuntum, que tem revelado ter sido uma cidade surpreendentemente grande.

Análises aos ossos da campa de um gladiador em Éfeso, na Turquia, sugerem que os gladiadores comiam uma dieta maioritariamente vegetariana, denota Neubauer. A equipa espera poder realizar uma análise semelhante aos ossos do cemitério de Carnuntum, numa tentativa de explorar mais profundamente as vidas reais destes guerreiros antigos.

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