História

A Evolução Humana

Com todo o burburinho sobre o Homo naledi, o recém-descoberto antepassado humano, aqui está um enquadramento que ajudará a contextualizá-lo. Por Nadia Drake, National Geographic

Por Nadia Drake

11 setembro 2015

A descoberta do Homo naledi, um novo ramo na nossa árvore genealógica, levou as pessoas a falarem sobre a evolução humana – e a tentar recordar alguns dos conceitos básicos que esqueceram. Aqui estão respostas para algumas das perguntas mais frequentes.

Porque estão os cientistas tão certos que a evolução humana aconteceu?

Por inúmeras razões: partilhamos aproximadamente 99% da nossa sequência genética com chimpanzés e bonobos, o que sugere que partilhamos um antepassado comum; existem igualmente milhares de fósseis que documentam outras espécies semelhantes aos humanos na evolução da nossa linhagem, depois da separação dos outros grandes macacos e, mais tarde, dos chimpanzés e dos bonobos.

Os biólogos observaram inclusive a evolução noutras espécies, tanto no terreno como no laboratório – o surgimento recente de micróbios resistentes aos antibióticos é uma forma de evolução. E os criadores de animais fazem a evolução acontecer a toda a hora: lembre-se da enorme variedade de cães que foram criadas a partir de lobos.

A evolução discorda da Bíblia?

Se tivermos uma interpretação literal da bíblia, sim. A evolução contradiz a história do Genesis em que Deus criou todos os organismos na forma que eles existem hoje. No entanto, é possível acreditar em Deus sem acreditar que tudo na bíblia é literalmente verdade.

Como funciona então a evolução? O ADN que compõe os nossos genes e os de todos os organismos na Terra, à exceção de alguns vírus, está sujeito a mutações. De vez em quando, uma dessas mutações afeta uma caraterística importante, como a cor da pelagem de um animal ou um comportamento específico. Os criadores de animais criam animais de uma forma seletiva, escolhendo as características que lhes interessam; essa é a seleção artificial. Na natureza, a seleção é feita pelo meio onde o animal vive – ou pelo sexo oposto.

Se um animal nasce com uma pelagem que lhe possibilita maior proteção contra os predadores, por exemplo, poderá viver mais tempo e conceber mais descendentes. Se um ritual de corte mais longo atrai mais os machos, isso pode levar a um maior sucesso reprodutivo. Com o passar do tempo, essas mutações favoráveis expande-se entre uma população e muda a sua aparência. Ocorrendo durante tempo suficiente, pode até dar origem a uma nova espécie.

Quais são os maiores marcos da evolução humana?

A linhagem humana divergiu da dos macacos há pelo menos sete milhões de anos atrás e talvez até mesmo há 13 milhões de anos. O primeiros membros da nossa linhagem que sem qualquer dúvida andavam verticalmente, foram os Australopitecíneos, cujo o mais famoso é a espécie da Lucy, o Australopithecus afarensis. (A própria Lucy é datada de há 3.2 milhões de anos atrás). O mais antigo fóssil atribuído ao nosso género – o Homo – data de há cerca 2.98 milhões de anos e foi documentado apenas este ano. A capacidade de fazer ferramentas de pedra foi considerada, em tempos, como o cunho do nosso género. No entanto, pensa-se que as ferramentas de pedra mais antigas datam de há 3.3 milhões de anos. Ou foram feitas por Australopitecíneos semelhantes à Lucy, ou os cientistas ainda não encontraram a forma mais antiga de Homo que as fez. Como os Australopitecíneos, os primeiros elementos da espécie Homo, como o H. erectus e o H. habilis caminhavam sob duas pernas.

Existe um grande debate sobre em que altura os nossos antepassados dominaram o fogo – pode ser entre os 1.8 milhões até 800.000 anos atrás. De acordo com uma teoria, a invenção da culinária permitiu-nos obter mais energia através da carne, o que impulsionou a evolução impressionante evolução do cérebro humano. Cérebros maiores e mãos mais habilidosas, por sua vez, foram um pré-requisito para o desenvolvimento que diferenciou os humanos, incluindo a linguagem complexa, a arte e a agricultura, tendo todas elas emergido nos últimos 100.000 anos.

Onde é que tudo isto aconteceu e porque interessa saber?

Tanto as evidências genéticas como as fosseis demonstram que até há relativamente pouco tempo, a evolução humana ocorreu em África. Se o género Homo emergiu no sul ou no este de África, é incerto. Saber onde a nossa espécie evoluiu interessa pois o meio a que se adaptou ajudou a configurar as características genéticas que ainda carregamos connosco hoje em dia. De onde viemos é o primeiro capítulo de uma longa história sobre como chegámos onde estamos hoje.

Há cerca de 60.000 anos atrás – mais uma vez segundo as evidências fosseis e genéticas – o homem moderno migrou de África e colonizou o mundo. As evidências genéticas sugerem que logo após a saída de África, em certa medida procriaram com os Neandertais e com uma população misteriosa da Ásia, os Denisovanos. O Homo sapiens é atualmente a única espécie humana na Terra, mas isso acontece apenas desde há cerca de 30.000 anos.

Porque não descobriram os cientistas o elo de ligação que falta entre nós e os macacos?

Porque não existe. Os chimpanzés (e os outros macacos) não evoluíram para humanos. As duas linhagens descendem de um antepassado comum e seguiram caminhos separados. A pergunta que interessa é: qual foi o último antepassado comum, o progenitor desconhecido dos chimpanzés e dos humanos? Não sabemos ainda.

A evolução já terminou, para nós e para os macacos?

Certamente que não. Os humanos continuam a evoluir, mas a evolução agora é tão direcionada pela nossa cultura e pela tecnologia que inventamos, como é pela biologia. Os outros animais, incluindo os macacos, continuam também a evoluir – especialmente agora, em resposta às enormes mudanças causadas pelos humanos no seu meio.

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