História

Mulher da Idade do Bronze Tinha uma Surpreendente Vida Moderna

Os restos surpreendentemente bem preservados da rapariga Egtved de há 3.500 anos revela as suas viagens como uma mulher de alto estatuto dos seus dias.

Por Brandon Keim

21 Maio 2015

Embora ela tenha morrido há cerca de 3.500 anos, a menina Egtved conta uma história surpreendentemente moderna.

Uma nova análise da iconica mulher da Idade do Bronze, cujos restos bem preservados foram descobertos perto de Egtved, na Dinamarca, em 1921, sugere que ela nasceu noutro lugar e viajou muito durante a sua vida.

Longe de ser do tipo dona de casa, a rapariga Egtved incorpora um certo cosmopolitismo móvel.

“Temos a perceção de nós mesmos hoje em dia como pessoas muito desenvolvidas e que a globalização é nova,” diz Karin Frei, uma arqueóloga do Museu Nacional da Dinamarca e principal autora do novo estudo, publicado quinta-feira em relatórios científicos. “Mas quanto mais olhamos para a pré-história, mais conseguimos ver que eles já eram globais.”

Frei especializou-se em análise de variações subtis na composição das moléculas de estrôncio, um elemento amplamente distribuído nos alicerces da Terra e que se acumula em tecidos animais e vegetais. As variações diferem de um lugar para o outro, criando assinaturas locais reveladoras que atuam, diz Frei, “como um GPS geológico.”

Ao comparar vestígios de estrôncio da menina Egtved com locais específicos de assinaturas de estrôncio em toda a Europa do noroeste, foi possível determinar onde ela viveu em diferentes fases da sua vida. As assinaturas de estrôncio nos seus dentes, que foram depositadas na sua infância, mostram que ela provavelmente nasceu no que é hoje o sudoeste da Alemanha, a cerca de 500 milhas de distância.

A localização exata é difícil de identificar, mas a fibras de lã nas roupas da rapariga Egtved — incluindo um conjunto saia-blusa que não iria ser antiquado hoje em dia — parece ser originário da Floresta Negra da Alemanha.

“Ela é uma grande figura na identidade Dinamarquesa, alguém cuja história as crianças aprendem na escola”, diz Frei. “E sim, ela é um achado Dinamarquês, mas era uma mulher extremamente internacional.”

O seu cabelo e uma unha, que contêm estrôncio acumulado durante os seus últimos dois anos de vida, descrevem duas viagens entre a Dinamarca e o seu local de nascimento.

A VIDA NA IDADE DO BRONZE

É impossível saber exatamente por que a rapariga de Egtved viajou, mas a Idade do Bronze era uma altura de expansão de alianças entre tribos. Frei acha que a rapariga Egtved, que teria entre 16 e 18 anos quando faleceu, era provavelmente casada para ajudar a proteger uma aliança e talvez o comércio que iria promover.

O estudo “levanta questões sobre a escala dos sistemas sociais e da natureza dos contactos de longa distância e viagens na Idade do Bronze,” diz Jonathan Last, um estudioso da Idade do Bronze no Historic England.

Sem masi provas, adverte Last, é difícil dizer se a rapariga Egtved se mudou para um casamento arranjado. Em vez disse, diz Last, “Eu me pergunto se as evidências do vai-e-vem implicam que esta mulher tinha mais autonomia?”

As mulheres escandinavas da era às vezes tinham poder político, especialmente na ausência de sucessores masculinos de linha direta a chefes de família, diz Flemming Kaul, um especialista da Idade do Bronze do Museu Nacional da Dinamarca.

“É possível que as mulheres do norte da Idade do Bronze fossem capazes de fazer negociações e estabelecer amizades por elas próprias e não necessariamente por meio de conexões de casamento,” diz Kaul.

Através deste prisma, a rapariga Egtved teria beneficiado ao mudar de costumes sociais que encorajam a generosidade para com os viajantes e hóspedes, fazendo o movimento de longa distância possível e lançando as bases de uma economia baseada no comércio.

Tais possibilidades são levantadas pela rapariga Egtved e um estudo mais aprofundado pode aumentar ainda mais.

“De alguma forma, ela fica mais e mais misteriosa,” diz Frei. “Ela foi encontrada há muito tempo e ainda tem muito mais para nos dizer.”

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