História

Nova Espécie de Dinossauro Foi o Maior Animal Terrestre de Sempre

Conheça o Patagotitan Mayorum, um mastodonte de pescoço comprido que chegava a pesar tanto como 12 elefantes-africanos.

Por Shaena Montanari
Uma reconstrução do tiranossauro recentemente chamado Patagotitan mayorum.

Uma espécie recentemente batizada de saurópode é não só o maior dinossauro conhecido, mas também o dinossauro que detém o recorde de maior animal terrestre de sempre.

Esta é a conclusão da primeira descrição científica de um titanossauro especialmente grande que se arrastou pelas terras que constituem a atual Argentina durante o Cretáceo.

Com o nome de Patagotitan mayorum, este beemote de pescoço comprido viveu há cerca de 102 milhões de anos e provavelmente media mais de 36 metros de comprimento e pesava mais de 69 toneladas, ou aproximadamente o mesmo que 12 elefantes-africanos (o maior animal terrestre da atualidade).

Tendo em conta estes números, o Patagotitan ultrapassa ligeiramente o anterior “maior dinossauro de sempre”, um outro titanossauro chamado Dreadnoughtus.

Quando os paleontólogos José Luis Carbadillo e Diego Pol do Museu de Paleontologia Egidio Feruglio encontraram os primeiros vestígios do fóssil numa quinta na região da Patagónia, na Argentina, souberam que ia ser grande.

A equipa passou mais de um ano a escavar cuidadosamente o local do fóssil. Kenneth Lacovara, paleontólogo da Universidade de Rowan e o investigador que descobriu o Dreadnoughtus solidariza-se com esta tarefa.

“Eu, mais do que a maioria, consigo identificar-me com eles e com o suor, o esforço, a frustração e o desconforto que experienciaram enquanto tentavam recolher ossos daquele tamanho e naquela quantidade do solo para levar em segurança para um museu.”

MEDIÇÃO DE DINOSSAUROS

Um modelo completo do enorme titanossauro passou a integrar uma grande exposição permanente do Museu Americano de História Natural em Nova Iorque no início de 2016. Mas a equipa só descreve a nova espécie num artigo publicado esta semana nos Proceedings of the Royal Society B.

A estimativa oficial de peso é obtida a partir dos monumentais ossos da perna e do braço: só o fémur tem quase 2,5 metros de comprimento e pesa meia tonelada.

Lacovara salienta que esta estimativa tem alguma margem de erro, pelo que 69 toneladas não é um valor absoluto: “Temos de pensar como se fosse um intervalo, não um valor exato”, diz.

Ainda assim, o espécime também é especial por ser extraordinariamente completo, apresentando as vértebras, as costelas, os ossos das pernas e dos braços e partes da anca.

“Pela primeira vez, temos a oportunidade de avaliar a constituição destes gigantes, as adaptações que tinham na sua anatomia, de que forma eram capazes de suportar um peso tão elevado”, explica Pol.

O fóssil está a ajudar os paleontólogos a perceber como e quando é que os titanossauros ficaram tão grandes. Os saurópodes de menor dimensão pesavam apenas seis toneladas.

A nova análise deste gigante dá a entender que houve um grupo, até há pouco tempo desconhecido, de enormes titanossauros que viveu anteriormente na região da Patagónia. “Um subgrupo dos titanossauros parece ter fugido da norma e crescido até atingir um gigantesco volume corporal”, diz Pol.

No entanto, Pol considera que os dinossauros — e talvez todos os animais terrestres — estavam a atingir o seu limite máximo com criaturas como o Patagotitan.

“Todos os candidatos a maior espécie de dinossauro tinham tamanhos semelhantes, com diferenças não superiores a 10 a 15% entre eles”, diz. “Isto indica que estávamos a aproximar-nos do volume corporal máximo para um animal terrestre, o que era algo desconhecido até há pouco tempo e se constitui como uma descoberta entusiasmante.”

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