História

Veja as Arrepiantes Ruínas de Uma Prisão Que Já Foi Conhecida Como o “Inferno na Terra”

As decrépitas ruínas ainda podem ser visitadas pelos turistas que estejam dispostos a fazer a viagem até à ilha inabitada.

Por Sarah Gibbens

Goli Otok chegou a ser descrita como o “Inferno na Terra” por quem teve a infelicidade de ser enviado para a prisão.

Situada a apenas três quilómetros da costa da Croácia, a prisão era, mais do que um lugar para pequenos criminosos, o lugar para onde eram atirados prisioneiros de guerra e, mais tarde, dissidentes políticos. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Austro-Húngaro usou a ilha para albergar soldados russos. Em 1948, quando as tensões da Guerra Fria começavam a fazer-se sentir, o líder da Jugoslávia, Josip Broz Tito, comunista revolucionário, quebrou os laços com a União Soviética. Goli Otok não demorou a tornar-se uma prisão política e um campo de trabalhos forçados para todos os jugoslavos que continuassem a apoiar o líder soviético, José Estaline, ou que se opusessem ao governo de Tito de qualquer outra forma.

Documentos publicados pela CIA em 1970 revelam que, entre 1948 e 1955, período de maior atividade na prisão, era habitual o regime de Tito enviar os dissidentes políticos para a ilha. Estima-se que, até 1956, tenham sido enviadas mais de 15 000 pessoas para a minúscula ilha, 600 das quais podem ter morrido no local — algumas, alegadamente, devido a tortura. O relatório da CIA descrevia a ilha como a “Ilha do Diabo” de Tito no Adriático e alegava que era tanto uma prisão para apoiantes de Estaline como para os dissidentes do regime de Tito. (Há também quem lhe chame a “Alcatraz croata” por estar situada numa ilha e por se tratar de uma prisão de alta segurança.)

A prisão fechou as portas no final dos anos 80, numa altura em que a Cortina de Ferro começou a desmoronar-se na Europa de Leste. Naquele período, deu-se a queda do Muro de Berlim e a União Soviética começou o caminho em direção ao colapso.

Hoje, a ilha encontra-se em ruínas. A prisão foi abandonada, mas os seus escombros continuam a ser uma perturbadora lembrança do regime totalitário de Tito. Os 2,4 quilómetros quadrados da ilha têm pouca vegetação e, esporadicamente, veem-se ovelhas a passar. As únicas visitas humanas são de turistas ocasionais que pretendem explorar as ruínas da prisão. 

Bob Thissen é um realizador holandês cuja paixão consiste em documentar e explorar escombros como os de Goli Otok. Em 2016, viajou num barco privado até à ilha e filmou as ruínas decrépitas.  

“Caminhar entre as ruínas... É bastante arrepiante”, disse numa entrevista à National Geographic. “Ainda se conseguem ver as paredes altas e as celas.”

O vídeo realizado por Thissen mostra as partes em que as estruturas de aço destes edifícios de meados do século XX cederam. As ferramentas e as mesas de trabalho continuam espalhadas em oficinas abandonadas nas quais os prisioneiros eram forçados a trabalhar.

Thissen acampou e passou a noite na ilha, tendo considerado que a falta de flora e fauna transmitia uma sensação de mistério e de silêncio.

“Mas não há fantasmas”, disse a rir-se.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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