Meio Ambiente

Deslizamento de Lama na Colômbia Pode Ser um Presságio do Caos Provocado pelo El Niño

O impacto do El Niño costeiro no Peru — e agora talvez na Colômbia — pode ser um indicador de este fenómeno ocorrerá com uma intensidade mais forte ainda este ano. Quinta-feira, 9 Novembro

Por Delaney Chambers

Um deslizamento de lama que matou centenas de pessoas na Colômbia, este fim de semana, pode ser um presságio de que haverá ainda mais destruição, caso se agravem as condições do El Niño que afeta as regiões costeiras mais próximas.

DESLIZAMENTO DE LAMA VARRE A CIDADE

Muitos dos habitantes da pequena cidade de Mocoa estavam a dormir, pelo que não tiveram tempo para se refugiarem num terreno mais elevado e foram arrastados por um enorme deslizamento de lama. O deslizamento ocorreu devido às chuvas intensas que fizeram com que um rio próximo transbordasse. A onda de lama matou e feriu centenas de pessoas e destruiu muitas habitações.

Pelo menos, 234 pessoas morreram e 220 estavam desaparecidas nesta cidade que tem aproximadamente 350 000 habitantes. Os hospitais tiveram dificuldade em dar resposta a tantos casos de ferimentos, e algumas pessoas com ferimentos mais graves tiveram de ser transportadas por via aérea para outras cidades.

Houve várias casas em 17 áreas distintas que ficaram soterradas ou foram arrastadas pelo deslizamento de terras, de acordo com o presidente da câmara de Mocoa, José António Castro.

No início de março, uma precipitação nunca vista deu origem a uma inundação catastrófica no Peru. 94 pessoas morreram e mais de 250 mil ficaram sem casa. Estão, ainda, a decorrer as evacuações e as chuvas intensas permanecem e prevê-se que ainda se mantenham. (Veja aqui o vídeo de uma mulher a emergir do meio da inundação após ter sido arrastada pelas águas.)

A cidade de Mocoa, no sudoeste da Colômbia, está perto da fronteira com o Equador e faz parte da região equatorial mais afetada pela mudança do clima, juntamente com o Peru.

LA NIÑA, EL NIÑO OU NENHUM

Esperava-se que as condições meteorológicas trazidas pelo La Niña — o que normalmente significa secas e temperaturas mais baixas do que a temperatura média da superfície do mar nas regiões equatoriais — se mantivessem até fevereiro, com as condições a voltarem ao normal na primavera.

A 9 de março, a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, ou National Oceanic and Atmospheric Administration, em inglês) determinou que as condições meteorológicas não refletiriam temperaturas do El Niño ou do La Niña, e atribuiu ao atual padrão meteorológico o nome “ENOS – El Niño Oscilação Sul.”

Contudo, as autoridades peruanas atribuíram a ocorrência das inundações ao El Niño, classificando-as como as piores cheias relacionadas com o El Niño de que há memória. Como podem, então, as temperaturas normais da superfície do mar — que serão temperaturas relativamente amenas — afetar o sul da América, uma região equatorial, de forma tão dramática?

A resposta é de alguma forma complexa.

As águas oceânicas estão atualmente mais quentes do que o normal na costa do Peru. O aumento da temperatura das águas equatoriais é dos efeitos do El Niño, mas como essas temperaturas mais quentes são tão circunscritas, as entidades oficiais ainda não declararam oficialmente tratar-se de um efeito do El Niño.

Para explicar as cheias, os climatologistas peruanos estão a intitular esta ocorrência específica de El Niño costeiro, uma versão mais pequena do grande fenómeno que afetou toda a região do Pacífico.

A região da Colômbia afetada pelas inundações situa-se numa zona costeira imediatamente a norte da costa do Peru atingida pelo El Niño, onde se tem também registado temperaturas mais quentes do que o normal.

A ocorrência do El Niño costeiro poderia fazer prever a ocorrência, no final do ano, de um El Niño com um padrão meteorológico mais severo, ou poderia ser, simplesmente, o resultado de mudanças mais profundas  fruto das alterações climáticas. (Infografia: Sete coisas a saber sobre as alterações climáticas)

PADRÕES METEOROLÓGICOS EM MUDANÇA

As alterações climáticas tiveram um impacto significativo na temperatura média global da superfície do mar, com um aumento de mais de 17 ºC desde 1901, de acordo com a EPA - Environmental Protection Agency (Agência de Proteção ao Meio-Ambiente ).

O aumento da temperatura pode ter provocado as chuvas intensas e as cheias na região, o que, segundo dizem, indica que vai ocorrer um El Niño mais forte no final do ano.

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