Meio Ambiente

O Rio Mais Poluído do Mundo Revelado em Fotografia

Uma decisão recente de um supremo tribunal indiano que dá ao Ganges estatuto de personalidade poderá conduzir à redenção ambiental. Quinta-feira, 9 Novembro

Por Austa Somvichian-Clausen

Uma imagem de uma mulher a andar na água pode suscitar admiração em circunstâncias normais, mas, neste caso, suscita algo que se assemelha mais ao terror.

O fotógrafo Giulio Di Sturco captou cenas como esta na sua série Death of a River (Morte de um Rio): uma mulher a atravessar do Rio Ganges, caminhando devagar sobre uma ponte de sacos de areia lamacentos e lixo, mostrando a dimensão da degradação que afeta este curso de água sagrado.

“O Ganges é um excelente exemplo da contradição não resolvida entre o homem e o ambiente”, diz Di Sturco. É um rio intimamente ligado a todos os aspetos da vida indiana — uma fonte de água, energia e subsistência para mais de 500 milhões de pessoas que vivem nas suas margens.

Hindus do mundo inteiro prestaram culto ao rio durante séculos, tendo as suas crenças origem na história de Genga, o deus do rio que se se lava a si próprio. Não se pode dizer que estas propriedades de limpeza se apliquem ao próprio rio, cujas águas são envenenadas por milhões de litros de efluentes industriais e esgotos brutos todos os dias. Isto para não falar das centenas de corpos que são cremados, ou, por vezes, apenas envolvidos em musselina e atirados para o rio diariamente.

Mas as coisas estão a mudar para a “Ganga Mata”, ou a mãe divina, depois de uma decisão de um supremo tribunal da Índia. O Supremo Tribunal de Uttarakhand declarou o Ganges e o seu principal afluente, o Yamuna, “pessoas vivas”.

Esta decisão significa que poluir ou danificar os rios poderá considerar-se o equivalente legal a ofender uma pessoa. Embora os ambientalistas tenham acolhido bem a decisão, mantém-se a dúvida sobre se virá a ser executada e, em caso positivo, até que ponto.

O reconhecimento legal do Ganges como pessoa surge depois de mais de 30 anos de esforços governamentais para o restaurar, com pouco sucesso. As estimativas oficiais sobre a verba despendida nestes esforços variam entre 600 milhões de dólares e um valor superior a três mil milhões de dólares.

Mas esta decisão recente poderá incrementar as possibilidades de envolvimento da comunidade. O facto de um cidadão poder apresentar um caso em tribunal a representar o Ganges poderá tornar-se uma forma poderosa de proteção do rio por parte das comunidades e dos ativistas.

Esta galeria de imagens apresenta o trabalho do fotógrafo Giulio Di Sturco. Di Sturco tem vindo a documentar as vidas das pessoas do Rio Ganges ao longo de mais de oito anos. Estes anos de trabalho culminarão na publicação de um livro no final deste ano. Para ver mais trabalhos fotográficos de Di Sturco visite o website do fotógrafo.

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