O Rio Mais Poluído do Mundo Revelado em Fotografia

Uma decisão recente de um supremo tribunal indiano que dá ao Ganges estatuto de personalidade poderá conduzir à redenção ambiental.

Publicado 9/11/2017, 01:36 WET, Atualizado 5/11/2020, 06:02 WET
Rio Ganges Poluição
Uma mulher atravessa um pequeno canal do Ganges numa ponte submersa feita de lixo.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE

Uma imagem de uma mulher a andar na água pode suscitar admiração em circunstâncias normais, mas, neste caso, suscita algo que se assemelha mais ao terror.

O fotógrafo Giulio Di Sturco captou cenas como esta na sua série Death of a River (Morte de um Rio): uma mulher a atravessar do Rio Ganges, caminhando devagar sobre uma ponte de sacos de areia lamacentos e lixo, mostrando a dimensão da degradação que afeta este curso de água sagrado.

Devotos hindus nas margens do Ganges preparam-se para se banharem nas águas do rio sagrado.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Um cavalo com ar macilento à espera de transportar devotos hindus nas margens do Rio Ganges.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Uma mulher apanha folhas de mostarda num campo ao lado de uma refinaria de petróleo junto ao Rio Ganges.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Um icebergue de espuma resultante dos resíduos químicos depositados pelas fábricas ao no Rio Yamuna, um afluente do Ganges.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Rapaz sem abrigo pesca moedas usando uma linha e um íman no Rio Yamuna em Deli.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Uma cidade composta por tendas vista a partir de cima em preparação para o Kumbh Mela, a maior reunião religiosa do mundo, em Allahabad, Índia.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
A maior reunião religiosa da Terra, Kumbh Mela, tem lugar de 12 em 12 anos nas margens do Triveni Sangam — a confluência de três rios, incluindo o Ganges.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Devotos Hindu banham-se no Ganges, durante o Kumbh Mela, pois acreditam que irá lavar os seus pecados.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Pilhas de roupa suja de hotéis na lama ao lado do Rio Yamuna.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Todos os anos, durante a época seca, as águas do Ganges na fronteira do Bangladeche secam devido ao fecho das comportas da Barragem Farakka na fronteira Indiana.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Devotos hindus entram nas águas do Ganges para se banharem durante o Kumbh Mela, na Índia.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Um dos afluentes do Ganges, perto de Haridwar, torna-se árido e seca completamente durante a época quente.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Nuvens cinzentas que se formam a partir do fumo das chaminés ao longe junto a um afluente seco do Rio Ganges.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Químicos derramados por uma das fábricas de curtumes de Kanpur, que depois escorrem para o Ganges.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Um grupo de músicos prepara-se para entreter as multidões que esperam pelo Sadhu, ou a pessoa sagrada, no Kumbh Mela.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE
Uma imagem do rio de madrugada.
Fotografia de GIULIO DI STURCO, INSTITUTE

“O Ganges é um excelente exemplo da contradição não resolvida entre o homem e o ambiente”, diz Di Sturco. É um rio intimamente ligado a todos os aspetos da vida indiana — uma fonte de água, energia e subsistência para mais de 500 milhões de pessoas que vivem nas suas margens.

Hindus do mundo inteiro prestaram culto ao rio durante séculos, tendo as suas crenças origem na história de Genga, o deus do rio que se se lava a si próprio. Não se pode dizer que estas propriedades de limpeza se apliquem ao próprio rio, cujas águas são envenenadas por milhões de litros de efluentes industriais e esgotos brutos todos os dias. Isto para não falar das centenas de corpos que são cremados, ou, por vezes, apenas envolvidos em musselina e atirados para o rio diariamente.

Mas as coisas estão a mudar para a “Ganga Mata”, ou a mãe divina, depois de uma decisão de um supremo tribunal da Índia. O Supremo Tribunal de Uttarakhand declarou o Ganges e o seu principal afluente, o Yamuna, “pessoas vivas”.

Esta decisão significa que poluir ou danificar os rios poderá considerar-se o equivalente legal a ofender uma pessoa. Embora os ambientalistas tenham acolhido bem a decisão, mantém-se a dúvida sobre se virá a ser executada e, em caso positivo, até que ponto.

O reconhecimento legal do Ganges como pessoa surge depois de mais de 30 anos de esforços governamentais para o restaurar, com pouco sucesso. As estimativas oficiais sobre a verba despendida nestes esforços variam entre 600 milhões de dólares e um valor superior a três mil milhões de dólares.

Mas esta decisão recente poderá incrementar as possibilidades de envolvimento da comunidade. O facto de um cidadão poder apresentar um caso em tribunal a representar o Ganges poderá tornar-se uma forma poderosa de proteção do rio por parte das comunidades e dos ativistas.

Esta galeria de imagens apresenta o trabalho do fotógrafo Giulio Di Sturco. Di Sturco tem vindo a documentar as vidas das pessoas do Rio Ganges ao longo de mais de oito anos. Estes anos de trabalho culminarão na publicação de um livro no final deste ano. Para ver mais trabalhos fotográficos de Di Sturco visite o website do fotógrafo.

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