Meio Ambiente

Veja A Formação De Um Enorme Disco Giratório De Gelo Num Rio

A formação tem uma aparência misteriosa, mas uma explicação científica.quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por Sarah Gibbens
Veja Um Disco de Gelo Gigante Formar-se num Rio
Veja Um Disco de Gelo Gigante Formar-se num Rio

Parecem demasiado perfeitos para serem naturais — enormes círculos de gelo que giram lentamente em rios.

As imagens de um vídeo registadas em 2016 mostram um círculo de gelo aparentemente simétrico num rio perto de Omsk Oblast, uma região no centro da Rússia imediatamente a norte do Cazaquistão. À primeira vista, o gelo parece estar quase parado, mas um olhar mais atento mostra uma rotação lenta e constante. Ainda mais estranha é a simetria aparentemente perfeita do disco.

De acordo com o autor do vídeo (que não se identificou), o círculo de gelo giratório mediria aproximadamente 15 metros de diâmetro.

Embora o círculo de gelo russo seja raro devido à sua dimensão, o fenómeno não é tão inusitado quanto poderá parecer. Já foram filmados discos no Dakota do Norteno estado de Washington, e no Michigan.

As primeiras teorias para explicar a formação dos discos centravam-se no fenómeno de erosão. Os discos de gelo observados em 1987 e 1994 encontravam-se na trajetória das águas de rios rápidos. Um artigo publicado em 1997 pela Royal Meteorological Society (Sociedade Meteorológica dos EUA) propunha uma teoria segundo a qual as águas dos rios rápidos criavam um efeito de remoinho.  À medida que o gelo girava, defendiam os investigadores, as extremidades sofriam uma erosão e ficam com um formato circular. 

No entanto, um estudo de discos de gelo realizado em março do ano passado criou um modelo que mostrou que aquela teoria não estava certa.

Publicada na revista Physical Review E, a investigação levada a cabo por investigadores da Universidade de Liége, na Bélgica, indicava que eram as mudanças de temperatura — e não as águas rápidas dos rios — que geravam a rotação. Quando a água aquece, torna-se menos densa e, quando é arrefecida pelo gelo à superfície, forma-se um vórtice.

Os investigadores chegaram a esta conclusão depois de replicarem em laboratório a forma como a temperatura altera a densidade da água.


Os investigadores começaram por congelar água da torneira numa caixa de Petri e, depois, colocaram o gelo em água à temperatura ambiente, o que fez com que o gelo flutuasse por si só. Para conferirem mais controlo à experiência, levaram a cabo um segundo ensaio no qual inseriram uma conta de níquel no fundo disco de gelo, em posição central, e colocaram um íman no fundo do recipiente, que mantinha o gelo no lugar mais eficazmente.

À medida que o recipiente era aquecido, observava-se que o disco de gelo girava a uma velocidade mais elevada. As temperaturas mais quentes criavam um vórtice vertical capaz de gerar a rotação num disco que estava parado.

Os investigadores concluíram que as águas rápidas dos rios eram necessárias para estimular o vórtice e provocar a rotação, o que significa que é pouco provável que o fenómeno seja observado em lagos estanques ou icebergues em decomposição.

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