Tudo O Que Precisa de Saber Sobre a Erupção do Vulcão de Bali

Rios de lava, resíduos e lama podem ser alguns dos efeitos mortais de uma erupção do Monte Agung, em Bali.quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Os residentes da ilha de Bali estão sentados à espera da iminente erupção do Monte Agung, um vulcão ativo que ameaça cobrir parte da ilha de cinza, lava e enxurradas de lama. Os tremores sísmicos foram detetados logo no final de setembro, o que indicava que o vulcão estaria a despertar, mas os cientistas não tinham a certeza quando é que aqueles sons retumbantes resultariam numa erupção.

Agora, dois meses mais tarde, o vulcão parece estar a cumprir a promessa que fez. Há cerca de duas semanas deu-se o início de uma série de pequenas erupções, e dias depois as erupções começaram a aumentar. Vulcanólogos dizem que uma grande erupção pode estar iminente.

Continue a ler quais as cinco coisas que precisa de saber sobre a evolução deste perigo.

1. As pessoas correm perigo?

No domingo à noite, o governo indonésio deu ordem de evacuação a 100 000 pessoas que vivem no nordeste de Bali. Números a acrescentar aos cerca de 40 000 que já tinham sido deslocados desde setembro.

Milhares de turistas também fugiram da popular ilha-nação.

A última vez que o Monte Agung entrou em erupção foi em 1963, e morreram perto de 2000 pessoas.

Não sabemos com certeza quando é que Agung pode entrar em erupção—as erupções vulcânicas são conhecidas por serem imprevisíveis- mas a atividade recente sugere a possibilidade de mais fogo de artifício.

2. O que é o Monte Agung, na verdade?

Para compreender o que torna o Monte Agung tão poderoso, ajuda saber um pouco da sua história geológica.

Nas 13 000 pequenas e grande ilhas que compõem a Indonésia, existem 78 vulcões ativos. De acordo com o Programa Global de Vulcanismo do Instituto Smithsonian, só o Japão é capaz de ultrapassar a Indonésia em número de erupções, mas a Indonésia ganha, de longe, no número de mortos causados por vulcões porque as pessoas vivem mais próximo de regiões com atividade vulcânica. Um estudo feito entre 1600 e 1982 estima que tenham ocorrido 160 000 mortes causadas pela erupção de um vulcão indonésio.

3. Não fica Bali no Anel de Fogo do Pacífico?

A Indonésia fica situada numa região que tem uma forma de “u” invertida chamada Anel de Fogo do Pacífico. Esta região, que se estende em arco desde o leste da Austrália, até acima ao Alasca, e ao longo da costa oeste da América do Sul, é a região mais sísmica do mundo. E onde existe atividade sísmica, também existem vulcões. De facto, cerca de 90% dos vulcões ativos do mundo estão associados ao Anel de Fogo.

Agung, em específico, fica situada numa região do Anel de Fogo chamada Sunda Arc, que descreve uma curva ao longo da metade inferior da placa tectónica Sunda. A sul, a placa Indo-Australiana está lentamente a ser empurrada para baixo da outra. Nesta zona de subdução existe uma fricção considerável entre as duas placas, e ao longo do tempo a tensão aumenta e cria tremores de terra. À medida que parte da placa subduzida se dissolve com o calor do centro da Terra, pode criar bolsas de magma. Menos denso que a rocha circundante, esse magma sobe até à superfície o que eventualmente pode resultar em erupções.

4. Como está a progredir a erupção?

Numa entrevista ao canal de notícias RTE News at One, o vulcanólogo da Universidade de Adelaide, Mark Tingay disse que o magma da sua parte do mundo é altamente viscoso. Isso pode originar a reclusão de mais bolhas de gás, criando condições mais explosivas.

Tingay também notou que, desde sábado, o vulcão evoluiu de uma erupção freática – explosões caracterizadas por fumo, água e cinza – a uma fase magmática na qual magma quente emerge das profundezas.

5. O que podemos esperar a seguir?

O centro de monitorização de vulcões MAGMA Indonesia tem vindo a fazer atualizações aos residentes da atividade do vulcão nos últimos meses. Eles constataram que, com base na erupção de 1963, existe potencial para a ocorrência de quatro perigos que poderiam advir do Monte Agung: fluxos piroclásticos e de lava, queda de cinzas e deslizamentos de lama.

Segundo o U.S. Geological Survey, os fluxos piroclásticos são caracterizados por um fluxo quente de cinza, gás, blocos de lava quente e pedra pomes que se movem a alta velocidade pelas encostas vulcânicas. Tipicamente, estes fluxos têm fragmentos grosseiros na metade inferior da massa e de bolsas de gás e cinzas quentes que flutuam à superfície. Além de transportar detritos quentes, estes fluxos piroclásticos são rápidos. Alguns podem deslocar-se a 80 quilómetros por hora, e são conhecidos por destruírem tudo o que atravesse no seu caminho.

Ao contrário, os fluxos de lava viscosos movem-se mais lentamente mas podem reter bolsas de gás que podem posteriormente explodir.

Janine Kippner, vulcanóloga da Universidade de Pittsburg, comentou no Twitter que uma camada de 1,6 metros de espessura de asfalto poderia cobrir tudo o que estivesse num raio de 14 quilómetros do cume do Monte Agung. Percorrer este asfalto sem máscaras protetoras pode causar problemas respiratórios nas pessoas.

Quando em concomitância com a queda de precipitação, refere Kippner, a queda de cinza pode criar uma enxurrada de lama chamada lahar. Como Tingay salientou na sua entrevista, os lahars são muitas vezes mais perigosos do que a erupção inicial. A USGS observa que os lahars geralmente começam pequenos, mas crescem em volume e em velocidade à medida que vão descendo pela encosta da montanha. Os lahars são uma espécie de enxurradas de cimento, extremamente destrutivos. Nada os consegue parar.

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