Veja o Primeiro Parque Eólico Flutuante do Mundo

Utilizando turbinas eólicas flutuantes, os engenheiros deparam-se com novas formas de gerar energia.terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Veja o primeiro parque eólico flutuante do mundo em alto mar
Veja o primeiro parque eólico flutuante do mundo em alto mar

A Escócia é conhecida pelas suas paisagens pitorescas e pelas roupas de tartã utilizadas pelos que habitam as suas montanhas, mas agora é também o primeiro país do mundo a investir num parque eólico flutuante. As gigantescas turbinas eólicas flutuam no Mar do Norte, a cerca de 24 quilómetros da costa de Petershead.

O parque eólico consiste em cinco enormes turbinas eólicas com cerca de 253 metros de altura (78 dos quais estão submersos).

Batizado Hywind Project, os ativistas das energias renováveis acreditam que este projeto possa inspirar outras regiões a implementar a mesma tecnologia.

COMO FUNCIONA?

As grandes turbinas foram construídas na Noruega, pela companhia Statoil, tendo posteriormente viajado cerca de 1600 quilómetros de navio até à Escócia. Estas estruturas colossais são fruto de uma colaboração da Statoil com a Masdar, uma empresa com sede nos Emirados Árabes Unidos.

Três grandes âncoras de sucção, com 15,8 metros de altura e 4,9 de de diâmetro, fixam uma turbina ao fundo oceânico. Cerca de 111 toneladas de peso em cada âncora mantêm as turbinas numa posição vertical.

Já desde os anos 90 que se constroem turbinas eólicas na água. No entanto, até agora só podiam ser instaladas em águas com uma profundidade de até 61 metros. As turbinas instaladas recentemente na Escócia estão apoiadas a 77,8 metros de profundidade, e podem ser manuseadas a profundidades que vão até 792 metros.

Uma vez instaladas e em funcionamento, as turbinas fornecem energia às cidades vizinhas através de cabos ligados às mesmas. Segundo a Statoil, estas turbinas eólicas têm a capacidade de fornecer energia a 20 000 habitações.

"Apesar de flutuarem, são muito estáveis em posição vertical”, afirma Elin Isaksen, uma representante da Statoil.

Explicou-nos que o conceito da turbina eólica flutuante foi desenvolvido por engenheiros em 2001. O primeiro protótipo foi construído em 2009, e, em 2015, o governo escocês autorizou o financiamento à Statoil para que esta pudesse construir as cinco turbinas que flutuam agora ao largo do Mar do Norte.

Cada turbina é capaz de fornecer à rede 6 megawatts de energia, o que significa que, no total, este complexo consegue gerar 30 megawatts.

Quando não está a ser consumida, a energia é armazenada em baterias de lítio com uma capacidade superior à de dois milhões de iPhones.

SERÁ ESTE O FUTURO DA ENERGIA EÓLICA?

Ao contrário das turbinas eólicas instaladas em terra, as turbinas flutuantes não precisam de ser especialmente concebidas de acordo com a natureza do terreno onde serão instaladas. Isto significa que a sua produção em massa terá custos menos elevados.

O custo de produção destas turbinas é, ainda assim, muito elevado.

A instalação destas cinco turbinas custou cerca de 200 milhões de libras britânicas — cerca de 226,17 milhões de euros. Para suportar estes custos, a Statoil recorreu a financiamento do governo escocês.

"O governo escocês apoiou o projeto, tornando assim possível a implementação," disse Isaksen. 

O Reino Unido tem uma Diretiva para as Energias Renováveis que indica que 30% da eletricidade do país terá de ser proveniente de fontes de energia renováveis até 2020. De acordo com um relatório do governo escocês, mais de metade da energia daquela região já é proveniente de fontes de energia renováveis.

Isaksen tem o cuidado de sublinhar que as cinco turbinas fazem parte de um projeto-piloto e que o objetivo da empresa é aprender com este projeto, de modo a poderem melhorar a eficácia deste sistema. “Estamos a desenhar turbinas maiores, capazes de gerar até 12 megawatts de energia”, afirma. Atualmente, a maior turbina eólica do mundo é capaz de gerar cerca de 9,5 megawatts de energia. No entanto, têm sido feitos muitos progressos ao longo dos últimos anos no que diz respeito ao tamanho e à eficiência destas turbinas.

Apesar de não existirem planos para outros parques eólicos flutuantes a curto prazo, Isaksen afirma que a Statoil vê regiões como o Japão, o Havai e a Califórnia como possíveis locais para implementar o projeto no futuro.

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