2017 foi o Ano Mais Quente de Sempre nos Oceanos

O aquecimento da água dos oceanos pode ter um impacto prejudicial nos habitats como recifes de coral e gelo marinho.

Wednesday, February 7, 2018,
Por Sarah Gibbens
Temperatura Elevada dos Oceanos
Pessoas juntam-se num dia quente de verão na praia de Ipanema a 8 de setembro de 2017, Rio de Janeiro, Brasil. Segundo a NOOA, as temperaturas globais durante os primeiros 6 meses de 2017 foram as segundas mais elevadas desde que há registo.
Fotografia de Mario Tama, Getty

Os oceanos não irão provavelmente arrefecer tão cedo, segundo revela um novo estudo.

De facto, 2017 foi o ano mas quente registado no oceano, segundo investigadores da Academia de Ciências Chinesa.

As suas descobertas indicam "uma tendência de aquecimento de longo prazo fomentada pelas atividades humanas".

O estudo mediu o aumento de temperatura do oceano como um todo, mas os oceanos Atlântico e Antártico, como descobriram os investigadores, registaram o maior nível de aquecimento.

Veja o aumento da temperatura nos oceanos desde 1981 até 2017

 
Os cientistas analisaram os dados de temperatura dos oceanos que os investigadores de várias instituições, incluindo a NOAA nos EUA, começaram a recolher nos anos 50. No início dos anos 90, as temperaturas oceânicas começaram a subir.

As temperaturas oceânicas em 2017 registavam números mais elevados que em 2015, o ano mais quente registado até à data.

Analisando os dados globais que englobam um período de décadas, os investigadores esperavam obter uma visão exata das tendências de aquecimento responsáveis pelas anomalias climatéricas. As temperaturas oceânicas em 2016, por exemplo, foram mais baixas do que em 2015 e 2017 devido ao enorme fenómeno meteorológico El Niño que arrefeceu as águas.

E ENTÃO?

Os frequentadores de praia a brincar nas ondas não irão provavelmente reparar no aumento gradual da temperatura e os impactos atmosféricos a longo prazo podem ser difíceis de visualizar. Mas tal não significa que um oceano mais quente não irá ter impactos reais e prejudiciais.

No estudo realizado, os investigadores identificaram o branqueamento dos corais e o derreter do gelo marinho como as vítimas dos oceanos mais quentes.

O branqueamento dos corais ocorre quando estes - devido ao stress provocado pelo calor, luz ou poluição - expelem algas simbióticas de que necessitam para serem saudáveis. Sem estas algas, os corais podem passar fome. Um estudo relacionado divulgado no início do presente mês revelou que a janela de tempo para salvar os corais está a fechar-se rapidamente.

Apesar de ainda existir esperança relativamente ao gelo marinho, a cobertura do Ártico tem estado a desaparecer lentamente nas últimas décadas. Desde que os satélites começaram a medir a cobertura e espessura do gelo marinho em 1979, registou-se uma queda em ambos.

Os investigadores também destacaram a diminuição de oxigénio no oceano como um potencial impacto do aquecimento das águas. No início do presente mês, um novo estudo revelou que alguns peixes estão a evitar determinadas partes do oceano empobrecido em oxigénio porque as águas estão, basicamente, a sufocá-los.

O aumento dos níveis da água do mar, tempestades mais intensas e habitats marinhos mais suscetíveis a doenças são todos outros efeitos possíveis que os cientistas afirmam que poderemos assistir como resultado do aquecimento das temperaturas oceânicas.

Num editorial sobre o estudo escrito para o Guardian, um professor de Ciência Térmica na Universidade de St. Thomas afirmou: "Se queremos compreender o aquecimento global, temos primeiro de compreender o aquecimento oceânico."

O QUE ESTÁ A CAUSAR ESTE PROBLEMA?

Os gases com efeito de estufa como o dióxido de carbono e o metano foram identificados como responsáveis pelo aquecimento das temperaturas, retendo mais calor perto da superfície da Terra. Um estudo publicado em 2016 revelou que para cada tonelada de CO2 não emitida, é possível salvar cerca de 2,97 m2 de gelo do Ártico.

No entanto, os poluentes já emitidos para a nossa atmosfera ainda podem demorar décadas a disseminarem-se.

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