Meio Ambiente

A Massa de Gelo no Ártico é a Segunda Mais Baixa de Sempre

Mas a quantidade de gelo encontrada em quase todo o Ártico foi ainda mais baixa do que aquela registada nos últimos anos, com exceção da área em torno do Japão. Thursday, April 12, 2018

Por Craig Welch
Fotografias Por Rich Reid, National Geographic Creative
O gelo do Ártico está a ficar mais fino à medida que o planeta aquece.

Temperaturas extremamente quentes reduziram a superfície gelada do Ártico a uma extensão de 14,5 milhões de quilómetros quadrados este inverno, um dos valores mais baixos de que há registo, segundo a avaliação anual publicada pela NASA.

Ainda assim, e muito embora se tenha registado, no total, um ligeiro aumento da massa de gelo nas latitudes nortes comparativamente aos níveis mínimos históricos registados no ano passado, os cientistas traçaram tendências preocupantes para o inverno de 2017-2018. 

Durante o mês de fevereiro, as temperaturas dispararam mais de 7 graus acima do normal em determinadas zonas, colocando o Polo Norte, em pleno inverno, quando a região está envolta na escuridão, com temperaturas acima do zero durante vários dias. Extensas zonas da Gronelândia, normalmente cobertas por espessas camadas de gelo antigo, conheceram as águas escuras do oceano pela primeira vez. Parte do mar de Bering no Alasca e, durante um tempo, todo o Estreito de Bering, não apresentavam vestígios de gelo, “o que é impressionante,” afirma Alek Petty, perito da NASA em gelo marinho.

E, apesar de não quebrar o recorde do último ano, este inverno manteve a tendência recente de agravamento a níveis superiores aos antecipados pelos cientistas.

"Estes últimos invernos situaram-se todos acima das nossas projeções no que se refere às previsões da temperatura do ar e à diminuição de gelo marinho,” afirma Petty.

A Vulnerabilidade do Ártico

As alterações climáticas estão a aquecer o planeta, mas é nos polos que os seus efeitos são mais extremos.

E, à medida que a subida das temperaturas acelera a diminuição do gelo marinho, o desaparecimento do próprio gelo acaba por agravar ainda mais a situação.

"É uma via com dois sentidos," afirmou Claire Parkinson, cientista sénior no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, num comunicado da agência. “O aquecimento significa menor formação de gelo e maior quantidade de gelo derretido. E, exatamente porque a superfície de gelo é menor, a radiação solar deixa de ser refletida em maior quantidade para ser absorvida pelo oceano e isso contribui para o aquecimento.”

Na verdade, durante quase toda a estação fria no Ártico, tudo se precipitava para que este fosse o pior inverno de sempre. A única razão pela qual o degelo ainda não bateu outro recorde este inverno deve-se ao ar frio que, nas últimas semanas, permitiu a formação de novas camadas de gelo, com aumentos registados no mar de Okhotsk, perto do Japão, que foram significativos o suficiente para compensar as perdas noutros lugares.

Tempestades Mais Agrestes

O que aconteceu este inverno foi que as tempestades tanto do Atlântico, como do Pacífico, trouxeram consigo águas e ventos quentes para norte.

Parte do problema, obviamente, é que esses elementos são hoje mais quentes do que foram em tempos. Além disso, ao longo do tempo, o Ártico foi sempre perdendo as espessas camadas de gelo antigo, que estabilizam toda a região. Isto significa que o calor das tempestades que atingem o Ártico viaja cada vez mais longe e provoca mais estragos, fazendo com que o gelo derreta ainda mais.

Por exemplo, o grande buraco que se abriu na superfície gelada da Gronelância fechou-se, relativamente rápido, logo que a temperatura desceu.  Mas responsáveis da NASA referem que a nova camada de gelo é mais fina e menos estável e, por conseguinte, mais suscetível a qualquer onda de calor que possa surgir.

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"Recentemente, recuámos no tempo e pudemos verificar que o Ártico já passou por períodos de calor extremo, até mesmo há cem anos atrás,” afirma Petty.  "Mas o que se está a verificar é um aumento da frequência destes fenómenos, com tendência para se arrastarem no tempo, sendo o impacto no gelo marinho mais pronunciado. As tempestades estão, simplesmente, a corroer o gelo marinho como nunca antes.”

A resposta, obviamente, é que estas perdas de gelo têm um impacto incomensurável no nosso planeta — aumento do calor e da humidade na atmosfera, alterando a combinação e a circulação no oceano Ártico, afetando a natureza e o local onde os organismos vivem e até mesmo alterando o sistema climático global. E estas oscilações irão acentuar-se até e a menos que o homem diminua, drasticamente, as emissões de dióxido de carbono resultantes da queima de combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás.

"As alterações vão tornar-se ainda mais extremas,” adverte Petty.

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