Meio Ambiente

Porque é que há tantas pessoas a viver perto de vulcões ativos?

Pode parecer contraintuitivo viver perto de uma montanha, que pode expelir uma chuva de cinzas e lava sobre si e a sua família, mas também há benefícios. Quinta-feira, 17 Maio

Por Heather Brady

Quando o chão se abriu e começou a expelir fumos tóxicos e lava do Monte Kilauea na semana passada, perto de Leilani Estates, os habitantes das localidades próximas do vulcão havaiano fugiram.

A erupção obrigou à evacuação das populações que viviam nas imediações do vulcão mais ativo da Terra, que regista erupções frequentes ao longo da falha geológica ocidental. Normalmente, a lava expelida durante a erupção corre em direção às águas do oceano, mas desta vez dirigiu-se para o interior.

Várias centenas de pessoas procuraram refúgio em igrejas, abrigos e em casas de conterrâneos, à medida que novas fendas e fissuras recortavam a superfície nas zonas residenciais.

Impõe-se perguntar: Porquê viver perto de um vulcão ativo, quando se pode ser forçado a abandonar a própria casa, imerso numa nuvem de cinzas e fumos tóxicos, que dificultam a respiração, por conta de uma erupção?

Para começar, muitas pessoas dependem dos vulcões para sobreviver. A energia geotérmica de um vulcão pode alimentar sistemas tecnológicos das comunidades mais próximas. O solo perto de vulcões ativos é, normalmente, rico em depósitos minerais e fornece excelentes oportunidades de cultivo. Todos os anos, os vulcões são o destino eleito por centenas de turistas, contribuindo para a criação de postos de trabalho em hotéis, restaurantes, lojas de souvenirs, e como guias turísticos. E algumas pessoas simplesmente não dispõem dos meios financeiros para se mudarem para outro lugar.

Depois há as razões culturais e religiosas. Jordan Sonner, uma agente imobiliária que vive na Ilha Grande, tem uma casa logo à saída de Leilani Estates e apressou-se a recolher documentos importantes e os animais de estimação, assim que tomou conhecimento da corrente de lava. Sonner disse em declarações ao Washington Post que não receava assim tanto perder a casa.

“Eu vejo isto da seguinte forma: a terra não nos pertence verdadeiramente. A terra pertence a Pele”, disse Sonner ao The Post, referindo-se à deusa havaiana dos vulcões. “Nós vivemos aqui, enquanto assim nos é permitido, e se ela quiser reclamar a terra de volta, fá-lo-á. Eu tenho um bom seguro.”

Muitos habitantes das zonas em torno do Kilauea acreditam que vale a pena correr o risco, dada a beleza do lugar, a vida em comunidade e a localização remota do Havai.

“Temo-nos preparado para este momento, pois sabíamos, de antemão, que tínhamos adquirido uma casa numa zona crítica”, disse Stacy Welch em declarações à revista Time e cuja casa em Leilani Estates pode ter sido engolida pela lava. “Vai correr tudo bem. Havemos de reconstruí-la.”

Os vulcões também tendem a dar sinais de que algo está prestes a acontecer. Os pequenos abalos sísmicos do Kilauea, a concentração de grandes quantidades de lava no cume do monte e uma mudança no declive do vulcão, observados nas últimas semanas, denunciavam uma erupção iminente. Este caso não se aplica, necessariamente, a outros lugares do planeta, onde os abalos sísmicos, os tornados, os incêndios e as inundações podem chegar sem aviso prévio.

A evacuação das populações por causa da erupção do Kilauea não é um acontecimento isolado nos últimos meses, quando se trata se retirar pessoas do caminho da lava. Quando o Monte Mayon, nas Filipinas, começou a expelir cinzas para a atmosfera em janeiro, foi necessário evacuar dezenas de milhares de pessoas. Mais de 100 000 pessoas foram evacuadas a nordeste de Bali, quando o Monte Agung se fez ouvir, levando milhares de turistas a abandonar a ilha.

VEJA O VÍDEO QUE A LAVA DE UM VULCÃO AVANÇA EM DIREÇÃO A UMA POVOÇÃO

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