Meio Ambiente

Porque é que há tantas pessoas a viver perto de vulcões ativos?

Pode parecer contraintuitivo viver perto de uma montanha, que pode expelir uma chuva de cinzas e lava sobre si e a sua família, mas também há benefícios.Thursday, May 17, 2018

Por Heather Brady
Uma corrente de lava avança em Makamae Street na Ilha Grande, no Havai, após uma erupção do Monte Kilauea. O governador do Havai declarou o estado de emergência nas localidades situadas nas proximidades do vulcão.

Quando o chão se abriu e começou a expelir fumos tóxicos e lava do Monte Kilauea na semana passada, perto de Leilani Estates, os habitantes das localidades próximas do vulcão havaiano fugiram.

A erupção obrigou à evacuação das populações que viviam nas imediações do vulcão mais ativo da Terra, que regista erupções frequentes ao longo da falha geológica ocidental. Normalmente, a lava expelida durante a erupção corre em direção às águas do oceano, mas desta vez dirigiu-se para o interior.

Várias centenas de pessoas procuraram refúgio em igrejas, abrigos e em casas de conterrâneos, à medida que novas fendas e fissuras recortavam a superfície nas zonas residenciais.

Uma coluna de fumo denso, em tons de castanho avermelhado, ergue-se no ar, após um abalo sísmico, na sequência da erupção do vulcão Kilauea, no Havai. A erupção vulcânica ocorreu no dia 4 de maio de 2018, numa zona em Leilani Estates, perto de Pahoa, no Havai.

Impõe-se perguntar: Porquê viver perto de um vulcão ativo, quando se pode ser forçado a abandonar a própria casa, imerso numa nuvem de cinzas e fumos tóxicos, que dificultam a respiração, por conta de uma erupção?

Para começar, muitas pessoas dependem dos vulcões para sobreviver. A energia geotérmica de um vulcão pode alimentar sistemas tecnológicos das comunidades mais próximas. O solo perto de vulcões ativos é, normalmente, rico em depósitos minerais e fornece excelentes oportunidades de cultivo. Todos os anos, os vulcões são o destino eleito por centenas de turistas, contribuindo para a criação de postos de trabalho em hotéis, restaurantes, lojas de souvenirs, e como guias turísticos. E algumas pessoas simplesmente não dispõem dos meios financeiros para se mudarem para outro lugar.

Depois há as razões culturais e religiosas. Jordan Sonner, uma agente imobiliária que vive na Ilha Grande, tem uma casa logo à saída de Leilani Estates e apressou-se a recolher documentos importantes e os animais de estimação, assim que tomou conhecimento da corrente de lava. Sonner disse em declarações ao Washington Post que não receava assim tanto perder a casa.

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“Eu vejo isto da seguinte forma: a terra não nos pertence verdadeiramente. A terra pertence a Pele”, disse Sonner ao The Post, referindo-se à deusa havaiana dos vulcões. “Nós vivemos aqui, enquanto assim nos é permitido, e se ela quiser reclamar a terra de volta, fá-lo-á. Eu tenho um bom seguro.”

Muitos habitantes das zonas em torno do Kilauea acreditam que vale a pena correr o risco, dada a beleza do lugar, a vida em comunidade e a localização remota do Havai.

Os habitantes seguem com as rotinas diárias em Daraga, na província de Albay, apesar da erupção iminente do Monte Mayon a 25 de janeiro de 2018. Situado na zona oriental das Filipinas, o monte Mayon é o vulcão mais ativo do país.

“Temo-nos preparado para este momento, pois sabíamos, de antemão, que tínhamos adquirido uma casa numa zona crítica”, disse Stacy Welch em declarações à revista Time e cuja casa em Leilani Estates pode ter sido engolida pela lava. “Vai correr tudo bem. Havemos de reconstruí-la.”

Os vulcões também tendem a dar sinais de que algo está prestes a acontecer. Os pequenos abalos sísmicos do Kilauea, a concentração de grandes quantidades de lava no cume do monte e uma mudança no declive do vulcão, observados nas últimas semanas, denunciavam uma erupção iminente. Este caso não se aplica, necessariamente, a outros lugares do planeta, onde os abalos sísmicos, os tornados, os incêndios e as inundações podem chegar sem aviso prévio.

A evacuação das populações por causa da erupção do Kilauea não é um acontecimento isolado nos últimos meses, quando se trata se retirar pessoas do caminho da lava. Quando o Monte Mayon, nas Filipinas, começou a expelir cinzas para a atmosfera em janeiro, foi necessário evacuar dezenas de milhares de pessoas. Mais de 100 000 pessoas foram evacuadas a nordeste de Bali, quando o Monte Agung se fez ouvir, levando milhares de turistas a abandonar a ilha.

VEJA O VÍDEO QUE A LAVA DE UM VULCÃO AVANÇA EM DIREÇÃO A UMA POVOÇÃO

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