Conheça as Principais Conclusões do Climate Change Leadership Porto

Alterações Climáticas em Debate na Porto Summit 2018Monday, July 16, 2018

Por National Geographic
Climate Change Leadership Porto

Alterações climáticas, sustentabilidade, eficiência energética e soluções ecologicamente sustentáveis foram os principais temas em debate no evento Climate Change Leadership Porto, que decorreu na passada sexta-feira. Os vários oradores sublinharam que os efeitos das alterações climáticas são reais, que estão atualmente a causar danos significativos em todo o mundo e que devem ser urgentemente combatidos. Defenderam ainda que os países e as indústrias devem ver este desafio também como uma oportunidade de crescimento e de desenvolvimento, mas ressalvaram que esta é uma luta de todos e que é necessário interiorizar rapidamente a importância deste problema e contribuir ativamente para a sua mitigação, sob pena de o preço a pagar a curto prazo ser incomportável. 

Equilíbrio, Harmonia e Medidas Urgentes

As alterações climáticas vão criar problemas incontornáveis, mas as pessoas só vão fazer alguma coisa quando o seu dia-a-dia se tornar insustentável. Este foi apenas um dos muitos alertas deixados por Mohan Munasinghe, ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas e Prémio Nobel da Paz em 2007. No seu discurso, apelou à harmonia e ao equilíbrio e lembrou que as alterações climáticas não são um problema isolado. Os desequilíbrios em todo o ecossistema vão agravar a pobreza em alguns locais, gerar mais conflitos e fluxos migratórios, promover crises de liderança e pôr em causa a sustentabilidade do planeta.

Os danos económicos causados pelas alterações climáticas já são grandes, mas serão enormes a prazo, disse o orador. De resto, as empresas têm que perceber que os custos inerentes às políticas de mitigação e de adaptação necessárias são bastante inferiores àqueles que terão que suportar a breve prazo se não forem tomadas medidas mais urgentes.

Munasinghe sublinhou ainda a importância do recurso a energias alternativas, da poupança e eficiência energética e dos comportamentos sustentáveis para criar boas práticas junto das pessoas e das empresas e para promover comportamentos ecologicamente mais responsáveis. Em jeito de conclusão, disse ter fé na geração mais jovem que está mais alertada para este problema e já dispõe de ferramentas diferentes para o combater, mas sublinha que o combate a este problema tem que começar agora: “Os nossos antepassados já seguiam políticas de sustentabilidade. Hoje, nós temos o conhecimento e a tecnologia mas nada fazemos”.

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Património Natural Essencial Para Combater Alterações Climáticas

Irina Bokova, ex-diretora-geral da Unesco, acredita que o património mundial, cultural e natural é a chave para responder a alguns dos desafios da mitigação dos efeitos das alterações climáticas.

A oradora considerou ser urgente proteger o património mundial, nomeadamente o natural que cobre cerca de 80% da superfície da terra. As florestas e os oceanos estão a absorver parte dos impactos causados por este problema, mas espelham ao mesmo tempo a forma como está a acelerar a destruição do mundo onde vivemos. “As pessoas ainda não perceberam bem a gravidade desta ameaça, são precisas imagens que reforcem esta mensagem, e infelizmente já temos muitas”.

Irina Bokova falou na importância da implementação de medidas que possam reduzir e/ou atenuar os efeitos das alterações climáticas, e na necessária criação de um índice de vulnerabilidade dos diferentes locais referenciados como património mundial, mas destacou também a urgência de educar as pessoas para um desenvolvimento sustentável através de bons exemplos e iniciativas que respondam às ameaças.

Podemos não ser capazes de reverter os danos que causámos. Se não tomarmos medidas o clima vai destruir não só a agricultura, mas toda a nossa história e a nossa identidade. Estamos a perder a nossa memória comum porque não fazemos nada”.

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Revolução Verde Vai Promover Inovação e Desenvolvimento

Juan Verde, presidente da Advanced Leadership Foundation (ALF), uma das entidades organizadoras do evento, reconheceu que os temas da sustentabilidade, responsabilidade ecológica, eficiência energética ou das alterações climáticas são facilmente remetidos para segundo plano quando o poder político tem questões financeiras para resolver em cima da mesa, mas deixou o alerta: “Não nos podemos dar ao luxo de escolher entre a economia e o planeta. Sem o planeta não há economia. Temos de apostar nos dois”.

O executivo orientou o seu discurso para as oportunidades que as épocas de transformação abrem, nomeadamente ao nível da evolução e desenvolvimento. Nas suas palavras, o mundo está à beira de uma “revolução verde” que pode promover a inovação e abrir inúmeras portas para as empresas.

No entanto, para que os países possam aproveitar devidamente estas oportunidades, devem alterar a sua economia já a curto prazo e apostar no que está moralmente certo em detrimento do que é financeiramente mais apetecível no curto prazo.

Apostar no planeta faz todo o sentido a nível económico e de competitividade”, disse o orador.

O investimento na Green Economy está a aumentar significativamente, e esta é uma tendência que veio para ficar. “As empresas ambientalmente responsáveis geram mais dinheiro e são mais eficientes. Juan Verde lembrou que a inovação tem reduzido bastante os custos da tecnologia ambientalmente responsável, e que as empresas e as pessoas têm que perceber que a eficiência energética conduz a poupanças. “A ameaça número um hoje em dia não é o terrorismo, mas sim as mudanças climáticas. Vamos ser capazes de perceber que esta revolução verde vai ser realmente uma grande oportunidade, até porque é importante pensarmos no que vamos deixar para a próxima geração”.

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Os Mais Jovens Podem Mudar o Mundo

Com um discurso mais político e crítico, Barack Obama,  44º presidente dos Estados Unidos da América, apontou o dedo à falta de liderança que existe no mundo, falou sobre os entraves políticos e sociais que impedem os países de resolver rapidamente alguns dos maiores problemas que existem na atualidade e deixou um forte mensagem de esperança para uma geração mais jovens que está a crescer mais alerta para as questões ambientais.

Para o ex-presidente, o processo de transformação que está a afetar o mundo e as pessoas, liderado pela tecnologia e pela globalização, está a gerar diferentes respostas e visões sobre o futuro, que acabam por pôr em causa ou dificultar o sucesso de políticas internacionais comuns, como o Acordo de Paris. Ainda assim, considerou que tanto os países como as pessoas “começam a perceber que este é um caminho que querem trilhar, e não um que são obrigados a percorrer”.

O norte-americano defende que é preciso monetizar este problema e colocar um custo não só sobre o que está a acontecer, mas também sobre tudo o que vai ter que ser feito para mitigar os efeitos das alterações climáticas e de outros problemas associados. “As pessoas têm de perceber que este é um problema grave e que têm de investir agora em energias renováveis e na proteção do planeta para não pagarem um preço bastante mais caro num futuro próximo. Se formos todos proativos podermos ser bem-sucedidos.”

Barack Obama fez ainda questão de destacar que há uma forte ligação entre as alterações climáticas e outros problemas que existem no mundo, e que até já dispomos de tecnologia e de conhecimento para resolver parte deles. No entanto, “para implementarmos estas medidas temos de passar por cima de instituições humanas, políticas e sociais. É a forma como estamos organizados que nos impede de ajudar”, criticou.

Parte da solução passa pela educação da opinião pública. O ex-presidente frisou que as pessoas têm que saber quais os desafios que vão a enfrentar, mas admitiu que esta é uma tarefa por vezes difícil devido à forte contrainformação que existe hoje em dia, e contra a qual é urgente lutar. “A política deve ter por base uma visão moral, e não uma visão de poder”.

O futuro pode estar na mão dos mais jovens, que já cresceram na era digital e possuem um conhecimento diferente de tudo o que os rodeia. Para Obama, as novas gerações estão mais conscientes dos problemas ambientais e da sua responsabilidade enquanto agentes de mudança, são mais tolerantes face às diferenças culturais e sociais e têm um instinto mais forte para trabalharem em conjunto, além-fronteiras. O poder político deve dar mais responsabilidade aos jovens e confiar neles para que estes revelem o seu verdadeiro potencial. Para Barack Obama, com o apoio certo e formação adequada, estes jovens podem mudar o mundo.

Porto Protocol: Um Acordo “de Cavalheiros” Para Responder às Alterações Climáticas

O Porto Protocol é um acordo de compromisso assinado entre os produtores de vinho do Vale do Douro que pretende estabelecer algumas boas práticas ecologicamente responsáveis que possam ajudar a mitigar o impacto das alterações climáticas nesta atividade e em todo o setor agrícola desta região. O grupo de empresas envolvidas, que contempla produtores de distintas dimensões, compromete-se a avançar com algumas ações na área da sustentabilidade e seguir uma metodologia mais Green.

O protocolo visa ainda criar uma base de dados com casos em estudo que possam encorajar as empresas a seguirem os melhores exemplos e práticas na indústria do vinho. Adrian Bridge, CEO da Taylor’s Port, sublinhou que a agricultura está a ser fortemente impactada pelas mudanças climáticas, mas que este impacto pode ser reduzido que todos fizerem o seu papel. “O porto Protocol é mais do que um call to action. Queremos criar uma plataforma na qual possamos partilhar ideias, projetos e experiências. Precisamos partilhar as ideias que estão a fazer a diferença porque já não há tempo para reinventarmos as coisas. Temos que aproveitar o que há. Este não é um problema exclusivo da indústria do vinho, mas podemos liderar como exemplo a seguir por outros setores e indústrias”.

No seguimento deste protocolo, será realizada em março de 2019 uma segunda conferência orientada para soluções mais específicas que podem ser adotadas. Esta iniciativa pretende reunir empresas do setor vinícola de todo o mundo.

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